Sady Homrich “O Mercado Público é ponto de encontro de quem tem bom gosto”

Sady Homrich

“O Mercado Público é ponto de encontro de quem tem bom gosto”

 

O baterista da banda Nenhum de Nós, além da música, também é conhecido por suas paixões gastronômicas e cervejeiras, sendo um dos mais aclamados burgomestres. Naturalmente, o Mercado faz parte do seu roteiro de compras. Conhece vários mercados, de Florianópolis, Curitiba, Juiz de Fora, Salvador, o Mercadão de São Paulo, Ver-o-Peso do Pará. E também de Buenos Aires, Montevideo e até da China. Porém, diz, tem coisas que só se encontram no nosso Mercado, como “algumas bebidas especiais e uma boa erva mate”.

 

          

 O Mercado Público fez parte da minha vida toda, desde a infância, quando eu vinha com a minha mãe, com meus pais, fazer as compras. Não era no dia a dia porque a gente morava na rua Fernando Machado, mas semanalmente  sempre se passava para pegar os produtos especializados. E o Mercado Público continua com essa vocação para reunir quem gosta de gastronomia, e eu acho que, um pouco, eu aprendi vindo e tendo acesso às bancas de especialidades. Continuo tendo o meu açougueiro, meu peixeiro e verdureiro preferidos no Mercado, e vindo sempre aqui. É impossível hoje tocar aqui sem lembrar que a gente inaugurou o Largo Glenio Peres, num grande show, na década de 90. A gente, inclusive, gravou um videoclipe. Então ele está inserido, não só na minha história, mas na do Nenhum de Nós também. E hoje o Mercado nos brinda com uma boa seleção de cervejas artesanais.

            Os mercados são os reflexos da cultura local. Sempre que viajo com a banda e vou em cidades que têm mercado público, procuro frequentar, conhecer, porque ali realmente a gente vê o que está acontecendo na cidade. Dá para ter uma noção até do seu padrão econômico, do tipo étnico e de como as pessoas se relacionam. Eu acho que Porto Alegre sempre se relacionou bem com o seu Mercado Público, e a recíproca também é verdadeira.

 

Sady e o incêndio do Mercado

 

            Como estava em viagem pela Argentina quando vi, pela internet, o que parecia uma tragédia de proporções fabulosas, fiquei alguns dias me lembrando dos amigos e de todos que de lá tiram o sustento de suas famílias. Pensar na falta da Casa de Carnes Santo Ângelo, Casa da Erva-mate, Pastelaria Nova Vida (em reforma), Café do Mercado, a “galeria dos peixes”, bancas 10, 11, 40 e 43 provocou uma angústia e sentimento de luto. Sem contar os restaurantes, padarias, etc. Ao retornar e saber que o alastramento foi controlado e que a maioria das bancas logo reabriria me causou alívio, mesmo sabendo que o recomeço, para alguns, será muito penoso.

 

Foto: Letícia Garcia 

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