Theatro São Pedro, a tradição em cena em Porto Alegre

Assim como o Mercado Público, o Theatro São Pedro quando foi fundado parecia extremamente desproporcional ao tamanho da cidade. Afinal, Porto Alegre era uma pequena província de 20 mil habitantes naquele distante 1858.

 

Foto: Fabrício Scalco

Mas o teatro, em estilo neoclássico, já era majestoso e, como era de se esperar, logo se transformou em pólo artístico, social e político, inclusive no país. Durante mais de um século circularam pelos camarotes, galerias e palco do São Pedro grandes personalidades artísticas, como Arthur Rubinstein, Villa- Lobos, Eugène Ionesco, Cacilda Becker, Marcel Marceau, Olavo Bilac, Getúlio Vargas e Borges de Medeiros, para ficarmos nos tempos da Velha República. Mas, com o passar do tempo, o velho teatro, sem a devida manutenção, passou a correr riscos, tomado pelos cupins. Em 1973 foi fechado em função das precárias condições de segurança e mau estado. Reza a lenda que por pouco não desabou durante apresentação de um concerto.

 

A história

O início do Theatro São Pedro tem origens de caráter beneficente: doze cidadãos formaram uma sociedade acionária para construir um teatro – que se chamaria São Pedro de Alcântara. Os rendimentos do teatro seriam
destinados para auxílio da Santa Casa de Misericórdia. Sensibilizado pela proposta, o então Presidente da Província Manoel Antônio Galvão doou em 1833 um terreno para a sua construção, localizado na Praça da Matriz, no centro da cidade. A obra começou, mas teve que parar por dez anos por causa da Revolução Farroupilha. Passada a guerra, o projeto foi retomado em 1850, executado por Felipe de Normann. O que pouca gente sabe é que também foi construído um edifício gêmeo, o Tribunal de Justiça, posteriormente demolido após um incêndio. Outra curiosidade é que as verbas para a construção vieram de um programa de loterias estaduais. Foi, finalmente inaugurado em 27 de junho de 1858, com capacidade para 700 espectadores e decoração em veludo e ouro. Três anos depois o teatro foi desapropriado pelo poder público

Eva Sopher entra em ação
Em 1975, com o então governador do estado, Synval Guazelli, entra em ação uma figura lendária, hoje indissoluvelmente ligada à história
do teatro: Eva Sopher. Ela assumiu a direção do Theatro São Pedro, com a missão de dirigir as obras de reconstrução e restauração deste monumento histórico-cultural do nosso Estado. Anos mais tarde, 1982, foi
criada a Fundação Teatro São Pedro, para a qual “dona” Eva Sopher, como é carinhosamente conhecida, foi nomeada pelo governador Presidente da mesma. Dali em diante começaria um grande desafio que só foi vencido com muito trabalho, durante nove anos. O Theatro São Pedro foi devolvido à comunidade em 1984, totalmente restaurado e com todos os
recursos modernizados, equipamentos cênicos, e um novo sistema de iluminação. A reinauguração aconteceu em agosto de 1984, com o espetáculo de teatro de bonecos “O Julgamento do Cupim”, do Grupo Cem
Modos, o musical “Piaf”, com Bibi Ferreira e uma apresentação Orquestra Sinfônica Brasileira, regida por Isaac Karabtchevsky. Naquele mesmo ano,
Jair Soares, o governador da época, assina portaria autorizando o tombamento do prédio.

Multipalco São Pedro

Desde 1995 está em andamento o projeto de expansão do Theatro São Pedro, o chamado Multiplaco. Em 1998 foi selecionado o projeto dos arquitetos Marco Peres, Dalton Bernardes e Julio Ramos Collares para a sua construção. As obras iniciaram em 2002. Quando concluído, o Multipalco contará com teatro italiano, teatro oficina, concha acústica, sala para corpo de baile, sala para orquestra e sala de naipes, sala para entrevistas coletivas e reuniões, salas para ensaios, restaurante, praças, cafeteria e bar, quatro lojas e estacionamento.

 

 

 

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