Travessa Acilino Carvalho, Rua 24 Horas, mas não muito…

Fotos: Emílio Chagas

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Centro Histórico, por Emílio Chagas

 

Pequena rua na região central da cidade, a travessa faz parte da história de Porto Alegre. Nas últimas décadas, porém, sucumbiu ao seu projeto de ser uma rua em que os estabelecimentos funcionassem 24 horas.

Ela liga a tradicional Rua da Praia (Andradas) com a Andrade Neves, em pleno Centro Histórico de Porto Alegre. Tem uma longa história na cidade, mas se tornou mais conhecida quando incorporou a versão local da nossa Rua 24 Horas nos anos 1990. A ideia surgiu em Curitiba/PR, cidade que se projetou nocionalmente por seus avanços urbanísticos. A proposta está explícita na sua própria denominação: uma rua que teria uma vida diurna e noturna ininterrupta, com seus estabelecimentos permanentemente abertos, atendendo as necessidades das metrópoles. Porém, a pequena ruazinha porto-alegrense sucumbiu no seu propósito logo no início: há muito que o Centro está estigmatizado pela sua falta de segurança e abandono. Além da violência, de ruas escuras, mal iluminadas e sem policiamento durante a noite (e, muito menos, madrugadas), a cidade está longe de ser cosmopolita a ponto de ter um intenso movimento nesse horário. Assim, desde o começo, ela ficou apenas num esboço da ideia original. Falta de movimento e da já falada segurança abortaram o projeto.

 

A falência do projeto

Em uma das suas crônicas, de 14 de novembro de 2008, o jornalista Paulo Sant’Ana escreve: “[…] no início desta manhã, lembrei da ideia urbanística mais burra que já inventaram na história de Porto Alegre: a tal Rua 24 Horas. É aquela travessa chamada Acilino Carvalho, entre a Rua dos Andradas e a Andrade Neves, no Centro da Capital, onde situa-se a Tabacaria 33. Pois queriam que o logradouro funcionasse 24 horas por dia, com atividades comerciais a todo vapor o tempo todo, mas, incrivelmente, fizeram a rua sem estacionamento! É inacreditável, mas criaram uma Rua 24 Horas em Porto Alegre sem estacionamento! Obviamente, ela foi fadada ao fracasso completo. Não existe nenhuma Rua 24 Horas ali, às 19h todos fecham as portas”. O tema do cronista não era exatamente a rua, mas um restaurante que nela havia, famoso por seu espaguete, o Spaghettilandia. Assim como ele, no entorno havia grandes marcos do Centro e da cidade, como o Mata-Borrão, a Casa Louro, o Cine Victoria e a Lancheria Mateus (os dois últimos existente até hoje), entre muitos outros. Onde havia o cinema, hoje situa-se uma loja de lâmpadas, mas entre a Av. Borges de Medeiros e a Travessa, através dos prédios, criou-se uma passagem em forma de minigaleria, com pequenas lojas, café e o cinema, com entrada interna.

 

Histórico e estabelecimentos

Segundo o cronista, historiador e pesquisador Sérgio da Costa Franco, em seu “Porto Alegre – guia histórico”, os primeiros registros da fundação da rua são do início do século XIX, quando era conhecida como Beco do Brito. Depois passou a ser designada Beco do João Coelho, chamando-se posteriormente Travessa Itapiru, em homenagem às batalhas no Paraguai. E, finalmente, em 1940, durante a gestão do prefeito Loureiro da Silva, veio a denominação atual, homenageando a um antigo engenheiro e servidor municipal. A travessa tem um pouco mais de 30 estabelecimentos comerciais, incluindo alguns bares, barbearias clássicas, cafés (inclusive uma filial da Café do Mercado), cinema, hotel (que teve moradores famosos, como o jornalista Tarso de Castro), lojas diversas, lotéricas, tabacarias e diversos outros. Mesmo pequena, íngreme, a ruazinha tem um movimento intenso durante todo o dia – mas muito longe de ser uma rua 24 horas.

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