Santuário São Rafael e Memorial Bárbara Maix, tesouros no Centro Histórico de Porto Alegre

Centro Histórico, por Emílio Chagas

Santuário São Rafael e Memorial Bárbara Maix, tesouros no Centro Histórico de Porto Alegre

Na antiga Rua da Ponte, atual Riachuelo, foi erguida em 1877 a Capela São Rafael, e inaugurada em 1878. No entanto, poucos conhecem este pequeno tesouro, com altares, pinturas, relicários e toda a mística que dele emana, em pleno Centro Histórico. Junto com o Santuário, o Memorial Bárbara Maix reúne um precioso acervo histórico-religioso, integrando o Instituto Coração de Maria. O projeto da Capela foi executado pelo arquiteto João Grünewaldt e a pintura pelo Irmão Jesuíta João Batista Kraus. São Rafael é o nome de um Arcanjo, evocado para todos os tipos de cura, e não é por acaso que foi escolhido como nome da Capela, elevada a Santuário, como veremos a seguir.

 

Segundo registros de Dom Sebastião Laranjeira, segundo Bispo do RS, de agosto de 1872, a senhora Claudina Rosa d’Araújo legou à filha e ao genro a sua casa, a imagem de Nª Sra. da Conceição que conservava em seu oratório e o terreno contíguo, na Rua Riachuelo. Desejava que ali fosse construída uma capela para manutenção de seu culto. Depois de participar do Concílio Vaticano I, Dom Sebastião adoeceu gravemente. Fez, então, a promessa: caso se restabelecesse, proveria a construção de uma Capela em honra de São Rafael. O bispo ficou inteiramente curado. E não esqueceu da sua promessa. Porém, o terreno era insuficiente. Então, o Barão de Jacuí, Pedro Brusque de Abreu, e sua esposa fizeram doação do terreno que possuíam entre o Asilo Providência, situado na praça do portão, à Rua da Ponte (Riachuelo) e a Casa das Irmãs. Começava a nascer o futuro Santuário. Estando pronta a Capela, Dom Sebastião mandou construir em sua frente a gruta de Nossa Senhora de Lourdes. Benzeu-a depois,  aspergindo-a com água que ele trouxera da fonte de Lourdes. Foi a primeira gruta construída em Porto Alegre.

 

Arquitetura eclética, porém em comunhão com o propósito

Fotos: Emílio Chagas

 

Em 1886, Dom Sebastião doou às Irmãs do Imaculado Coração de Maria a Capela São Rafael, alfaias litúrgicas (conservadas no Memorial), um carrilhão composto de 10 sinos (que se encontra na torre) e as imagens do Coração de Jesus e do Coração de Maria (nos nichos laterais do santuário), elementos que compõem o riquíssimo acervo que envolve o Santuário. Impregnado por um sentimento meditativo e de espiritualidade, o interior do Santuário esbanja riqueza de detalhes, com vitrais, quadros, altares e esculturas. O visitante é atraído pela magnífica abóboda com motivos bíblicos, concebida pelo pintor Emilio Sessa. “É de estilo neoclássico”, define Irmã Gentila Richetti, acrescentando que a Via Sacra, conjunto de belos quadros que retratam os últimos dias de Cristo, veio de Viena, em 1849, para o Rio de Janeiro. “Mas não se sabe a data em que foi trazida para Porto Alegre”, informa. Entre 1963/64, a Capela passou por uma significativa reforma. Todo o madeiramento, danificado pelos cupins, foi retirado, desaparecendo, infelizmente, o altar-mor, os altares laterais do Coração de Jesus e do Coração de Maria, o piso da Capela e do coro. A belíssima estátua de São Rafael, reduzida a pó pelos insetos, também desapareceu. Em seu lugar, foi colocado um grande Crucifixo, com a imagem, em bronze (1,70 m), de autoria da artista plástica Madre de Santo Ambrósio. Também foi colocado um novo altar, em mármore branco e sobre o qual o Sacrário em metal dourado. O engenheiro Fábio Bohn, da R. W. Bohn-Arbon, transformou o Harmônio em Órgão e substituiu o antigo teclado que acionava o carrilhão, implantando o sistema eletrônico.

 

A mística de Madre Bárbara Maix

 

Procurado por turistas do mundo inteiro, o Santuário tem como motivo principal de suas visitas a fé, por ser espaço de oração, agradecimentos e pedidos de graças, através da Madre Bárbara Maix, austríaca que veio para o Brasil em 1848 e é fundadora da Congregação das Irmãs do Imaculado Coração de Maria, explica Irmã Maria Olinda Enzweiler, responsável pela acolhida dos peregrinos e visitantes. A milagrosa Madre foi proclamada Bem-Aventurada pelo Papa Bento XVI em novembro de 2010. A beatificação foi celebrada em Porto Alegre, no Ginásio Gigantinho. O motivo deve-se ao milagre intercedido por ela no salvamento do menino Onorino Ecker, que sofreu gravíssimas queimaduras em 1944, no interior de Caxias do Sul. Dado como sem salvação pelo médico, poucos dias depois estava curado e sem marcas no corpo, fato pelo qual se atribui provas de santidade da Madre. No interior da Capela, ao lado do altar, está a urna com os seus restos mortais, muito procurada pelos devotos. Gentila, que atua nos trabalhos para a Canonização da Madre, auxilia a Irmã Oraide Luza, responsável pelo Memorial. Explica que a procura ao Santuário “deve-se ao exemplo de coragem, fé e esperança inabaláveis da Bem-Aventurada. Diante do fato do milagre, as pessoas renovam sua confiança em Deus e o amor à vida”. Depois de quase 40 anos da sua última reforma, o Santuário passou por um processo de restauração, iniciado em maio de 2001, tendo como responsável o especialista em Arte Sacra, Irmão Renato Koch, pintor Marciano Schmitz, escultor Valter Frasson e a Ars Restaurações, empresa contratada para a execução dos trabalhos. Anexo ao Santuário está o Memorial Bárbara Maix, que abriga sete salas e espaços preservando objetos, documentos, equipamentos, vestuários e raridades utilizadas pelas Irmãs da Congregação em mais de um século de atuação, em oito países pelo mundo. Sem dúvida, um passeio que é, literalmente, uma revelação.

 

Riachuelo, 508 – F (51) 3226.6227 – 3225.5384

Visitas

Manhã (com agendamento): 3ª, 4ª e 5ª feira, das 8h30min às 11h30min

Tarde: 3ª a 6ª feira, das 13h às 17h30min

Sábado: 14h às 15h30min

Missa: sábados às 16h

 

                                                                                          

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