Relação de família

Que o Mercado Público faz parte da história de Porto Alegre, isso todo mundo sabe. Mas o local consegue ir além e ser parte da família dos seus visitantes. Uns mais antigos, outros nem tanto, o que importa é que a relação com o Mercado é um marco na vida de todos.

 

Carinho se define

“Eu gosto de tudo no Mercado Público”, começa dizendo Vera Regina Souto. A porto-alegrense de 74 anos, possui grandes lembranças do Mercadão. Frequenta o local desde pequena, quando vinha com a sua família. “Nós tínhamos criação de galinhas e vínhamos aqui para buscar sobras de verduras para a alimentação das nossas galinhas. Então eu estou há mais de 70 anos aqui”, diz. Ao longo tempo, fez grandes amizades com os mercadeiros de bancas como a 40, Holandês, Japesca e Gambrinus. Procura manter uma relação diária com o Mercado e, hoje, tem seus motivos. “Tenho cachorro e gato em casa e faço uma alimentação diária fresquinha. Isso me faz vir aqui diariamente”, conta.

Visitante de longe

A estudante Fernanda Oliveira, de 22 anos, vem de longe. A sua cidade natal é Itaqui, cerca de 600 km a separam de Porto Alegre, mas, quando pode, sempre visita o Mercado. “Como Itaqui é uma cidade de interior bem pequena, a primeira vez que eu vim ao Mercado Público me pareceu maior que a minha cidade (risos). Realmente foi uma novidade que me surpreendeu”, conta. Fernanda diz se encantar pelos cheiros e acha tudo no Mercado muito bonito. Quando vai visitar, costuma fazer compras e encontrar os amigos. Além disso, pretende trazer a sua família para conhecer. “Para mim, ele é um ponto de encontro. A variedade de produtos é o que mais me chama a atenção. Tem coisas que eu nunca tinha visto até vir ao Mercado. Costumo comprar verduras e carnes”, finaliza.

A história se repete

Histórias que contam relações antigas com o Mercado não são difíceis de achar. Jonas César Peixoto é outro exemplo disso. Frequenta o Mercado há mais de 30 anos. Quando criança, vinha com os seus pais e, hoje, também traz os seus filhos. “Muita coisa evoluiu para melhor. Hoje eu não sei como está a situação do segundo piso. No meu tempo, eu frequentava bastante aquele espaço e sinto falta disso”, diz. Passados os anos, o porto-alegrense ainda guarda memórias especiais. “Eu passo pelas bancas daqui e lembro que a minha mãe vinha comprar ‘chá de marcela’ e as forminhas para fazer chocolate de Páscoa. E o pai sempre nos ensinou: ‘quer peixe, vai no Mercado Público’”, finaliza.

 

Fotos: Fabiane Pereira

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