Robson Franzen, o Bob: “O Mercado é uma faculdade de vida”

Nascido em 17 novembro de 1982, natural de Porto Alegre, vive atualmente em Cachoeirinha. Casado com Carolina Ganzer desde 2003, tem dois filhos: Brenda, de 11, e Arthur, de sete anos. Filho de um metalúrgico e de uma comerciária, sempre escutou dos seus pais que Porto Alegre era onde tudo “acontecia”.

 

Foto: Letícia Garcia

Antes de chegar ao Mercado, Bob sempre trabalhou no comércio, principalmente em duas grandes redes de supermercados da Região Metropolitana. “Acho que está no sangue ter facilidade de contato e comunicação com clientes”, diz. Veio parar no Mercado depois de um encontro de família, onde o seu concunhado Valdir de Castro (o Dile), que trabalhou por muitos anos no Mercado Público, comentou que teria uma vaga. “Então, não perdi a oportunidade e a agarrei com as duas mãos”, registra. Assim, no dia 10 de maio de 2002, começou a trabalhar no Mercado Público.

“Foi na famosa e destacada Banca do Holandês, lembro como se fosse hoje: cheiros e aromas que só lá encontramos. E, como todos que recém-chegam, não temos uma função definida, passando a ser ajudante em abastecer os balcões, limpeza geral e entregas.” Depois dessas tarefas iniciais, foi para a fatiação de queijos e frios. Sempre buscando conhecimento e crescimento, como ele diz, foi se sobressaindo e, quando surgiu uma vaga para atendimento no balcão, foi chamado pela direção da banca para saber se queria “encarar”. Não teve dúvida alguma: aceitou.

 

Gerenciando a Banca 38

Como balconista, afirma, foi tendo destaque entre os demais, pois se considera curioso e interessado, “sempre buscando aperfeiçoamento”. Robson trabalhou na Banca do Holandês até novembro de 2007. Exatamente quando o patrão Sérgio Lourenço decidiu entrar em uma nova atividade, buscando um novo ramo de negócios no Mercado, com vinhos e espumantes. “Ele me concedeu a oportunidade de ficar à frente, gerenciando a Banca 38. Ao entrar nela, que era especializada somente em bebidas, vimos que ainda faltava algo e começamos um projeto para trazer as iguarias finas, que hoje deixam a banca completa.”

Considera a experiência uma oportunidade de evoluir profissionalmente. A banca, lembra, era uma loja de bebidas em geral, desde água, sucos, vinhos e destilados. “Geralmente os fregueses procuravam os antigos proprietários, em busca de vinhos premiados. Esses clientes são fiéis à Banca 38 e hoje me procuram.” Diz que muitos fregueses famosos passam pelo local, mas que, para ele, todos os clientes são importantes: “De certa forma, são eles que pagam nossos salários. Ganhamos muitos mimos, e também amizades, que vão do atendimento a degustar juntos uma garrafa de vinho.”

 

Rotina e lembranças do incêndio

Atualmente, a sua função é gerenciar a adega da banca, além de fazer compras, cálculos, liderar a equipe (cerca de 30 pessoas), ir atrás de tendências e, como sommelier, atender os clientes que vão à adega. “Gosto muito deste contato direto com os clientes.” Dentro do clima amistoso do Mercado, diz que as amizades são inúmeras, até porque o lugar tem mais de mil funcionários. “No nosso dia a dia, conhecemos um pouco de cada um. Vários destes vão além do trabalho, pois somos todos de uma grande família.” Como muitos, tem fortes lembranças do incêndio de julho de 2013.

“Estava passeando com minha família quando recebi uma ligação de uma colega de trabalho, a Marlene, avisando que o Mercado estava em chamas. Rapidamente voltei para cá, onde vi uma cena de ‘terror’: todos desesperados, pois o fogo estava se alastrando no Mercado, que é a nossa segunda casa. Não sabíamos o que ia acontecer depois dali. Enfim, foram 38 dias de angústias até conseguir reabrir.”

 

Diferenciais e importância

Robson diz ter receio em relação às mudanças. Teme que possam “mexer com as estruturas” e que isso possa afetar a realidade mercadeira, que faz com que o Mercado Público seja importante na vida dos seus frequentadores. “O nosso diferencial justamente é o contato direto com o cliente, atendendo as suas necessidades, tornando o Mercado o que ele é. Atendemos todas as classes sociais com o mesmo carinho.” Ele espera que as mudanças sugeridas não elitizem e afastem os clientes de menor poder aquisitivo. “Se essas mudanças acontecerem, certamente afetarão os preços e, com isso, prejudicarão as vendas.

E, assim atingirão também a nós, funcionários.” Para ele, o sucesso do Mercado vem, principalmente, pelos preços baixos, a qualidade dos produtos e o atendimento diferenciado, desde sempre. Depois desses anos todos, consolidando uma relação com o Mercado, considera que ele representa uma “estrutura”, de onde tira o sustento da sua família. “Nestes 16 anos, obtive uma evolução pessoal, cultural, de conhecimento e profissional. Para mim, o Mercado é um Ensino Superior”, encerra.

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