Roteiro do mocotó no Mercado

Roteiro do mocotó no Mercado

Um dos pratos mais populares do Rio Grande do Sul, o mocotó tem no Mercado Público um dos seus principais redutos – há décadas. Confira aqui onde comer o seu.


Foto: Thaís Marini Maciel


Restaurante Esporte

Longa tradição de mocotó

Um dos mais populares, comandado por Belmiro Pires e recentemente reformado, o Restaurante Pires – mais conhecido como Esporte – tem longa tradição com o mocotó – desde 1968. “Servimos o prato bem anterior a isso. O pai veio de Portugal e tinha um restaurante na Av. Farrapos, e já fazia mocotó”, diz Belmiro, acrescentando que os pratos de hoje também são daquela época. A casa, assim como o vizinho Havana, serve mocotó o ano inteiro, das 9h da manhã às 10h da noite. São duas opções: um prato servido para uma pessoa por R$11 e uma tijela para quem tem mais apetite por R$16. Também existe a opção para levar para casa; basta pagar R$2 pela vasilha – mas não é congelado. A procura, como é de se esperar, é maior no inverno, mas no verão a casa também vende. O diferencial do mocotó do Esporte? Para Belmiro, por ser um prato muito característico, que todo mundo faz, o diferencial acaba sendo o jeito, a maneira como cada um faz o seu.

 

 

Restaurante Gambrinus

O prato só é servido “quando esfria para valer”

Do alto dos seus 125 anos de Mercado, o Gambrinus é outro reduto tradicional do mocotó: “Aqui ele é servido há mais de 40 anos, mas antes da nossa família assumir o lugar, já tinha mocotó no cardápio”, informa João Alberto de Melo, sócio-gerente. Assim, nas quartas e sábados, o prato baixa, fumegante, na mesa dos clientes. “Mas só quando esfria para valer, antes disso não tem por que sair. A gente tem uma forma muito artesanal de fazer, começamos uns dois dias antes (de servir). Talvez seja esse um diferencial do mocotó do Gambrinus, sempre novinho de qualidade”, acrescenta João. A procura é grande, apesar de haver vários locais com o prato, registra. O do Gambrinus é completo, incluindo pão, azeitona, ovinho – “e acompanhado de um vinhozinho fica perfeito”, observa o gerente. A porção individual custa R$35.


Restaurante Gaúcho

Vendendo até 100 porções por dia


Com 15 anos de casa, Rogério Passos diz que o prato sai desde sempre. Reconhece que o mocotó deveria ir com todos os ingredientes, mas que não gosta de usar a coalheira e a tripa. “O meu vai mondongo, patas, tendões, feijão branco e azeitona. A procura é grande: num dia a gente chega a vender uma média de 10 a 12 quilos, o que significa mais ou menos, 100 porções (cambuquinhas) todos os dias”, revela. No inverno, os apreciadores do prato já começam a encontrá-lo em maio. A temporada vai até setembro. Terrina média para uma pessoa, mais os acompanhamentos separados – linguiça, azeitona, ovo, pão e temperos – saem em duas versões: uma média por R$17 e outra grande por R$28, com a opção de levar em embalagens, às vezes também congelado.

 

 

Restaurante Havana

Mocotó o ano inteiro

Só como “Havana” a casa existe, no mínimo, há 50 anos, diz José Antônio Pires da Silva, o proprietário, que está no seu comando há 30 anos – “de segunda a sábado”. O restaurante também é conhecido por oferecer o prato durante o ano inteiro. “O mocotó é bom no inverno, mas no verão tem quem coma”, resume José Antônio. Para ele, esse é o diferencial do seu mocotó, ou seja, ter diariamente, “inclusive sexta-feira santa!”. As porções são individuais, podendo também levar para a casa. Como sai em bastante quantidade, segundo o proprietário, é bem barato: R$16.

 

 

Restaurante Santa Cruz

Procura grande pelo prato

Diz a jovem Bianca Silveira Loureiro, que já está no Santa Cruz desde adolescente, que o mocotó é servido o ano todo, mas quem pode explicar e falar melhor dele são os próprios clientes. “A procura é muito grande”, resume ela. O restaurante serve duas porções, “uma pequena, que custa R$15 – dá mais ou menos um prato e meio –, e a grande, que custa R$25 e dá uns dois pratos e meio”, conforme Bianca. Congelado ou quente, é acompanhado de tempero verde, ovo cozido e pãozinho.

 


Bar 26

O segredo é o modo de fazer


O espaço já existe há 25 anos, mas sob o comando de Claudiomiro Adam, o Bar 26 está há seis anos. “Mantemos o padrão  dos pratos – no verão com o tradicional prato tropical, com frango, arroz, legumes, mais frutas, e no  inverno com a feijoada e o nosso suculento mocotó”, informa. Claudio, 20 anos de Mercado, agora “entrando mais fundo na cozinha”, diz que o mocotó da casa até agora só recebeu elogios. “O diferencial? Na verdade, todos os mocotós são iguais, o que diferencia são os temperos e a maneira de fazer”, define. Porém acha importante fazer o mocotó cedo, no começo do inverno, porque no final, como é uma comida muito forte, as pessoas já não consomem tanto. Mas tem gente, assegura, que come ao meio-dia e à noite. A porção individual, servida na tijela, que garante a temperatura do começo ao fim, custa R$20.


Lancheria Luz

Pioneiro em mocotó congelado no Mercado

 

O mocotó é servido na Luz desde o seu começo, em 1966. Geovani Duarte de Souza, sócio proprietário, diz que trata-se de uma receita própria, “uns segredinhos que vêm se mantendo”. Segundo ele, isso faz o mocotó da casa ser cada vez mais elogiado como um dos melhores, não só do Mercado, mas da cidade. “Além disso, somos pioneiros em mocotó congelado, já há uns 15 anos”, diz. “Tem o ‘cliente do inverno’, que no verão não aparece”, revela. O prato quente só sai no inverno, nos dias mais frios. Os preços: prato a R$15 e terrina a R$28, acompanhando pão, temperinho verde, ovo e pimenta a gosto.

 

 

Bar e Restaurante Naval

Tradicional qualidade

 

 

O centenário Naval é um dos mais famosos bares da cidade, seja por ser espaço da antiga boemia porto-alegrense, seja pela gastronomia de primeira linha. O mocotó é prato típico – antigamente, chegou a ser apelidado de “violento mocotó”, mas hoje se assume simplesmente como mocotó, e de alta qualidade, que vem tanto dos produtos quanto no preparo cuidadoso. Servido apenas no inverno, quando a procura é grande, seus dias na mesa são quarta e sexta-feira. O Naval serve porções para uma e duas pessoas, que custam R$39 e R$64, respectivamente, e há a opção de levar a delícia para casa.

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