Vieux- Marché à Quebec. Prazeres no Canadá

 

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Vieux- Marché à Quebec. Prazeres no Canadá

    As cidras surpreendem em Quebec.

Devido ao clima temos três possibilidades. A cidra normal, dita tranquila, pode substituir o vinho branco, é feita de maçãs bem maduras, adequado no acompanhamento de brochetes de porco com molho de pimenta, molho de ananás com cardomono. A cidra efervescente é feita a partir da cidra normal com adição de gás carbônico. Pode substituir os espumantes. Acompanha bem os pratos de entrada e canapés. Finalmente, a cidra de inverno, única em Quebec é devida ao intenso frio que no inverno concentra o açúcar e pela fermentação apresentará gosto único. Tente com carnes defumadas, com queijos ou patê de foie-gras.

    Como a produção de licor de cassis é farta, coquetéis são outro desafio. A cor da mistura fica bem interessante. Os casamentos com os pratos locais, outra loucura.

    Para descobrir a gastronomia, uma visita ao velho mercado, perto do rio São Lourenço não pode ser esquecida. É essencial para entender o modo de vida dos canadenses de origem gaulesa. O requinte, a tradição, os processos da culinária francesa aqui tomaram rumo diferente. Temos muito para aprender, as receitas são infinitas.

    O cassis, pequena fruta, chamada por aqui de “gadelle noire au Québec” dá origem a produtos reconhecidos em todo o mundo. Temos o creme de cassis, o cassis frutado, o cassis com madeira e, por fim, o capitoso. Geléias, mostardas, cebolas ao molho de cassis — sirop de cassis. As possibilidades aumentam

    Bem para levantar mais tentação, não podemos esquecer os queijos de cabra, os queijos de ovelhas, os queijos normais. Para fanáticos existem percursos pelo interior para visitar as fazendas e pequenos estabelecimentos artesanais. São mais de 65 locais indicados, com mais de 400 tipos diferentes de produtos. Enquanto fazia provas, recebi manual de como degustar as maravilhas. É considerado selvagem quem não segue os ritos consagrados. Para cada queijo, um tipo de vinho. Os vinhos da França predominam, mas existe produção local. Para nosso espanto os brancos são interessantes. Os vinhos de inverno não chegam ao Brasil.

    Calvados estão à disposição, bem como produtos equivalentes ao vinho do porto, apenas não usam uvas.

    Vamos deixar de lado frutas, legumes, pescados, os pimentões roxos, e carnes especiais. Agora são as tortas de frutas, as ‘patisseries”, as delicatesses que nos atraem.

Os pães especiais pedem os patês disponíveis, o “foie-gras”. O nosso regime e o colesterol terão que nos dar passe livre. Somos humanos e não é possível resistir a tantas tentações. Estamos no Vieux-Marché, em Québec.

    De repente, uma surpresa num dos cantos do mercado. Novo produto, produção reduzida, ecológica, promete maravilhas para os consumidores. Exclusividade do Canadá, a “Chanvre école” é o alimento do século. Fonte de magnésio, de vitamina E, de zinco, de ferro, de fibras e do imprescindível ômega -3. Vendido em pó, semelhante ao germe de trigo, pode ser adicionado aos pães, ao cuscuz, aos molhos, aos mingaus, a tudo. Para nossa surpresa, o cereal provém do vegetal da família da nossa conhecida maconha. O cultivo proibido em todo o mundo é reativado agora no Canadá. A produção é controlada, os testes do princípio ativo THC — base da droga — são permanentes; mas pelas informações não há como não consumir a novidade.

    O interessante: pelas informações pode-se também obter as fibras necessárias à fabricação do papel num custo menor do que o pela exploração de madeira e com menos agressão ao meio-ambiente. Dá para pensar.

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