Uma microcervejaria em expansão

SAINT BIER

Uma microcervejaria em expansão

 A idéia é produzir cerveja de qualidade, com maltes e outros ingredientes importados, sem químicos e aceleradores, respeitando o tempo exato da cerveja. O resultado dessa filosofia é que a Saint Bier é hoje uma das principais microcervejarias do sul do país.  instalada em Forquilhinha está em expansão, produzindo, inclusive, para terceiros sem abrir mão da qualidade na sua linha de cervejas que a consolidou no mercado.

    “A empresa surgiu como uma oportunidade de negócio, um investimento. Interior da fábrica da Saint BierO proprietário Abrahão Paes Filho, trabalhava com produtos de couro. E no inverno havia uma baixa. Então, ele passou dois anos estudando negócios, antes de chegar na cerveja. Foi na Alemanha que surgiu a ideia, ali por 2005”, explica Ramão Trois, gerente de vendas, responsável pelas negociações, trabalhando no segmento de cerveja há 30 anos. Primeiro foi adquirida uma distribuidora de chope em Araranguá/SC, para aprender e estudar o mercado. Quando o Abrahão viu que o investimento era bom e tinha futuro, partiu para abrir a atual fábrica em Forquilhinha. Ramão adianta que a proposta de cerveja da Saint Bier está dentro da lei de pureza alemã: “Todas as nossas cervejas só usam quatro elementos: malte, lúpulo, cevada e fermento, sem nenhum produto químico. E é tudo feito de maneira bem artesanal. Esta é a nossa filosofia de cerveja”, resume.  A fábrica foi toda idealizada na Alemanha, com quatro panelas de cozimento, a única – a maioria das microcervejarias possuem apenas duas e mais um “pulmão” de reserva. Assim, é uma panela para cada processo quente da cerveja que, depois de entrar na linha de produção, não volta mais. Esse processo, explica Ramão, implica na qualidade final do produto.

 

Mercado, cada vez mais em expansão

     A empresa optou por vender exclusivamente para os distribuidores, alguns treinados na Saint Bier. Hoje são 29 ao todo, de Curitiba a Passo Fundo. “Onde a gente é forte é no litoral de Santa Catarina. E depois Porto Alegre, Canela, Gramado, Novo Hamburgo e Caxias”. O gerente também explica que a fábrica, a partir da expansão e da consolidação, passou a produzir cerveja para terceiros, respeitando as fórmulas de cada cervejaria. A primeira foi a Coruja, de Porto Alegre, uma das pioneiras, já há oito anos no mercado e conhecida no Brasil inteiro, principalmente no Rio de Janeiro e São Paulo. E na última Brasil Brau, feira nacional do setor cervejeiro, a empresa fechou parceria com Duffy, cerveja (dos Simpsons) mexicana que está entrando no Brasil, e deverá  multiplicar sua produção rapidamente. cervejaia saint bier

Perfil dos consumidores

      “O mercado brasileiro ainda é um bebezinho na arte da cerveja artesanal. Temos muito que crescer, não na qualidade, mas nos níveis de consumo. Hoje ela tem 0,1% do mercado, mas em breve vamos chegar a 0,5%. O bom é que cresça devagar, senão não vamos dar conta”, explica. O perfil, informa, é do jovem de 18 a 25 anos, onde as mulheres são predominantes e mais exigentes em qualidade. E, depois, um público de meia idade, até os 50 anos. Em todos os casos, de classe A/B, freqüentadores de clubes, bares e pubs. Uma artesanal, por exemplo, pode levar até 40 dias para ficar pronta, enquanto uma comercial, em quatro dias já está na rua. A dedicação é completa, sendo que muitas receitas começaram a ser feitas na casa e sítio do diretor. “É assim que começamos os processos, testando até acertar”, conclui Ramão.

As cervejas produzidas pela Saint Bier

      A cerveja estilo Pilsen, muito própria para o nosso paladar e clima tropical, foi a primeira a ser desenvolvida, “É uma cerveja puro malte, com amargor, mas é leve, suave, não é marcante de lúpulo, muito equilibrada”, diz ele. Também cita a In Natura, não filtrada, mais encorpada. E a Belgian Golden Ale, em estilo belga sem, contudo, receber os temperos belgas, dentro dos padrões da lei de pureza alemã. “É uma cerveja diferente, que todo mundo adora”, conclui. Além dessas, Ramão lembra a Bock e a Stout. Sâo cervejas que podem ser tomadas em temperatura ambientes.

 

A produção da Saint Bier

     Sede da fábrica Saint BierFormado em química, com especialização em cerveja, há 12 anos no ramo das cervejas artesanais e há um na Saint Bier, onde faz consultoria e é responsável pelos ajustes de processo em geral, Rodrigo Westphal explica que a capacidade de estocagem é de 100 mil litros e o período de maturação, rigorosamente respeitado. “É preferível deixar de vender, do que queimar a marca”, diz ele. Ele lembra que as cervejas comerciais, por lei, podem adicionar até 48% de elementos não maltados, para ser caracterizada como cerveja. E explica as diferenças entre as duas: “A artesanal você sente o corpo na cerveja, a textura, os sabores diferentes. A comercial é uma cerveja vazia, só para refrescar, matar a sede. Com a artesanal, na verdade você vai degustar, não tomar um porre”, diz.

(SE BEBER, NÃO DIRIJA)

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