Território Cultural da Praça da Alfândega: animar e ocupar a praça

Centro Histórico, por Emílio Chagas

 

Restaurada pelo extinto Projeto Monumenta, depois de quatro anos em obras, e entregue em 2013, a Praça da Alfândega passou a viver uma situação de abandono e não-ocupação pela população, afugentada pela drogadição, prostituição, insegurança e violência. Uma articulação da prefeitura com a comunidade do seu entorno resultou numa ação para enfrentar e modificar esta realidade: o Território Cultural da Praça da Alfândega, inaugurado em fins de novembro.

 

Prefeito Fortunati descerra a placa do Território Cultural Foto: Luciano Lanes/PMPA

“Esta iniciativa partiu da Secretaria de Cultura, através da Briane Bicca, que é responsável pelo PAC Cidades Históricas. Com a mudança das bancas dos artesãos, constatou-se que a praça requeria um tratamento de choque em razão da situação de vulnerabilidade em que se encontrava”, começa explicando o secretário da Cultura Roque Jacoby. Ele avalia que, sendo ela um bem tombado, tanto em nível estadual como nacional, possuindo equipamentos culturais dos mais distintos e nobres, é fundamental que tenha um ambiente seguro, tranquilo e de civilidade. A partir daí, desenvolveu-se a ideia da criação do Território Cultural, construída em parceria com entidades comerciais, culturais, financeiras e institucionais do entorno, para ocupar, animar e dar vida à praça. Para conduzir o projeto, foi chamada Anna Luiza Surita Duarte, do gabinete da Secretaria da Cultura. “O nome foi escolhido coletivamente pelas instituições que participam deste grupo, que não é fechado – pelo contrário. Contamos com adesões, inclusive. Hoje são 11 instituições.” Ela diz que é importante registrar que o projeto nasceu na Cultura, porém em parceria com outras secretarias do município, que também atuam na praça com atividades fins, como DMLU, Fasc, Gestão, Governança, Smam e Turismo, que se uniram para a sua realização.

 

Programação cultural permanente

Foto: Emílio Chagas

São parceiros do projeto: Associação de Amigos do Museu de Arte do Rio Grande do Sul (AAMARGS), Bistrô do MARGS, Caixa Econômica Federal, Clube do Comércio, Condomínio do Clube do Comércio, Convention & Visitors Bureau, Correio do Povo, Correios, Memorial do Rio Grande do Sul, Santander Cultural e SindLojas. Por isso, Anna faz questão de frisar que o Território não pertence à prefeitura de Porto Alegre, mas ao coletivo que compõe e integra a proposta. O prefeito José Fortunati, que descerrou a placa do Território, no centro da praça, disse que a iniciativa “visa aprimorar a relação com a praça e com a cidade, um ponto histórico de Porto Alegre e um dos nossos espaços mais belos e de maior convivência social. Um movimento importante para recuperar espaços para os cidadãos”.

Já a idealizadora do projeto, a arquiteta Briane Bicca, se declarou muito satisfeita com a abertura das atividades: “A gente restaurou a praça durante quatro anos, uma coisa bem difícil, e acredito que bem sucedida. Quando nós vimos a praça tomada por elementos que expulsam a população, ficamos muito preocupados e chamamos a cooperação de várias secretarias, da Guarda Municipal, da Brigada Militar, da Fasc, que foi o primeiro impulso para que a praça voltasse a ser como ela era depois que se entregou a restauração. Esta tentativa de reunir esses parceiros, que têm a praça como seu quintal e jardim, era para melhorar o espaço ainda mais, porque o poder público não tem condições de agir em muitas frentes com a velocidade que os problemas exigem”. Para ela, o importante é que haja sempre uma programação cultural constante, fomentando a presença das pessoas no local. Na cerimônia de inauguração do espaço também foi aberta a Campanha Papai Noel dos Correios no RS, como parte da programação, e estão previstas novas reuniões de consolidação e expansão do projeto.

 

Informações: territorioculturalfandega.blogspot.com.br

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