Um inverno campeiro

 

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Um inverno campeiro

    Desde o início o Mercado Público sempre teve um caráter popular, e pelas características do Rio Grande do Sul, também sempre esteve muito associado ao inverno, e com os típicos produtos da culinária gaúcha. Uma tradição que se mantém até hoje como vemos aqui com o nosso entrevistado, Luiz Fernando Dias Pereira, 49 anos, pedreiro, que chegou cedo no Mercado para as compras.

 “Saí sete horas da manhã de casa e fiquei esperando aqui para o Mercado abrir. No inverno todo mundo vem aqui, tem que chegar cedo”, disse.

    O fogão à lenha ele deixou aceso em casa, esperando os ingredientes para o mocotó a ser feito, saboreado e dividido os custos em família, cunhados e parentes. “Assim sai mais em conta, já gastei aqui R$ 60, vai dar R$ 20 para cada um”, disse ele. O mocotó “é direto”, toda a semana. E sempre abastecido pelo Mercado. A carne, Fernando compra para o mês todo, assim como linguiça, também fundamental para o prato. “Agora estou levando pata, coalheira, tendão, vai umas 12 horas cozinhando.” O prato, feito em grandes quantidades, dura praticamente uma semana, já que depois é congelado. Ele também não esquece do temperinho verde, das linguicinhas, do feijão “que engrossa o caldo”, do ovo cozido e do pãozinho, claro. Suas compras básicas para o mocotó são feitas sempre na Banca 48 e as carnes no açougue Santo Ângelo.

Ingredientes que só se encontra no Mercado

    Mas, como o inverno não é só motocó, Fernando e a família também não dispensam uma boa feijoada e uma rabada. Ele conta: “Aqui se encontra tudo, principalmente coisas que não se acha nos supermercados. Só tem que cuidar porque as comidas são um pouco pesadas no inverno, a gente engorda muito. Ontem mesmo fizemos uma feijoada”. E também não dispensa um bom pinhão, que comprou na Banca 10. “Enquanto vou fazendo o mocotó, o pinhãozinho vai cozinhando”, diz. E a rabada é para fazer com aipim, típica comida campeira desse gaúcho de Tupaciretã, radicado há mais de 30 anos em Porto Alegre, casado com Glaci Almeida, com três filhos e um netinho. E, como bom gaúcho, também sempre leva erva para o chimarrão. O fato é que sem mocotó ele não passa. “Quando não tenho em casa, venho comer aqui, em qualquer restaurante, geralmente a R$12 reais”. Se é bom? “Bom mesmo é o que a gente faz”, completa ele.

 

Foto: Letícia Garcia

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