Simbolizando o acolhimento

Não é novidade que as capitais dos estados recebem, diariamente, diversos visitantes de diversas cidades. Na capital gaúcha, porém, há quem diga que quem os acolhe logo de cara é o Mercado Público.

 

Rodrigo Santos

Ele foi ao Mercado para comprar carnes. Acabou parando na banca de livros e por lá ficou por um bom tempo, em frente ao display, perdido entre Kafka e Nelson Rodrigues.

Rodrigo é um projetista de 32 anos. Natural de Porto Alegre, ele conhece bem o Mercado Público, muito embora não seja um frequentador assíduo. Normalmente vem para comprar carnes e peixes uma vez a cada dois meses, conta.

“Para mim, o Mercado é mais um símbolo cultural do que uma necessidade. Como eu disse, gosto de comprar carne aqui, ou então levo alguma fruta se estou de passagem. Hoje em dia tem tantos mercados por ai, que o Mercado Público virou mais um símbolo cultural de carinho, o pessoal se importa, chora quando acontece algo ruim, como o incêndio”, explica.

Ele ainda diz que as pessoas que moram na capital acabam adquirindo o costume de ir ao Mercado. “Mesmo que não sejam visitas tão frequentes, de uma forma ou de outra, para quem está na cidade, a ‘figura’ do Mercado exerce uma grande influência”.

 

Jocélia Peres

“Sem o Mercado Público, Porto Alegre não é Porto Alegre”. É o que pensa a cozinheira de 49 anos, que veio de Tôrres visitar a filha na capital. Jocélia diz que, por causa da sua profissão, o Mercado é o ponto da cidade que mais lhe atrai.

Ela vem regularmente a Porto Alegre para matar a saudade da filha, que estuda na UFRGS, e não deixa de passar no Mercado. Hoje elas marcaram de se encontrar no lugar para depois seguirem em um passeio pela cidade, “minha filha gosta dessas coisas antigas, e vai me levar em uma rua que tem vários brechós”, conta.

Como boa cozinheira, ela procura sempre comprar bons ingredientes para preparar comida da filha. Dentre os preferidos está a linguiça “todo gringo gosta!”, brinca. Além disso, Jocélia também é fã dos legumes e verduras que são vendidos no Mercado, sempre muito frescos e de qualidade.

“Na verdade, eu gosto mesmo é de passear aqui dentro, de sentir os aromas, ver as pessoas. Eu não sou daqui, mas na minha opinião, esse aqui é o coração de Porto Alegre. Aqui dentro tu encontra rico e pobre, gente jovem e o pessoal mais velho, ele agrega toda a cidade. Por esse motivo eu acho que toda a pessoa que ama Porto Alegre se sente bem aqui” diz.

Jocélia acompanha a história do Mercado há bastante tempo, diz que estava presente na inauguração da reforma de 97, e que agora acompanha a restauração pós incêndio. “Fico feliz de ver que, mesmo com algumas dificuldades, o Mercado permanece firme e no mesmo lugar. Penso que essas obras de restauração poderiam ter sido menos demoradas, mas pelo visto estão acabando e logo o Mercado se restabelece como antes”, comemora.

 

Jéssica Almeida

Jéssica tem um brick de venda e troca de roupas. Onde o Mercado Público entra nisso? Ele serve como ponto de encontro quando ela precisa encontrar clientes na capital.

Formada em fotografia e moradora de Canoas, atualmente a jovem de 23 anos trabalha com esse brick, e elegeu o Mercado para ser o seu ponto em Porto Alegre. “Aqui é um lugar muito bom, acessível para todo mundo, além de ser seguro. É ótimo para o que eu preciso”, conta.

Apesar de não consumir muitos produtos do lugar, Jéssica se declara fã do sorvete da Banca 40, e diz ainda que aprecia as frutas frescas que encontra por ali.

“Para mim, o Mercado é a cultura da cidade. Ta tudo aqui dentro, tu consegue encontrar de tudo por aqui. Além do mais, é um ótimo ponto de encontro”, finaliza.

 

Fotos: Vanessa Souza

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