Viver e honrar a Feira, Valesca de Assis é a patrona da Feira do Livro de Porto Alegre

63ª Feira do Livro de Porto Alegre

Foto: Luiz Ventura/CRL

A nova patrona da Feira circula por diversos gêneros literários – conto, crônica, romance. Aborda desde temas densos, como a violência contra a mulher, até a leveza da literatura infantil e juvenil. Natural de Santa Cruz do Sul/RS, Valesca é formada em Filosofia pela UFRGS, com especialização em Ciências da Educação pela mesma universidade. Sua estreia na literatura foi em 1990 com o romance “A valsa da medusa” – e desde então, segue sua trajetória entre palavras.

 

A escritora também já esteve envolvida em diferentes esferas culturais: já foi membro e presidente do Conselho Estadual de Cultura do RS e integrou o Conselho Científico do Portal das Comunidades de Açores, em Portugal. Além de participar de diversas antologias, seus livros publicados são: o já citado “A valsa da medusa” (Movimento, 1990), “A colheita dos dias” (Movimento, 1992), “O livro das generosidades” (Artes & Ofícios, 1997), “Harmon ia das esferas” (WS Editor, 2000), “Todos os meses” (AGE, 2004), “Diciodiário” (Artes & Ofícios, 2005), “Vão pensar que estamos fugindo” (Libretos, 2012), “Um dia de gato” (Libretos, 2010) e “Tábua dos destinos” (Tertúlia E-books, Portugal, 1993). Seu mais recente romance, “A ponta do silêncio” (Besouro Box, 2016) tem recebido diversas críticas positivas e traz para a discussão a opressão de gênero e a violência contra a mulher, na poderosa construção da personagem Marga.

Autora premiada

Valesca tem uma história premiada. Com “Harmonia das esferas”, recebeu o Prêmio APCA – Associação Paulista de Críticos de Arte em 2000 (categoria Revelação de Autor) e o Prêmio Especial do Júri da União Brasileira de Escritores em 2001 (categoria Romance). A mesma obra lhe rendeu a indicação ao Prêmio Açorianos de Literatura em 2001 (Romance). E não parou por aí: “Todos os meses” lhe trouxe o Prêmio do Livro do Ano da Associação Gaúcha de Escritores em 2003 (Crônica) e a Coleção Grilos, da qual é integrante seu “Diciodiário”, levou o Prêmio O Sul Nacional e os Livros em 2005. Por sua trajetória, recebeu o Troféu Palavra Viva do Sindicato dos Trabalhadores da Justiça Federal (Sintrajufe-RS) em 2010. Atualmente Valesca ministra oficinas literárias regulares e intensivas em Porto Alegre, onde mora, em São Paulo e em Portugal, na EM.ON – Escrita Criativa Online.

 

“Preciso erguer a ponta deste silêncio, erguer a ponta deste grande e solitário tapete urdido dia a dia em todos esses anos, e que é a coberta de minha vida. Levantada a ponta, o resto virá por si, torrencial e caudaloso. Apenas necessito forças para quebrar o vidro do ressentimento e cruzar o espelho onde me desenharam como bem quiseram. Ali, espero encontrar o rosto único e verdadeiro com que nasci.”

Trecho de “A ponta do silêncio”

 

 

ENTREVISTA

De que forma a escrita entrou em sua vida?

Sempre gostei de ler e escrever, mas só pude começar a escrever depois de ser aluna de uma Oficina Literária, em 1985-86. Lá, aprendi a usar as ferramentas da escrita.

 

Qual será sua bandeira como patrona da Feira?

A da resistência. Pela leitura e pelos Programas de Leitura nas escolas.
Na sua opinião, a Feira está no seu formato ideal?

Como está agora, acho o melhor formato. As pessoas se encontram mais, conversam mais.

 

Quais as melhores alternativas para a formação de leitores?

Os Programas de Leitura, como o Adote um Escritor, Fome de Ler, Autor Presente…

 

Como você vê a literatura gaúcha em relação à realidade literária brasileira?

Muito bem! Os jovens têm uma escrita que transcende o Rio Grande e são muito lidos nos outros estados.

 

Algum escritor gaúcho ainda não foi devidamente reconhecido, merecendo um resgate?

Lara de Lemos, por exemplo, que vai ter sua obra completa editada.
Para você, quais os cânones da literatura gaúcha?

De identidade. E, como disse antes, mais universal, com os jovens autores

 

E quais seriam os novos nomes da literatura gaúcha?

Daniel Galera, Luísa Geisler, Carol Bensimon, Leonardo Brasiliense. São muitos nomes jovens.

 

Como percebe o movimento editorial no estado?

Em recuperação!

 

Quais seus atuais e próximos projetos?

Viver a Feira, honrá-la como o povo merece. Depois, começar outro livro.

 

Qual a importância da Feira do Livro de Porto Alegre para o cenário da literatura gaúcha e nacional?

A Feira é uma referência nacional e internacional. Vários autores que estiveram aqui, do Brasil e do exterior, já me escreveram, cumprimentando. Para um escritor gaúcho, o Patronado da Feira é a maior honraria literária.

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