Três anos em espaço provisório

Restaurantes do piso superior do Mercado Público alocados no Espaço de Eventos

Foto: Letícia Garcia

Quatro restaurantes e uma sorveteria do segundo piso, atingidas pelo incêndio de 2013, funcionam provisoriamente no Espaço de Eventos desde 2014. No aguardo da conclusão do PPCI, que vai liberar o segundo piso, os mercadeiros seguem atendendo seus clientes com dificuldade, mas com esperança de voltar logo aos seus lugares.

Bar 26, Beijo Frio, Mamma Julia, Sayuri e Taberna 32 – são essas as resistentes bancas que há três anos funcionam em local provisório. O incêndio de 2013 foi impiedoso e devastou seus espaços, mas os mercadeiros movimentaram-se rápido para voltar a funcionar, bancando projetos e obras que ergueram uma estrutura temporária no Espaço de Eventos. Foi assim que retornaram ao Mercado dia 27 de março de 2014, em uma instalação muito diferente de suas bancas originais, mas que os manteve trabalhando desde então. Enquanto aguardam a conclusão do segundo piso – que agora depende da instalação dos itens do PPCI –, a palavra que os une é uma só: sobrevivência.

 

“NUNCA FOI IGUAL”

“A gente está trabalhando aqui para sobreviver. É bem melhor do que estar parado, mas gostaríamos de estar na nossa casa, lá em cima”, diz Cláudio Adam, proprietário do Bar 26. Ele lembra com tristeza que perdeu tudo no incêndio, “só ficou uma chapa de aço”, e que abrir provisoriamente no Espaço de Eventos foi um pontapé inicial. “Nunca foi igual ao que era lá em cima. A gente perdeu metade do espaço, tinha mais que o dobro de mesas.” O espaço menor é a maior dificuldade, apontada por todos eles. “Nosso espaço aqui embaixo é muito reduzido, a gente atende bem menos pessoas do que atendia lá em cima. Claro, lutando sempre por ter qualidade”, observa Francisco Nunes, do Restaurante Sayuri. Mesmo assim, muitos clientes acabaram se afastando do Mercado por conta disso.

 

CLIENTELA REDUZIDA

As mudanças que vieram com a nova localização foram grandes, especialmente no quesito clientela. “Tem muitos clientes que passam aqui e não gostam do local. Até me cumprimentam, perguntam quando a gente vai voltar, mas não ficam, porque acham o ambiente aqui muito apertado”, conta Francisco. Iara Fátima Ruffino, da sorveteria Beijo Frio, concorda: “A gente perde clientela por causa do espaço. Já chamaram nosso espaço até de cubículo, isso é muito desagradável para nós”, conta. As bancas também acabaram reduzindo sua equipe e seu cardápio. “Nós éramos em cinco, hoje estamos em duas pessoas”, registra Iara.

 

ROTINA DE ESPERA

Ante a perspectiva de ficarem parados, o espaço provisório é um alento, mas o que os mercadeiros esperam mesmo é a liberação do segundo piso o quanto antes. “O que a gente pede é que o poder público se sensibilize com a nossa necessidade. Quem passa aqui e vê que estamos trabalhando acha que está tudo bem – mas não está tudo bem, precisamos voltar para nosso espaço para, devagar, conseguirmos voltar ao patamar que estávamos antes, atender a quantidade de gente que atendíamos, com a qualidade que tínhamos”, desabafa Francisco. “Só está faltando o problema do PPCI, da escada, da caixa d’água, eles não liberam por causa disso. Mas as nossas lojas estão prontas, inclusive muito bonitas”, conta Iara. “A dificuldade é justamente conseguir sobreviver, com o comércio de hoje e a concorrência enorme. Teríamos que atender bem mais gente para ter um lucro”, registra Chico. “Então é difícil, passamos trabalhando no vermelho, colocando alguma coisa no final do mês para poder manter, esperando voltarmos para nosso lugar.” Enquanto esperam, os restaurantes seguem funcionando no Espaço de Eventos de segunda a sábado.

HISTÓRICO

  • O incêndio de 6 de julho de 2013 atingiu sete bancas de alimentação do segundo pavimento, além de salas que abrigavam projetos públicos, como o Memorial do Mercado;
  • As bancas de alimentação atingidas formaram uma comissão, que teve à frente Francisco Nunes, do Sayuri, e investiu mais de R$ 200 mil para erguer o espaço provisório;
  • O projeto da instalação temporária foi feito pelo arquiteto Teófilo Meditsch e teve execução do engenheiro Régis Pegoraro, com as devidas vistorias de prefeitura e bombeiros;
  • Cada estabelecimento tem cerca de 20 m², com cozinha e balcão individuais, todos com coifas para coletar fumaça e resíduos de gordura;
  • A praça de alimentação tem mais de 200 lugares, divididos entre os restaurantes, com nove ventiladores e circulares para arejamento;
  • Para que o Espaço de Eventos pudesse ser ocupado pelos permissionários, foi feito um acordo com as feiras que periodicamente aconteciam no local. Elas estão funcionando desde então em outros pontos do Mercado, como próximo à escada rolante, também de forma provisória;
  • Duas bancas de alimentação ficaram pouco tempo no espaço provisório: o restaurante vegano Telúrico e a doceria Casa de Pelotas;
  • O Telúrico funcionou por alguns meses no Espaço de Eventos e depois mudou-se para a Cidade Baixa, mas hoje está parado. Os proprietários acompanham de perto a restauração: “Estamos no aguardo para poder retornar ao Mercado como antes”, conta Ramiro Lopez.
  • Já a Casa de Pelotas enfrentou dificuldades no local provisório por conta da distribuição de mesas e em maio de 2014 abriu um espaço na Rua da República, ainda em funcionamento;
  • Para a liberação do segundo piso, que está com as obras de estrutura concluídas desde 2016, é necessária a instalação dos itens do Programa de Prevenção e Proteção contra Incêndios (PPCI), que aguarda uma fonte de recursos.

 

COMENTÁRIOS