“Ser Ipanêmico é uma ideologia de vida”

“Ser Ipanêmico é uma ideologia de vida”

A reportagem do JM esteve na rádio Ipanema para bater um papo com Pancho, coordenador e locutor da 94.9, como é conhecida há muitos anos. O músico de trinta e poucos anos – optou por não revelar sua idade -, teve uma longa passagem e foi um dos fundadores da banda de rock, Comunidade Nin-Jitsu. Cristian Santos, que é seu nome de batismo, mas pouco pronunciado por amigos e, certamente, ouvintes da rádio, se diz “gremistão” e a banda que ele “ama em sua vida”, Black Sabbath. Na entrevista, Pancho disserta sobre música, estilos de rádios, novas bandas no cenário local e mundial.

JM: O que é ser ipanêmico?  

Pancho: Ah, acho que é uma ideologia de vida. Tu tens as tuas diretrizes, tuas escolhas e dependendo das tuas escolhas musicais, tu é Ipanema.

JM: Quanto à atividade, locução, coisas boas e ruins?

Pancho: Na verdade não é complicado, é legal, só tem que estar acostumado com criticas, tanto positivas, como negativas. Não pode se iludir, quando pessoas te elogiam muito, não pode achar: ah, eu sou muito bom e tal e, quando há criticas negativas, tem que aceitar. Tem muita gente diferente ouvindo rádio e essas críticas a Ipanema, normalmente, são sempre bem vindas. O ouvinte da Ipanema é mais selecionado, mais ligado em som mesmo, que conhece música.

JM: Sua história com a rádio, quando começa e como se desenrola?

Pancho: Minha história com a Ipanema começou lá em 1987, ainda bem pirralho. Eu tinha uma banda com meus amigos que depois tocaram comigo na Comunidade Nin-Jitsu, o Fredy e o Nando, e a gente trouxe uma fitinha para uma garota na época, que se chama, Katia Suman. Era um trio instrumental de jazz rock e ela gostou muito e começou a tocar na Ipanema. Fomos a primeira banda a fazer o Elétrica Live, que foi um projeto dela. Foi muito legal. Anos depois tinha o programa da minha banda, que era o Programa da Comunidade, em 2003, que era semanal e o programa durou três anos. Depois virei locutor da rádio em 2008. A Ipanema sempre foi presente na minha vida. 

JM: ipanema é o “lado B” da cena?

Pancho: Eu não gosto muito de rótulos, sei de colegas, de outras radios, que “play” e zeram o volume da música que está tocando no rádio e ficam conversando enquanto a música toca, entendeu. Eu não. Toco aqui a música que eu gosto, que os ouvintes ligam, bah, tu tocou isso, inacreditável. Pô, essa música lembra minha infância, lembra isso, lembra aquilo. Se a Ipanema é o “lado B” e é isso que ela é, então tá bom, é o “lado B” mesmo, é um elogio. O importante é que a Ipanema é diferente de outras rádios.

JM: Novidades que estão rolando na cena local e fora do RS e Brasil?

Pancho: Sempre vai aparecer muita banda nova. Gosto de Cartel da Cevada, que é uma banda nova e é bem pesada. Hoje em dia os caras são pouco românticos em relação ao rock, são mais objetivos no lado empresarial, é um negócio. Essa banda, o Cartel da Cevada, eles são preocupados com marketing, mas os caras têm o romantismo do rock. Wolfmother é uma baita banda. Quem gosta de Sabbath e escutar esse som, vai enlouquecer. Foo Fighters é antiga, mas lançou um baita trabalho. O importante é se reciclar.

JM: Como você decide e monta sua programação?

Pancho: De vez em quando, quando tenho tempo, sempre procuro dar alguma notícia legal, ah, vazou tal disco de tal banda, tal banda vai vir para o Brasil. Se não vou direto, abro o programa e vai pintando assunto.

JM: Como tu sente o que o ouvinte quer escutar no seu programa?

Pancho: Tem muito pedido, tanto e-mail, como mensagem de texto, telefonema. Isso ajuda. Várias vezes quando tá rolando a programação, vai tocando, digamos que abri com um tema X, que tinha a ver com o assunto, aí o resto é meio que um trabalho de DJ mesmo. E nisso pinta os pedidos de ouvintes. Bob Marley passou anos na Ipanema sendo o mais pedido. Bob Marley foi um fenômeno na Ipanema.

JM: Como tu percebe a influência sobre os teus ouvintes?

Pancho: Essa é uma grande responsabilidade, mesmo. Temos que ter muito cuidado com o que vamos falar e sobre o que devemos falar. Acho que tem uns caras aqui, como o Alemão Vitor Hugo, fora o lado colorado dele, é um baita formador de opinião. É um cara que é referência na Ipanema. O Cláudio Cunha é uma enciclopédia musical, um cara que tem personalidade. Eu ouço muito eles, tento seguir o exemplo. É uma grande responsa, tem mais gente nos ouvindo, do que a gente pensa.

JM: E o Mercado Público?

Pancho: Sou fã do Mercado Público. Aprendi muito a ir lá com meu ex-chefe, Eduardo Santos. Vou praticamente todo sábado no Mercado. Lá é onde compramos coisas de qualidade e mais barato. É minha mania de sábado, sempre vou ao Mercado.

JM: Livro?

Pancho: Estou lendo a biografia do Slash. Muito legal! Antes disso li o Ozzy (lbiografia), que eu indico, é sensacional.

JM: Filme?

Pancho: Pulp Fiction, que é um clássico. Mas tenho pilhas (DVD) do Woody Allen. Tem umas piração do cara, que acho muito engraçado. Mas não sou um cara muito aprofundado no cinema.     

COMENTÁRIOS