Semana Santa: balanço de 2008

Semana Santa: balanço de 2008

As opiniões são diferentes, mas no geral o movimento e vendas da Semana Santa nas peixarias do Mercado foram boas. Aqui um breve balanço, acrescido de um depoimento de uma das primeiras mulheres a trabalhar no Mercado em uma peixaria.

     João Godói, da Peixaria São Lourenço, diz que o movimento foi surpreendente, superior à expectativa. “Já na sexta-feira, às 11 horas da manhã não tinha mais peixe. Nos dias de pico, quarta e quinta, não dava para entrar aí dentro. “Bombou mesmo”. Ele acha que o movimento se deu por causa dos preços: “Corvina de 3 kg por 10 reais em plena Semana Santa, imagina?” Os peixes mais vendidos foram tainha e corvina. E a safra do camarão atrasou, praticamente só chegou em abril”.
Opinião diferente tem Ga-briel da Cunha, da Peixaria Japesca, enquanto fornecedor. Para ele se verificou uma queda na Japesca este ano. “Houve uma redução de 7 a 10%. Um dos fatores é que se esperava que a safra do camarão estivesse melhor. Na Feira do Peixe a queda se deu até 25% em relação ao ano passado. E como todo mundo vendeu menos, os atacadistas também. Teve carretas que voltaram praticamente cheias de peixe. Mas alguns produtos aumentaram um pouco o consumo, como o salmão, que ao que ao invés de aumentar o preço, diminuiu. Filé de anjo e a tainha, se mantiveram nos índices de vendas – o ano passado foi uma das melhores safras dos últimos 20 anos”, diz ele. Gabriel também informa que tem informação de que nos supermercados houve um aumento  no consumo do peixe.
Já Valdir Coelho, da Coo-peixe, diz que vendeu menos do que o ano passado, mas que na semana anterior foi muito bem. “Acho que teve uma melhor divulgação e também teve uma expectativa que fosse faltar peixe na semana santa. O movimento foi bom, considerando-se o pessoal voltando da praia, feira do material escolar,  carnaval. O que vendemos mais foi o filé de abrotea, filé de pescada. E os peixes que mais saem mesmo na semana é a tainha e a corvina.”

Polaca, uma das primeiras trabalhadoras do Mercado: “Isto aqui é uma família”

     Ela é uma das pioneiras como mulher em peixarias e tem saudades das festas do Mercado Público, lá da sede campestre do Clube de Portugal, e dos bailes que aconteciam nos altos do Mercado – agora é só happy-hour. Ela é Hilda Maria dos Santos, está há 25 anos no Mercado, sempre trabalhando em peixaria, carinhosamente conhecida de todos como Polaca. Foi levada pelo marido, o Catarina, ex-pescador que foi “novinho” para o Mercado. Ele faleceu no ano passado. Começaram com uma banquinha, depois mais outra, com muito sacrifício para pagar os financiamentos. “No começo eu nem conhecia peixe. Sou de Cachoeira do Sul e nem sabia que lá é a terra do dourado. “Chegava aqui às 4 da manhã e saía às 8 da noite”, conta ela, lembrando que no começo quase não havia mulheres trabalhando em bancas de peixes no Mercado.
Era ela e mais uma ou duas. Hoje já é mais comum ver mulheres, não só nas bancas de peixes, mas no Mercado todo. “No início foi difícil, trabalhar só entre homens, tinha muito machismo, mas depois foram se acostumando e respeitando”, diz ela. No começo mal sabia limpar um peixe, hoje já sabe fazer de tudo – menos filé, confessa – mas agora praticamente só comanda, administra, fica no caixa. Polaca afirma que gosta muito do Mercado: “Isto aqui é uma família e gosto muito de trabalhar com o público. A gente faz de tudo para agradar os fregueses.”
Polaca é valente. Diz que gosta muito de fazer “serviço de homens”. Queria mesmo era assentar pedra, azulejo. “A mulher às vezes é a cabeça da casa” conta esta trabalhadora de 58 anos que não perdeu a ternura, com saudades dos bailes e dos “bons tempos” do antigo movimento da Semana Santa, quando não se podia nem caminhar entre as peixarias de tanta gente, como ela diz.

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