Recuperação e superação

Após o trágico incêndio em 2013, o Mercado tem se recuperado devagar. Devido aos estragos, os restaurantes e feiras que antes ocupavam parte do segundo andar hoje estão dividindo o espaço com as outras bancas da parte térrea. Mesmo com o acidente e alguns outros problemas de infraestrutura, tudo continua funcionando e, aos poucos, os problemas estão sendo resolvidos.

 

  Oscar Stenzel

“Acho o Mercado um lugar bom de vir para se encontrar e tomar um café”, é o que diz o microempresário de 40 anos enquanto espera um cliente.  O morador de Caxias do Sul/RS se encanta pelo patrimônio que continua em reconstrução, porém se impacta ao lembrar o que o incêndio provocou. “Justamente por ser um prédio antigo, cartão-postal da cidade, a gente fica triste. A minha preocupação foi de não conseguir ver a mesma estrutura que era antes, porque muitas vezes a aparência muda e se perde aquela estética de patrimônio histórico. Ainda bem que não chegou a tanto em questão de proporção e de não conseguir restaurar”, relata.

Ansioso para ver tudo como era antes, ele ainda destaca o ponto mais prejudicado: o comércio. “Creio que para os comerciantes daqui foi um pouco ruim no início, mas o pessoal tem o costume de frequentar esse lugar, então acho que, a longo prazo, não vai afetar tanto assim”, conclui.

Mesmo com o desastre, o público não deixou de frequentar. Um grande número de pessoas, principalmente turistas, vem até a cidade para conhecer o Mercado.  “O pessoal vem de São Paulo e outros locais e param para comer aqui. Porto Alegre acaba virando uma referência”, ressalta.

 

Setembrino Canabaio

“A  destruição foi uma pena, mas, depois da reforma, melhorou bastante a estrutura e o preenchimento. A gente se sente mais seguro aqui dentro”, destaca o canoense de 54 anos. Frequentador de muitos anos, o autônomo Setembrino se orgulha do estado em que o Mercado se encontra.

Cliente das bancas de erva-mate e dos produtos naturais, para ele ver o dano causado foi muito forte e admite que sentiu medo dos produtos perderam a sua qualidade. “Fiquei chocado com o acidente”, diz.

Setembrino afirma que as reformas beneficiaram a todos e houve uma melhora em todos os aspectos, desde a segurança até a sua estrutura. Na visão dele, isso foi o mais importante.  “A cidade está meio sem segurança, mas aqui no Mercado já é mais tranquilo. E para mim os dois se completam”, acrescenta.

 

Luiza Rodrigues

“Venho aqui quase todos os dias, passo pelo corredor central e nos arredores. Dou uma olhada em tudo que tiver. Ver o que o incêndio provocou foi bem tocante, porque é um local de tradição porto-alegrense e tem bastante representatividade para todas as pessoas”, relata a universitária de 20 anos, em meio aos corredores.

Luiza é natural de Bento Gonçalves/RS, mas mora aqui na cidade por conta dos estudos. Frequentadora ativa, admira como o comércio do Mercado se relaciona com as pessoas e fica feliz pela superação do prédio, depois de ver um pouco dos estragos.

A estudante se orgulha em fazer parte da nova fase do Mercado. A única coisa que a incomoda nisso tudo é a demora na reabertura. Porém fica feliz por ver toda uma riqueza de cultura restaurada. “Acho que esse lugar é essencial para todo mundo. É um local de encontro e de representatividade religiosa, enfim, é cultural para as pessoas de Porto Alegre”, finaliza.

Fotos: Gabriela Silva

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