Tempo pra ler… Eu tenho!

63ª Feira do Livro de Porto Alegre

Não ter tempo é algo cada vez mais comum entre as pessoas. Todos vivem à mercê dos ponteiros do relógio e muitas coisas passam despercebidas em meio a essas 24h. “Tempo pra ler, todo mundo tem” é o que afirma a campanha deste ano da Feira do Livro de Porto Alegre. A frase vai além do seu contexto publicitário e prova, na prática, que tempo é só uma questão de prioridade. 

Foto: Fabiane Pereira

 

Uma reflexão acerca da forma como se utiliza o tempo e a grande importância que a leitura exerce na vida de cada pessoa são questionamentos levantados pela campanha publicitária da 63ª Feira do Livro de Porto Alegre. As ações estão chamando a atenção do público que circula pela Feira, como também dos que acompanham pelas redes sociais.

Foto: Fabiane Pereira

Desde a campanha do ano passado, a Feira se propõe a instigar o público a respeito da prática da leitura no dia a dia. Por meio de uma pesquisa, constatou-se que o motivo pelo qual grande parte da população não lê ou, ao menos, gostaria de ler mais, porém não consegue, é a falta de tempo.  Neste ano, a campanha se empenhou para atingir o leitor – ou futuro leitor – de maneira clara, direta e muito original.

 

Foto: Agência Bonaparte

A Agência Bonaparte, de Porto Alegre, foi a responsável pela idealização do projeto. “O objetivo é dar um recado. Lembrar as pessoas e abrir os olhos delas de que podem investir o tempo de forma diferente, pois tudo é uma questão de equilíbrio. No final das contas, todos temos esse tempo”, diz Pedro Becker, sócio da agência. De acordo com Pedro, a ideia funciona com duas linhas de conteúdo. Inicialmente foi criada uma série de vídeos com conteúdo supérfluo – como aqueles que, vez ou outra, circulam pelas redes – mas, que chamasse a atenção das pessoas. E, assim, pegar o público em flagrante. Ou seja: desperdiçando tempo.

 

Além de toda a identidade visual da Feira, a outra ideia funciona com cards de internet para as redes sociais e cartazes espalhados por entre as bancas expositoras. Uma imagem comum, com uma frase pequena escrita em letras grandes. No momento em que as pessoas param para ler, não se dão conta de que é o começo de um livro. São citações selecionadas entre obras clássicas e contemporâneas.

“Estamos no meio da campanha, mas já atingimos 405 mil pessoas nas sociais, apenas com os vídeos. São 119.116 minutos gastos assistindo aos nossos vídeos. Isso dava para ler 337 edições do “O Continente I”, do Érico Veríssimo”, diz Pedro.

 

Marco Cena, presidente da Câmara Rio-Grandense do Livro.       Foto: Fabiane Pereira

Marco Cena, presidente da Câmara Rio-Grandense do Livro, enxerga a ideia com perspectivas positivas e ressalta a importância da administração do tempo. “Nós estamos sempre procurando saber por que as pessoas não leem e tentando fazer com que elas leiam mais. Leitura não é questão de tempo, mas de prioridade. Precisamos aprender a priorizar coisas, e a leitura é uma delas. Então essa campanha é realmente uma provocação”, diz.

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