“Ver a Márcia desesperada, procurando pela filha, foi uma cena bem forte”

Relato

 

“Ver a Márcia desesperada, procurando pela filha, foi uma cena bem forte”

 

Ele foi um dos poucos que estava no Mercado quando o fogo começou. Acreditou que seria logo dominado. Teve calma de fechar a banca e encerrar os serviços. Mas, de repente a primeira labareda que viu se transformou num grande incêndio.

 

Funcionário da Banca 26, Edeltro de Souza, conhecido como Daltro, estava com colegas, preparando-se para instalar uma pia e balanças, quando ouviu gritos vindo do segundo piso, provavelmente de Márcia Mascarello, dona do restaurante Telúrico, que estava pintando a loja – o fogo começou no restaurante ao lado do seu. “Olhei para cima e vi a labareda, mas fiquei tranquilo, achando que o fogo logo ia ser dominado”, disse. Mas poucos minutos depois, uma cena arrepiante: viu Márcia desesperada, procurando a filha, uma cena muito forte, que tão cedo ele não esquecerá. Felizmente a menina de 10 anos já tinha sido trazida por pessoas da limpeza. “Ela não via nada, só parou quando ouviu a voz da filha”, recorda. O fogo se alastrou, acabando com a calma de Daltro. “Vi o pessoal correndo e, sinceramente, não achei que fosse tomar as proporções que tomou”, relata. Ficou ainda no interior do Mercado por mais 10 minutos, quando chegou a Brigada Militar. Depois saiu para a rua, contornando o Mercado, sem saber de onde saía tanto fogo. Ficou até o fim, quando os bombeiros conseguiram debelar o incêndio. No dia seguinte, ficou ainda mais emocionado quando viu o impacto das chamas no segundo piso, sentindo o drama dos colegas mercadeiros que foram duramente atingidos. “A gente sabe que é difícil, demora, todo mundo precisa trabalhar. Mas, ao mesmo tempo, ficamos felizes porque a nossa banca não sofreu nada, os nossos empregos estão garantidos”.

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