Restauração da Biblioteca Pública Estadual

Uma história que ainda está sendo escrita

 

Centro Histórico, por Emílio Chagas

 

Um dos prédios mais expressivos do período positivista, que predominou no estado no começo do século passado, a BPE foi construída em 1912.

Foto: Emílio Chagas

Ela guarda um acervo bibliográfico de 240 mil volumes, incluindo raridades, além de publicações e documentos que registram a história e a literatura rio-grandenses, enciclopédias, dicionários, jornais, revistas, etc. Está há quase 10 anos em processo de restauração e, depois de um período alojada na Casa de Cultura Mário Quintana (CCMQ), “voltou para casa.”

 

Porém ainda está muito longe o dia em que teremos a biblioteca completamente restaurada. “Tivemos que sair da CCMQ para ceder espaço a um projeto chamado Criativa RS. Porém, o período em que a gente ficou lá, o acervo cresceu e não tinha espaço para nada. Saímos com quase 20 mil livros encaixotados”, diz Morgana Marcon, diretora da instituição. Para a volta, a Secretaria Estadual da Cultura conseguiu um patrocínio com o Sindicato da Construção Civil (Sinduscon) de R$ 60 mil para obras mínimas de infraestrutura de instalações elétricas, luminotécnicas, hidrossanitárias, pluviais e de telefonia. Duas novidades nessa volta: a biblioteca agora possui wi-fi e a sala de pesquisas históricas agora pode ser acessada diretamente pelos pesquisadores. Faltam ainda, informa Morgana, os recursos do BNDES, de aproximadamente R$ 9 milhões, para fazer a climatização, (as esperas estão prontas), o sistema de segurança para o prédio e acervo, o restauro dos lustres, do mobiliário, da parte ornamental, que é a mais cara (colunas de mármore, escadarias), e a pintura mural, que está fora deste orçamento. “É um trabalho à parte, que vai ser feito ao longo dos anos, porque é caro e requer uma equipe especializada. Nós só conhecemos duas pessoas aptas a restaurar aqui no Rio Grande do Sul. A gente vai fazendo por partes, parede por parede”, explica.

 

A necessidade de expansão

Por enquanto, a estratégia é desmembrar o projeto em pequenas partes, para facilitar a captação. As prioridades: a climatização, para poder fechar o prédio e não prejudicar o acervo, e a acessibilidade do prédio (elevador e rampa lateral para cadeirantes). “Depois vamos atrás dos recursos para o mobiliário, pintura mural, ornamentos. Mecenas não existem mais e o Estado não tem dinheiro, então, tão cedo nós não vamos sair daqui.” O grande problema é que o espaço está completamente esgotado. A premência é por  um anexo, ou outro prédio. “A intenção sempre foi de ficar aqui só com a parte histórica, sobre o Rio Grande do Sul, as obras raras e espaços para exposições e eventos culturais. Nós não temos mais como crescer aqui. A capacidade de depósito de livros está esgotada há muitos anos.” Morgana lembra que a questão quase foi resolvida no governo anterior, do governador Tarso Genro (PT), quando foi autorizado o aluguel de um outro prédio. Porém, com trâmites burocráticos demorados, acabou a gestão e iniciou a atual – que baixou um decreto proibindo locações e outros gastos. “Tentamos pedir excepcionalidade, mas mesmo assim não foi possível. O interessante é que ela está aberta ao público, com wi-fi, e um acervo que se renovou. Acho que isso foi bastante positivo, porque as pessoas entram e muitos já se ofereceram para ajudar”, conclui.

Morgana Marcon, diretora

 

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