Viva o Centro a Pé: conhecendo o Centro

Numa fria e chuvosa manhã de um sábado um grupo de aproximadamente 60 pessoas, comandado pelo arquiteto Luiz Merino, iniciou uma pequena caminhada pelo Centro da cidade, descobrindo pequenas maravilhas e um pouco da história da cidade através da sua arquitetura.

 

Merino, funcionário da Secretaria Municipal da Cultura e consultor de patrimônio cultural do Programa Monumenta, iniciou o trajeto no Caminho dos Antiquários, subindo as escadarias do viaduto da Borges de Medeiros. Do alto do viaduto, ele começou a sua “aula” itinerante, explicando que a obra foi construída no ponto mais alto do centro da cidade, abrindo espaço para se construir a avenida Borges de Medeiros que ligava as duas zonas importantes da cidade, ou seja, o centro e a então distante zona sul.

Neste período, segundo Merino, tem início o processo de verticalização da cidade, que forma o que ele define como o “cânyon” da Borges, com o surgimento dos grandes edifícios de Porto Alegre. Cravado nos altos da Duque, o São Salvador é um deles. O prédio está sendo restaurado, dentro do Programa Monumenta e traduz bem o espírito da época em que a Duque era uma referência do caráter aristocrático da cidade, com famílias abastadas, que moravam em apartamentos amplos e requintados, como o São Salvador.

Destacando que muita gente está procurando o Centro para morar, numa espécie de reva­lorização do bairro, o arquiteto abrigou-se com a turma sob uma marquise onde antes funcionava o velho cinema Vitória. Dali teceu suas observações sobre o edifício Sulacap, um dos mais tradicionais e majestosos do Centro, com o seu estilo típico dos prédios de Chicago dos anos 30. Nele morou, por exemplo, o grande escritor gaúcho Dyonélio Machado. Um pouco mais abaixo, em plena Esquina Democrática, para a qual há perspectivas de mudança, podendo se transformar numa espécie de largo, as atenções se voltaram para a Galeria Chaves, outro importante patrimônio da cidade, com o seu inconfundível estilo neo-renascentista. “Poderia estar em Florença”, disse Merino, referindo à obra que brilhou nos anos 30 como uma espécie de shopping, cons­truída pela tradicional família Chaves Barcellos, que até hoje administra o imóvel.

 

Descobrindo a cidade através da arquitetura
Ao lado da Galeria Chaves, outro prédio que está intimamente ligado à vida cultural da cidade, que até pouco tempo abrigava a histórica Livraria do Globo, onde trabalhavam nada menos do que Erico Verissimo e Mario Quintana. Hoje onde era a gloriosa livraria, temos uma prosaica lojas de calçados. Entre a livraria e a Galeria Chaves, um prédio em estilo bávaro que nada tem a ver com a história de Porto Alegre.

Cruzando a Galeria Chaves o passeio prosseguiu até o antigo abrigos dos Bondes, que contorna a Praça XV. Ali nada mais resta do antigo charme e romantismo do Centro de Porto Alegre, hoje uma área degradada e abandonada, tomada pela exclusão social. Resta, contudo, o Chalé da Praça XV, que traz em sua arquitetura elementos art-noveau do velhos tempos em que seu chope era o mais famoso, reunindo toda a comunidade alemã. A seguir, o roteiro se encaminhou para o seu final. Uma passagem pela Fonte Tala­vera, que está ainda em processo de restauração na Espanha e o prédio da Prefeitura, com toda a sua imponência e riqueza de detalhes de inspiração positivista.

As caminhadas do Viva o Centro a Pé acontecem duas vezes por mês, sempre aos sábados, orientadas por professores especialistas em história ou arquitetura. É uma ótima oportunidade para descobrir a cidade. Como diz Luci Schimitt, funcionária pública estadual, “a caminhada é maravilhosa pelos esclarecimentos a respeito da arquitetura. A gente passa com pressa e nem tem tempo de reparar direito, olhar em volta, está tudo voltado para o modernismo.” E, sem dúvida, belos monumentos e edifícios com muita história é o que não faltam

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