Voracidade fiscal e falta de visão do estado sufocam produção

TRIBUTAÇÃO

Voracidade fiscal e falta de visão do estado sufocam produção

 O RS foi pioneiro nas cervejarias regionais, chegando a ter o maior número delas na América Latina, nos anos 60. Foram várias: Polca, Pérola, Serramalte, Casco Escuro, Continental e muitas outras, em municípios gaúchos. “Mas a histórica linha estadual de apoiar a política monopolista das grandes cervejarias matou as pequenas, uma a uma”, diz Artur Winter, presidente da Associação das Microcervejarias do Estado do  RS. A luta hoje é pela inclusão das microcervejarias no Simples e reduação dos encargos estaduais.

 

     Artur, que também é proprietário da Ralf Beer, de Alvorada, diz que o grande problema é a ferrenha carga tributária de 100% sobre as pequenas empresas do segmento. Para ele, o estado não compreende que as empresas têm muitos custos com serviços, insumos e logística. “Deveriam ser tratadas como as microempresas, como nos Estados Unidos, por exemplo, onde é bem mais amena a tributação e está crescendo a produção das cervejas artesanais”, diz. E, para dificultar ainda mais, o Simples nacional não permite a inclusão das microcervejarias por produzirem bebidas alcoólicas. Sem tratamento diferenciado e poder de barganha como as grandes cervejas possuem não há como suportar os custos, afirma. “O Brasil não tem mais cervejarias, são todas multinacionais e nós exigimos o direito de poder existir como pequenos”.

 

Pioneirismo gaúcho e o exemplo de Santa Catarina

      Mesmo com este quadro desfavorável, Artur lembra que o pioneirismo gaúcho se fez novamente presente. Ele se refere à inauguração da Dado Bier, no começo da década de 90, que refundou a cervejaria regional, criando o  que é hoje o mercado das microcervejarias. “A partir daí foi ressurgindo o mercado, mas a voracidade tributária no estado nos últimos seis anos fez com que 40% delas fechassem suas portas. Foram criados todos os artifícios possíveis para se tributar ao máximo, nenhum incentivo ou financiamento e as nossas cervejarias estão tecnicamente quebradas”, alerta Artur. Já Santa Catarina, diz, tem se mostrado mais ágil e sensível às questões tributárias. “E saiu na frente, reduzindo em 13% o crédito da matéria-prima, o que significa uma redução de 50% do ICMS das cervejarias catarinenses”, revela. Isto fez com que a produção triplicasse em curto prazo e as empresas de lá se tornaram mais competitivas e muitas saíram da informalidade. “Ganharam fôlego e entram no mercado gaúcho fortalecidas, em condições desiguais e estão tomando o mercado das cervejarias gaúchas” sinaliza.

 

O papel das micros cervejarias no turismo e no desenvolvimento econômico

    Enquanto SC, com apenas nove microcervejarias, já possui a sua Rota Turística da Cerveja, no RS, com mais de 30, nenhum projeto à vista. “São muito importantes no fomento do turismo e da gastronomia, valorizando as coisas da terra”, afirma. Ele informa que ações já foram feitas junto ao parlamento gaúcho e Câmara Federal, onde foram apresentados os potenciais do setor. Mas até agora nada, nem apoio e nenhum resultado efetivo. Para ele o lobby das grandes empresas é muito grande para que as pequenas não desenvolvam o seu potencial. “Mas, o gaúcho é um empreendedor nato. Se expandiu, ajudou no crescimento de Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso. Não vamos entregar os pontos. E o mercado está carente de cerveja de qualidade”, lembra, dizendo que já produzimos bons vinhos, queijos, espumantes e aguardentes.

 

(BEBA COM MODERAÇÃO)

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