Viaduto Otávio Rocha, restauro urgente e necessário

 Centro Histórico, por Emílio Chagas

 

Ele começou a ser pensando em 1914, com o 1º Plano Diretor da cidade, que previa a ligação entre as zonas leste, central e norte com a sul de Porto Alegre. Mas a sua construção só iniciou em 1926, quando o intendente Otávio Rocha, junto com o então presidente do Estado, Borges de Medeiros, determinaram a abertura da Avenida Borges de Medeiros. No ano seguinte foi aprovado um projeto dos engenheiros Manoel Itaqui e Duilio Bernardi, começando as obras em seguida. Foi entregue à população em 1932. Trata-se de uma das obras mais monumentais da cidade, e uma referência não só para o Brasil, mas para toda a América Latina, revolucionária até hoje, sendo objeto de estudo de arquitetos de todo o continente. Porém, há mais de uma década encontra-se em lastimável estado de conservação, com pichações, ocupações irregulares, infiltrações e vandalismo, atingindo a riquíssima área escultórica, inclusive, de Alfred Adloff.

Recentemente, no período de Comunicações Quinta Temática, da Câmara Municipal de Porto Alegre, proposição da vereadora Sofia Cavedon (PT), durante a sessão ordinária de 12 de março, foi debatido o projeto de restauração do Viaduto Otávio Rocha. O presidente da Associação Representativa e Cultural dos Comerciantes do Viaduto Otávio Rocha (Arccov), Adacir Flores, afirmou que o viaduto representa a memória viva da cultura imaterial de Porto Alegre. “Queremos, acima de tudo, que o poder público enxergue o Viaduto Otávio Rocha como o mais importante monumento da cidade e que ele precisa de reformas, em respeito aos permissionários que estão lá trabalhando”, disse. Flores destacou ainda que a humanização do viaduto deve ser um dos preceitos mais importantes no seu projeto de restauração. “Devemos focar no processo de retomada daquele espaço por pessoas e eventos culturais, e não apenas usá-lo como via de acesso ao Centro”, ressaltou. O presidente lembrou também que é preciso retomar o Fundo Pró-Viaduto, no intuito de que se mantenha permanentemente o Viaduto Otávio Rocha.

 

Vereadora Sofia Cavedon, propondo o restauro do viaduto

 

Prefeitura, comunidade, comerciantes e usuários: todos envolvidos

O presidente informou que o resultado do trabalho foi “como de um polvo com vários tentáculos”. “A Câmara sempre nos dá espaço; por isso, um dos encaminhamentos que gostaria de solicitar é uma audiência na Comissão de Educação e Cultura (CECE) para discutir os valores cobrados pelo Executivo pela permissão de uso das lojas do viaduto”, disse, ao ressaltar que a associação já tem protocolado documento junto à Secretaria Municipal da Produção, Indústria e Comércio (SMIC), para que os valores cobrados sejam revistos. “Queremos pagar, mas pagar o valor justo e resolver esse assunto antes da restauração do viaduto, propondo uma zeladoria tripartite por meio da união entre comerciantes, governo e  moradores do entorno. Nós fazemos parte desse monumento e temos que cuidar e zelar por ele”, finalizou. A vereadora Sofia, que é integrante da CECE, ficou responsável por tratar do agendamento da audiência solicitada por Flores. Por sua vez, o secretário municipal de Obras e Viação (SMOV), Mauro Zacher, disse que o projeto apresentado é extremamente importante para a prefeitura. “Este projeto surge de uma demanda do Plano Diretor de Porto Alegre e está mobilizando 16 secretarias, para que a reforma seja bem-sucedida”, disse. Segundo o secretário, diversas entidades, bem como os cidadãos de Porto Alegre, participaram do processo de construção do projeto que está em sua fase final, devendo ser entregue no mês de abril de 2015

 

Adacir Flores, a voz dos comerciantes do Viaduto Otávio Rocha

 

O projeto: resgatando a originalidade do viaduto

 Os arquitetos Alan Cristian Furlan e Cristiane Gross destacaram os principais pontos que irão fazer parte do projeto de restauração do Viaduto Otávio Rocha e afirmaram que o intuito da proposta é reaver a originalidade do empreendimento. Para Alan Furlan, analisar a parte histórica do viaduto foi um processo importante na construção do projeto. “Fizemos uma pesquisa histórica para termos o pleno conhecimento da obra. Além disso, fizemos o levantamento da realidade estrutural dele, para depois analisar as possibilidades de aperfeiçoamento”, disse. Furlan afirmou que o projeto visa uma estrutura que dure no mínimo 30 anos, ou seja, uma proposta de longo prazo. Segundo ele, o viaduto é uma obra única e singularmente tecnológica, tendo sido, durante anos, o lugar mais iluminado de Porto Alegre. “Queremos retomar esta ideia de iluminação e projetamos um viaduto com diversas lâmpadas de led, tendo a prefeitura o controle de mudar as suas cores para determinados eventos culturais”, afirmou. Um dos principais problemas destacados pelos arquitetos foram as infiltrações, que já foram mapeadas e serão consertadas ao longo das obras. “Avaliamos a história de reformas pelas quais ele já passou, para não termos tantas surpresas na hora da obra, e trabalhamos durante quatro meses árduos analisando em quais locais havia infiltrações e outros problemas hídricos”, informou.

Furlan afirmou também que o piso será totalmente restaurado, mantendo a arquitetura original, mas se adaptando aos cidadãos deficientes visuais e cadeirantes. “Sabemos que estamos restaurando o viaduto também no imaginário das pessoas que por ali passam e queremos trazê-lo para o mais próximo do original quando foi concebido, para não perdermos a sua imagem cultural”. O arquiteto falou ainda sobre o sistema antivandalismo e antifurto que será colocado no Viaduto para que os componentes externos de iluminação mantenham-se intactos. Ele encerrou afirmando que é preciso que se crie uma gestão ativa e atuante, que abrace durante o ano inteiro o uso do viaduto como um projeto de cultura.

Com a contribuição de Marta Resing, da Assessoria de Imprensa do Gabinete da Vereadora Sofia Cavedon.

 

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