Refúgio da boemia

A história do Mercado também foi escrita pelos seus conhecidos bares, abrigando uma leva de boêmios que, por décadas, escolheram o lugar como seu reduto. Ali, artistas, poetas, políticos influentes de épocas, também marcaram presença.

 

Refúgio da boemia

Foto: Arquivo JM

 

Os boêmios da Porto Alegre antiga chegaram antes do Mercado. Os clássicos bebedores hedonistas, livres e por muitos considerados intelectuais inicialmente adotaram a Praça Paraíso para suas incansáveis conversas ao cair da noite. Após a construção do Mercado, essas pessoas passaram a movimentar os botequins, bares e restaurantes do prédio recém construído. Entre os mais antigos está o Gambrinus, fundado em 1889, que reunia, principalmente, os boêmios de origem alemã.

O Café Provenzano, que tinha o simpático Francisco Provenzano como proprietário, nasceu nas primeiras décadas do século XX. Com um salão sofisticado e sua famosa chopeira, além de um mezanino com quatro mesas de bilhar, o local sempre era um atrativo para seus frequentadores fiéis.

Também conhecido por oferecer comida farta aos trabalhadores da região, o Bar Naval, surgido em 1907, obteve o título de “QG da boemia”. O local se destacava com presenças ilustres de artistas, poetas, jornalistas, músicos, políticos e apreciadores do seu excepcional mocotó. Sabe-se que Carlos Gardel em pessoa esteve lá, durante uma estada na cidade – embora ninguém tenha provas. Certo mesmo é que Lupicínio Rodrigues compôs alguns de seus sambas memoráveis em uma mesa do canto, onde costumava se acomodar.

Sendo o único bar e restaurante que permanecia aberto 24 horas, o Treviso garantia aos boêmios e frequentadores da madrugada comidas baratas e reanimadoras. Recebeu a presença de Francisco Alves, principal cantor brasileiro por décadas, algumas semanas antes da sua morte em um acidente de automóvel na Via Dutra, em São Paulo, em setembro de 1952. Em homenagem ao artista, o bar pendurou na parede a cadeira que Chico costumava sentar. Hoje, essa relíquia se encontra no Restaurante Gambrinus.

O Pacífico é considerado um dos mais peculiares. Estava localizado no segundo andar do prédio logo após a restauração de 1997 e recebia apresentações de grandes músicos de jazz da cidade. Também vários outros bares escreveram a história boêmia do Mercado.

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