Wladymir Ungaretti: “O Mercado é a alma da cidade”

Ele foi preso político durante a ditadura militar, chefe de redação da lendária Rádio Continental, nos anos 70, trabalhou em veículos como Zero Hora e hoje é professor na Faculdade de Jornalismo, da UFRGS, além de se dedicar ao seu blog “Ponto de Vista”, de forte conteúdo político e cultural. E um freqüentador assíduo do Mercado Público. Aqui o seu depoimento.

“O que eu gosto de Porto Alegre no verão é que fica um lugar com o número de pessoas e habitantes de acordo com a estrutura da cidade. Ou seja, você é bem atendido nos lugares. Por exemplo, aqui no Mercado Público nas bancas você pode ficar fazendo perguntas sobre temperos, especiarias. As pessoas têm mais tempo para te dar atenção e isso faz com que fique mais agradável freqüentar alguns lugares, como o Mercado Público, por exemplo.
A cidade fica mais agradável, se atravessa as ruas com mais calma, não se tem tanta ansiedade nas sinaleiras, nas filas dos ônibus. Ela fica, não como uma cidade do interior, mas uma coisa boa. Eu gosto de fazer uma coisa chamada “deriva”, que é ficar caminhando sem destino. Deriva é uma coisa da Internacional Situacionista que era uma atitude das pessoas ficarem se apropriando dos espaços urbanos como vagabundo, que é o que eu faço um pouco no verão – ficar caminhando sem destino por dentro da cidade.
E um dos lugares é o Mercado Público. Uma das primeiras coisas que eu faço quando viajo é querer conhecer o mercado da cidade onde estou. Aqui eu freqüento muito as bancas de temperos, compro muito peixe, me dou muito com as pessoas aqui dentro. Também freqüento muito a Cachaçaria do Mercado, onde tem grandes cachaças. Acho que nós brasileiros temos que conhecer as cachaças do país, que são várias. Freqüento a Banca 40 e em geral circulo aqui por dentro do Mercado. Se eu vou fazer uma paella, venho buscar todos os ingredientes aqui. As pessoas sabem quais são os temperos. É um dos lugares que eu freqüento bastante e com calma durante o verão. Sou um freqüentador do Naval e há muitos anos, quando guri, freqüentei o Treviso – era comum se sair na madrugada e vim comer no Treviso. Mas hoje frequento o Naval ou aqueles bares que ficam de frente para o Largo Glenio Peres onde fico lendo, às vezes só tomando água. Outro lugar que vou bastante é o Café do Mercado. Mercado público é uma coisa importante em todos os lugares onde exista um.”

 

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