Revivendo o passado

 

Quem vem de longe e quem vai para longe, quem quer relembrar e quem tem nostalgia, quem é de casa e quem quer se sentir de casa. O Mercado Público de Porto Alegre abraça todas essas pessoas e acaba se tornando um lugar para muito além do comercial. O seu jeito antigo, no melhor dos sentidos, faz com que as pessoas busquem nele também as suas memórias do passado.

 

Lenita Zelmanovitz

O dia foi de um passeio nostálgico para Lenita. A professora aposentada nasceu e cresceu na capital, quando se casou, foi morar em São Paulo com o marido, e lá continua há mais de 50 anos.

Quando passa por Porto Alegre para visitar a família, um ponto que não pode deixar de passar é o Mercado Público. “Eu gosto muito de passear por aqui, de observar o movimento, de almoçar no Gambrinus, para relembrar o meu tempo de menina, de mocinha. Eu geralmente venho nos locais que eu freqüentava quando era pequena”, conta.

Ela geralmente almoça e logo depois dá uma circulada para olhar os produtos. O que sempre acaba levando são os doces “diferentes que só se encontra aqui”, diz. Além da ervilha que já vem debulhada, “as bancas de especiarias, temperos e produtos coloniais daqui têm uma qualidade absurda, sempre acabo levando alguma coisinha dessas bancas”, explica.

 

Rafael Pereira

Rafael sempre vem ao Mercado quando passa pelo centro de Porto Alegre. Hoje, no entanto, o motivo é diferente: veio fazer uma entrevista de emprego para trabalhar nos serviços gerais do local.

Ele tem 38 anos e é de Passo Fundo, mas mora na capital há 14 anos. “Eu adoro morar em Porto Alegre, mas sinto saudade da minha terra também. Quando venho no Mercado e passo pelas bancas de produtos típicos gaúchos, como as de erva-mate, me lembro muito do interior e da época que morava lá.”

Entre os produtos que mais consome estão carnes e peixes e os armazéns de doces. “O preço daqui em relação aos açougues, é muito melhor que em outros lugares da cidade. Eu moro no bairro Santa Tereza e acho vantagem me deslocar para comprar aqui”, diz.

 

Francisco Selistre

Apesar de morar há dois anos em Porto Alegre, Rafael não veio muitas vezes ao Mercado Público. “Pela falta de tempo mesmo, como estudo e trabalho longe do centro, acabo vindo poucas vezes”, explica.

Ele é estudante de publicidade na PUC, e veio de Bento Gonçalves para estudar na capital. Com 24 anos, é fã de discos de vinil. Calhou de em uma das suas raras passagens pelo Mercado, estar acontecendo a Feira do Vinil.  “Hoje eu vim aqui para desbravar mesmo, conhecer melhor os produtos das bancas e os restaurantes. Acabei me deparando com uma feira de vinil e estou encantado.”

Além de alguns discos, ele conta que pretende fazer uma para no Café do Mercado e comprar alguns produtos coloniais que já andou pesquisando. “O Mercado é um lugar muito acolhedor, principalmente para quem é de fora. Me sinto muito bem aqui e pretendo frequentar mais vezes”, finaliza.

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