Um respiro na rotina

Na correria do dia a dia e em meio ao grande fluxo diário de gente que transita pelo Centro Histórico da capital, o Mercado Público, para muitas pessoas, vira um refúgio para aquela pausa tão necessária.

 

Mariana Gonçalves

Apaixona por música, ela foi ao Mercado nessa semana comprar discos na Feira o Vinil, que acontece uma vez por mês. A jovem de 24 anos é natural da capital gaúcha e está no final do curso de psicologia.

O que mais lhe atrai no Mercado Público, conta, é a nostalgia que ele traz “quando eu era pequena, vinha com meus pais e adorava acompanhá-los enquanto eles faziam as compras, achava isso tudo muito diferente, os produtos, as pessoas, a maneira de vender. Na verdade, hoje em dia continuo com a mesma imagem do Mercado, mas dessa vez sou eu que venho fazer as compras para a minha casa”.

A tradição de buscar produtos no Mercado foi passando por gerações na família, assim como o carinho pelo lugar. O que Mariana mais gosta de comprar, além dos discos da feira, são os produtos naturais e orgânicos e os peixes e carnes que, segundo ela, superam em preço e qualidade os mercados tradicionais.

“Acho que o Mercado deve ser olhado com mais atenção pelas autoridades, visto que é um patrimônio muito importante. Fico na torcida para que as obras de restauração terminem logo e ele fique com a estrutura que merece.”

 

Melânia Soardi

Melânia é a típica pessoa que sente prazer em apenas passear pelos corredores. Sempre que tem um tempo livre, gosta de visitar o Mercado Público. Mesmo morando atualmente em Eldorado do Sul, a estudante de medicina veterinária de 38 anos fã declarada do lugar.

“Quando eu morei por um tempo em Porto Alegre, eu costumava vir toda a semana, até duas ou três vezes na semana, sempre que estava pelo centro passava aqui e almoçava. Mas agora, morando em Eldorado do Sul eu tenho vindo mais ou menos uma vez por semana.”

Ela conta que, antes do incêndio que atingiu a parte superior do prédio, ia sempre com a família no restaurante Telúrico, que servia comida vegetariana. Entre os itens que não saem da lista de Melânia estão os produtos naturais e integrais e as peixarias, “os atendentes daqui sempre costumam ser muito simpáticos, me sinto muito bem comprando aqui” conta.

“Mas na verdade o Mercado em si é um passeio, acho o ambiente aqui completo. Nem sempre eu venho para fazer compras, às vezes eu venho para dar ma volta, para ver coisas diferentes, comer ou beber alguma coisa, dar um tempo mesmo, descansar da rotina. Para mim, é o lugar mais cultural de Porto Alegre”, diz.

 

Dagmar Azevedo

Dona Dagmar esperava a neta enquanto observava o fluxo de gente e o vem e vai do Mercado. O lugar, para ela, já faz parte da rotina e guarda lembranças especiais.

Comerciária aposentada, ela nasceu na capital, mas cresceu em Pelotas. Voltou para cá quando tinha 18 anos e desde então vive na cidade e vem ao Mercado sempre que pode “eu adoro o Mercado, gosto de vir e tomar um cafezinho, almoçar, comprar fruta, carne, tudo a gente encontra por aqui”, diz.

Ela cita as bancas 12, 10 e peixarias como os pontos que mais frequenta e recomenda às pessoas. Mas Dagmar tem uma reivindicação: “espero que as obras no segundo andar acabem logo e o Mercado volte com força total. Já estou com saudade”.

 

Fotos: Vanessa Souza

COMENTÁRIOS