Ricardo Gothe: vamos ter outra cidade a partir da Copa

Ricardo Gothe: vamos ter outra cidade a partir da Copa

 

Escolhida como uma das cidades-sede, Porto Alegre já iniciou o seu processo de preparo para receber delegações e milhares de visitantes. Mais do que se preparar para a Copa, porém, a cidade vai ganhar muitos benefícios, necessários, com ou sem Copa. De qualquer forma será um convívio incomum com visitantes de várias nacionalidades, sem considerar o volume de recursos que entrarão, além das grandes possibilidades de negócios. Para saber melhor como vai ser este grande jogo, fomos ouvir Ricardo Gothe, Secretário Adjunto da Secretaria Extraordinária da Copa 2014. Ele fez um breve panorama das perspectivas, projetos, obras e propostas, todas essenciais para a cidade.

 

Porto Alegre competiu com 18 cidades para ser uma das sedes da Copa 2014, quando vários ítens foram avaliados – turísticos, hoteleiros, habitacionais, entre outros, pelo Comitê Brasileiro e a FIFA. Em maio de 2009 a cidade foi escolhida. Entre os fatores preponderantes, afirma Ricardo Gothe, um dos que mais pesou, foi o fato de Porto Alegre ter distâncias curtas. “Temos um dos aeroportos mais pertos do centro. As pessoas vêm aqui e não acreditam que leva pouco mais de 10 minutos do Centro. Temos um corredor de Copa do Mundo, com avenidas, hospitais, a caminho do estádio”, diz ele. A ideia de apresentar a candidatura da cidade visava a sua qualificação para as próximas décadas. A escolha vai tirar do papel projetos que estavam parados há mais de 40 anos. Segundo Gothe, a não ser os Portais da Cidade, não existem novidades. “O Cais do Porto, eu era criança e já falavam. Depois, temos cinco obras de arte que faltam para completar a III Perimetral, a duplicação das avenidas Farrapos e Voluntários da Pátria, a avenida Tronco, que talvez seja a obra que melhor traduza o que chamam de “legado da Copa”, pois vai impactar socialmente em 1.300 famílias”, afirma. A Tronco será essencial para a mobilidade da cidade, servirá como  alternativa à zona sul, evitando as avenidas Padre Cacique e Edvaldo Pereira Viana, principalmente em dias de jogos no Beira-Rio. A Pe. Cacique será fechada durante a Copa, ficando exclusiva para autoridades, representantes da FIFA e ambulâncias, bombeiros, etc.

 

Investimentos pesados. Para a Copa e depois dela.

Serão investidos aproximadamente 3 bilhões de reais, entre investimentos públicos e privados, o que leva Gothe a dizer que nunca na história dos 238 anos de Porto Alegre a cidade recebeu tanto dinheiro, em tão pouco tempo. E se não tivesse a Copa, estes investimentos não viriam? Viriam, porém em 20 anos, avalia. O importante era não perder a oportunidade de receber um grande aporte e recursos, ganhando incremento de turismo e lazer, que serão provocados, principalmente, com o novo Cais do Porto. Já o aeroporto, hoje com um déficit de um milhão de passageiros/ano, até junho de 2011 terá recuperado o terminal 2, o que vai causar uma folga de 800 mil passageiros. Gothe ressalta também a importância para a economia, uma vez que isto permitirá que os aviões de carga possam sair com sua capacidade máxima, com o aumento da pista. “Este talvez seja o grande ganho, mais do que passageiros”, arrisca ele. O desejo é de ter os 10 projetos prontos para a Copa, excetuando-se os Portais, que representam uma negociação à parte.

 

Mobilidade urbana, BRT’s, Portais e Metrô

A mobilidade urbana também será incrementada, principalmente, com o sistema BRT (Bus Rapid Transport), de ônibus pequenos, que usarão os corredores de ônibus das principais avenidas da cidade, controlados por um moderno sistema de monitoração. Junto com os Portais, deverão reduzir consideravelmente a entrada dos ônibus no Centro.  O importante é que haja uma articulação com a região metropolitana, equacionando o problema do transporte urbano. Para isto estão envolvidos Metroplan, Ministério das Cidades e EPTC. Já em relação ao tão esperado Metrô, o secretário é taxativo: “O Metrô não vem para a Copa e nunca foi nossa ideia que viesse”. Explica que existe uma grande incompatibilidade de engenharia e não ficaria pronto até lá. Ou seja, questão de cronograma. Estava prevista uma linha para a Copa (Mercado/Beira-Rio), mas estudos apontam que a primeira demanda é para a zona norte. “Íamos ter um buraco na cidade em tempo de Copa. Mas o governo federal está acenando que depois da Copa, o Metrô será uma realidade”, adianta.

 

Funfest ao lado do Mercado Público, uma possibilidade

Uma boa perspectiva para o Mercado Público é que a Funfest, área pública onde são exibidos os jogos e se concentram as principais atividades com shows, exibições culturais, cafés e outros atrativos, possa estar situada no Largo Glenio Peres, com uma ligação com o futuro Cais do Porto. Uma das exigências da FIFA é a garantia de público. Segundo o raciocínio de Gothe, não adianta tentar criar um novo espaço, basta usar aqueles  que as pessoas já escolheram na cidade. E um dos locais já consagrados é o Largo Glênio Peres, que já serviu também de teste nas transmissões dos jogos da Copa do Mundo de 2010, levando grande público para ver os jogos no telão, mesmo com chuva. A decisão ainda está longe de ser definida, mas Gothe já projeta as vantagens, imaginando que toda a região poderia ser fechada, da rua Salgado Filho até a Siqueira Campos, na Copa. Além disso, os terminais de ônibus são próximos, assim como museus e outros atrativos do Centro.

 

Estacionamento subterrâneo, um sonho adiado

Estacionamento subterrâneo no Largo Glenio Peres é um desejo antigo do prefeito, diz Gothe, garantindo que hoje existe tecnologia suficiente para isto. Porém, isto ainda está longe. Até porque para a Copa isso nem seria necessário, uma vez que a ideia é que as pessoas circulem pelo Centro Histórico, evitando a entrada de carros e um grande fluxo de trânsito. Além do que, seria impensável uma obra deste porte durante a Copa. Pelo que, deduz-se, que estacionamento subterrâneo no Centro, e em especial, no Largo, como é o desejo dos comerciantes e público do Mercado, só para depois de 2014.

 

Aquecendo para a Copa

O Rio Grande do Sul, pela tradição e força do seu futebol, com dois grandes clubes, centenários e campeões do mundo, já é talhada para o futebol. Isto favorece bastante para a realização de uma Copa, ao contrário da África que teve que construir seu estádios. Por isto Gothe acha que os incentivos concedidos pela Prefeitura são, na verdade, investimentos que dão retornos garantidos. Principalmente pelo espetáculo. “É quase impossível que Porto Alegre tenha menos de 4 jogos e uma semi-final. E uma coisa é certa: a cidade vai ter um time de ponta, ou seja, um campeão do mundo, uma França, Alemanha, ou Espanha ou Argentina”, aposta ele. Quanto às cidades do interior que possivelmente sediarão as delegações, Gothe informa que este trabalho está sendo coordenado pelo governo do estado. “Estão fazendo um bom trabalho, estamos trabalhando muito bem juntos. Já foram selecionadas 26 cidades, mas quem escolhe são as federações dos países e o sorteio das chaves será só em dezembro de 2013”.

 

QUEM É RICARDO GOTHE

 

Ricardo Effer Gothe, 48 anos, técnico em turismo, trabalhou no executivo municipal entre 1997 à 2000. Na Câmara foi chefe de gabinete na gestão de José Fortunati. No Governo Rigotto foi Secretário Substituto, chefe de gabinete e Diretor Administrativo da Secretaria de Estado da Educação. Na primeira gestão Fogaça, chefia de gabinete da SPM em 2007 e titular da Secretaria de Planejamento Municipal em 2008. Atualmente é o Secretário-adjunto da Secretaria Extraordinária da Copa 2014.

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