Ruas da cultura

ESPECIAL FEIRA DO LIVRO, Aristides Tonello Júnior

 

A Feira do Livro é o principal evento cultural de nosso estado, não haveria como esta coluna não se aproveitar e assim continuar traçando o mapa das ruas,histórias, personagens e artistas do centro. Gostaria muito de trazer para este espaço um fantasma. Uma figura contraditória, polêmica e que ao que tudo indica esteve em Porto Alegre nos idos de 1892. O jornalista Ambrose Bierce era correspondente do New York Tribune quando se armou a Revolução de 1893-95 no nosso estado. O historiador gaúcho Décio Freitas é quem indica a possível estadia deste aventureiro em nossas plagas, no seu livro “O homem que inventou a ditadura no Brasil”. Nesta obra Décio destaca um trecho de umas das notícias enviada por Bierce: “Tudo indica que o Rio Grande do Sul, o estado mais meridional do Brasil, na fronteira com a Argentina e o Uruguai, marcha inexoravelmente para uma guerra civil, na qual os habitantes voltarão a se dedicar ao seu esporte histórico favorito – o de guerrear.” A obra mais conhecida de Ambrose Bierce é o seu “Dicionário do Diabo”, livro onde ele se utiliza de seu humor cáustico para criticar não só uma geração ou uma sociedade em si, mas sim a própria condição humana.Cito dois de seus verbetes: “Inveja: Concorrência adaptada à menor capacidade.” “Humildade: Paciência necessária para se planejar uma ingança que valha a pena.” Voltando a Feira do Livro, chegando na Praça da Alfândega, local onde se perpetua esta tradição já cinquentenário vou buscar num dos principais autores gaúchos contemporâneos uma passagem, um trecho de sua obra. Tabajara Ruas foi o escritor mais vendido na nossa Feira no ano de 1997, com o livro “A Cabeça de Gumercindo Saraiva”. Anos antes em “O Amor de Pedro por João”, Tabajara nos apresentava Micuim: “Havia o poeta da Cidade Baixa, que dormia no flanco da praça em frente ao Capitólio e que ninguém sabe que fim levou. Havia uintana fazendo que não era nada com ele na Praça da Alfândega. Havia os poetas da Azenha, do IAPI, da Floresta, do Partenon. Seguramente, havia um poeta em ação na Auxiliadora. Havia muitíssimos poetas. E havia Micuim.” Pouco a pouco vamos encontrando passagens onde encontramos o centro de Porto Alegre, descobrindo em cada leitura uma nova impressão. A Feira do ivro oferece mais material e ainda a possibilidade de se conhecer os autores destas obras. Uma excelente Feira a todos.

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