Um jornal para o Mercado Público

Em setembro de 2007, surgiu o Jornal do Mercado, com a missão de resgatar as histórias do prédio e registrar suas vivências. Em 10 anos, mesmo enfrentando as dificuldades de uma mídia segmentada, o JM segue contribuindo para a valorização deste patrimônio histórico dos gaúchos.

Foto: Gabriela da Silva

O Mercado Público foi construído no coração de Porto Alegre para ser um centro de abastecimento – e muito rapidamente passou a ser mais do que isso. Ele se transformou em um pedaço importante da cidade, integrando a identidade da capital, pois reuniu entre suas paredes memória, lazer e cultura. É um espaço de relações e de diversidade, democrático em seu acolhimento a pessoas diversas e em sua grande opção de produtos. São 110 bancas, algumas centenárias, muitas que atravessam gerações. Mais de 1,2 mil pessoas trabalham no Mercado e cerca de 150 mil circulam por ele diariamente. Patrimônio Histórico e Cultural do Município, o prédio é feito de histórias. E foi para registrar e resgatar todas essas vivências, saberes e sabores que surgiu o Jornal do Mercado. Hoje uma das mais respeitadas publicações da imprensa segmentada do estado, o JM foi criado em setembro de 2007 por iniciativa do jornalista Fabrício Scalco, que hoje lidera uma equipe de jornalistas, redatores, designer e administrativos comprometidos com o Mercado Público.

REGISTRANDO  A HISTÓRIA
Em seus 10 anos de existência, o Jornal já resgatou diversas memórias que tornaram o Mercado central para a cidade. Também registrou muitas transformações da história recente deste patrimônio. São anos de convivência, amizades e parcerias com o público leitor e, especialmente, com os mercadeiros. O JM tem uma tiragem mensal de 10 mil exemplares, com uma média de 12 páginas por edição, todas coloridas. De distribuição gratuita no Mercado e em pontos estratégicos da cidade, a publicação sobrevive através da venda de espaço publicitário – o que, no entanto, não interfere em sua linha editorial, que é isenta e independente. Esta independência se dá em todos os aspectos, inclusive de qualquer órgão institucional. Seu compromisso é com o Mercado, como declara o editor responsável, Fabrício Scalco: “O jornal está comprometido, no sentido mais amplo, com o Mercado Público, e por isso mesmo traz também os seus problemas para que possam ser corrigidos”.

PARA RETRATAR O MERCADO
Assim, a proposta do JM é defender os interesses do Mercado Público, divulgar suas bancas, seus produtos e seu valor histórico-cultural. É dar voz a mercadeiros, funcionários e frequentadores que enchem de vida este patrimônio, para, assim, contribuir na construção de uma imagem sólida do prédio. Por isso traz matérias de diversos assuntos relacionados ao Mercado, da história aos produtos, de temas culturais a acontecimentos do cotidiano. Ao longo dos anos, foram criadas seções para abordar todos estes aspectos. Em 2015, inclusive, no seu aniversário de oito anos, o JM atualizou sua estrutura, para estreitar ainda mais sua relação com mercadeiros e frequentadores.

PERIÓDICO  E SEGMENTADO
Estar há 10 anos na imprensa segmentada por si só já é um feito a ser comemorado. Como diversos veículos, o JM enfrenta as dificuldades do setor impresso, somadas ao ambiente da mídia alternativa e segmentada, que encara a falta de apoio de verbas oficiais – destinadas, invariavelmente, à grande mídia. Existem projetos em tramitação, tanto em nível estadual quanto municipal, para que parte da verba destinada à publicidade oficial seja direcionada a jornais de bairro, mas há resistência para sua aprovação. “Quando se olha o cenário de mídia impressa, a gente vê que é uma batalha”, avalia Scalco. “O custo é muito alto, não só em Porto Alegre. Aqui, não existe um empenho dos órgãos públicos em apoiar estas mídias. O cenário que se tem é bem delicado. O Jornal do Mercado é um dos poucos que conseguiu manter uma periodicidade regular, mas, ao mesmo tempo, é preocupante a falta de apoio oficial.”

UM TRABALHO CONSTANTE
Perto dos quase 148 anos de história do Mercado, estes 10 anos são apenas o começo. Mas, neste tempo, o JM já pôde registrar fatos históricos para o prédio e a cidade. Uma das edições mais marcantes foi a nº 63, dedicada a um relato completo sobre o incêndio que atingiu o prédio em 6 de julho de 2013. Desde então, o JM é um dos poucos veículos que periodicamente atualiza os leitores sobre o processo de restauração, além de acomp

anhar a situação dos mercadeiros atingidos pelo incêndio, que mantêm suas bancas em espaço provisório. Um trabalho jornalístico contínuo realizado por uma equipe engajada com o Mercado e seu público. Porque, em síntese, o JM é isso: um veículo que expressa a importância, as histórias e necessidades, os conhecimentos e sabores centenários, a pluralidade e a diversidade do Mercado Público. Com o jornal, o Mercado tem um constante meio de comunicação com seu imenso e intenso público.

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