Quentes e fumegantes, espantando o frio

 

Quentes e fumegantes,

espantando o frio

 

Inverno está aí, com as suas características do frio gaúcho. Desta vez, ao invés de sofrer com a baixa temperatura, use a sua imaginação para fazer pratos quentes, degustar cachacinhas e licores e escolher os melhores sabores, apropriados da estação. No Mercado Público você vai encontrar tudo isto, tanto nas bancas, para comprar os ingredientes e fazer em casa, como saborear os pratos mais típicos do inverno nos seus restaurantes. Dos mais simples aos mais sofisticados, pode ter certeza que você vai encontrar pratos honestos e, principalmente, feitos com muito carinho.

 

Ingrediente para o mocotó:

só não tem o berro do porco

 

Com 42 anos no Armazém 28, armazém de secos & molhados de pai para filho, Celso Marcadela garante que tem tudo para o mocotó. “Só não tem o barro do porco”, brinca ele. O resto tem: língua, orelha, pé, costela e vísceras de porco. E mais feijão branco e linguicinha especial. Charque ele não recomenda para o famoso prato, por ser muito forte e tirar o gosto dos outros ingredientes. “É mais recomendado para a semana farroupilha”, explica. Já a feijoada, Celso afirma que é um prato barato, saindo por R$ 7,00 para duas pessoas, incluindo o feijão. Um segredinho, conta ele, é colocar uma laranja de umbigo inteira, com casca e tudo, dentro da panela. “Ela puxa a gordura e a feijoada fica mais light”. Para as carnes salgadas, recomenda que se ferva e se jogue fora a primeira água fervida. A banca também tem tudo para viver o clima junino: pipoca, amendoim, pinhão e vinho para o quentão.

 

Carnes para mocotó, feijoada, rabada, “vaca atolada”: acessíveis e fresquinhas

 

Ivan Konig, do Costelão do Mercado é direto: “Acredito que o açougue seja um dos únicos lugares que tem tudo para mocotó, principalmente aqui no Mercado. E nas outras bancas tem todos os temperos. Temos também todos os produtos para feijoada. Pezinho, rabinho, orelha, tudo de porco e a linguicinha”, diz ele. Sem dúvida, tudo o que você precisa para o seu mocotó ou feijoada, com certeza vai encontrar nos açougues e bancas do Mercado. Outra grande vantagem é que o Mercado sempre oferece produtos fresquinhos, pela grande rotatividade dos mesmos. Para o mocotó se encontra com facilidade pata bovina, coalheira, tripa grossa, lingüiça e o mondongo, além do feijão branco e os temperos. Outros pratos bem comuns no inverno são a rabada e “vaca atolada”, este último um prato tipicamente gaúcho, com costela e aipim. Para qualquer um também são en­contráveis no Mercado os ingredientes para fazê-los, assim como galinha caipira e carnes de suíno, pernil e costelinha com pele, que vende muito. “Acompanhando um arroz branco e um aipim é show de bola”, diz Ivan, informando que a costela de porco é mais calórica, como as carnes suínas em geral. “Tanto que no verão elas baixam bastante a venda, porque é uma carne forte, do inverno mesmo, assim como os ingredientes para feijoada. Não podemos esquecer o toucinho”, lembra ele. Em relação aos preços, Ivan avalia que os açougues do Mercado trabalham com uma média de 20 a 30% com os preços mais baixos que os supermercados. Além disso, diz Ivan, miudezas tanto bovinas como suínas, só se encontram no Mercado.

 

Mocotó no capricho

 

O Mercado Público já é um ponto tradicional de mocotó há muitos anos. E Giovane Duarte de Souza, da Lancheria Luz garante que a casa tem muito a ver com essa tradição. “É o carro-chefe da casa no inverno. O nosso mocotó já é tradicional aqui no Mercado, e somos, inclusive, um dos pioneiros no mocotó congelado”, conta ele. A Lancheria Luz vende o produto já há 7 anos, que chega ao cliente em porção por quilo, já embalado para aquecer no micro ondas, ou na panela. “A gente capricha, já temos uma clientela fixa”, reforça Giovane, explicando que a casa não poupa nos ingredientes, todos comprados no Mercado, bem fresquinhos. O acompanhamento? Pão, ovo, azeitona, tempero, tudo separado, ao gosto do freguês. O mocotó da Lancheria é vendido há mais de 40 anos, e por ser diferenciado, sai por R$20.00 ou a R$ 11.00 o prato. Bom apetite!

 

Escondidinho,

procure que você acha

 

As bossas dos botecos cariocas estão chegando a Porto Alegre. O Escondidinho é um desses pratos-novidade. Há aproximadamente três semanas ele está sendo colocado à disposição (e apetite) dos clientes do Taberna, nos altos do Mercado. Daysi Elaine Ribeiro, cozinheira há dois anos da casa é a responsável pelo Escondinho que vai à mesa dos clientes do Taberna. E ela logo dá a receita: “Cozinha o aipim até virar purê, refoga uma cebola e alho, coloca no purê e nata. Depois faz um recheio de charque, ou ao gosto, coloca no purê. Aí bota o recheio, fica como uma torta, cobre por cima e bota queijo”, explica. Acompanhamento com uma porção de arroz e feijão, com direito à decoração com brócolis, tempero verde ou alface. O prato, que a cozinheira define como “muito forte” serve para duas pessoas. E, apesar de pouco tempo em cartaz, o Escondidinho está se mostrando um sucesso, com muitos pedidos. O prato sai por R$ 12.00.

 

Yakisoba, rápido e saboroso

 

No Japão o prato é um dos mais populares, principalmente porque é muito rápido e os japoneses estão sempre com pressa. São servidos em pratos redondos e fundos, próprios para comer de pé. Aqui é também um dos mais conhecidos pratos do Sayuri, único restaurante japonês do Mercado e do centro. O restaurante nasceu de uma combinação perfeita: os conhecimentos da prática de pescado de Francisco Assis Nunes, o Chico, e do domínio da cozinha japonesa de sua esposa.  Sobre o yakisoba, diz Chico: “Trabalhamos com quatro sabores, carne, frango, camarão ou também vegetariano, que no caso é só legumes”. Para Chico o yakisoba, além de ser um bom prato para o inverno, também é muito saudável, levando massa e legumes. Diz também que apesar da massa, ele não é muito calórico. “Nós não usamos sal, só o shoyo, então a quantidade de sal é mínima, gordura é mínima também, só um pouco de olha para dar uma refogada na carne. Um prato bem consistente, bem servido e ao mesmo tempo leve, a pessoa pode comer e não fica com o estômago pesado”, informa. O prato, muito requisitado, é servido no almoço de segunda a sábado. De carne ou frango a R$ 13,00. Com camarão, R$ 17,00 e só legumes, R$ 13,00. O Sayuri serve o yakisoba  em travessa, em porções generosas e, dependendo da fome de cada um, pode até ser dividido entre duas pessoas 

 

Nhoque com Carne de Panela, sorte de quem prova

 

Já é uma tradição de comer o chamado “Nhoque da Sorte”, no dias 29 de cada mês. Rodrigo Tomasel, 10 anos de Mercado, na Lancheria Nova Vida, diz que o pessoal se entusiasma mesmo. “Tem uma mística, uma mandinga com o nhoque. Na hora da refeição a pessoa coloca a nota mais alta que tiver debaixo do prato, para ver se melhora a situação financeira”, diz ele. Mas o fato é que nos outros dias do mês o prato também é muito procurado na Nova Vida, que no caso, só serve o seu badalado nhoque nas quartas-feiras. “Tem cliente que vem somente na quarta para comer o nhoque, traz colegas, familiares. Nosso nhoque é de batata, não de farinha, não é comprado, é todo feito pela nossa cozinheira Zenaide, que está há mais de nove anos com a gente”, afirma o entusiasmado Rodrigo.

 

A legítima (e deliciosa) Dobradinha com Batata

 

O Restaurante Embaixador apostou na Dobradinha com Batata para se diferenciar da maioria dos restaurantes que atacam com o tradicional mocotó. Pedro José machado, 10 anos de casa, garante que é um prato quente e forte, sendo a sua clientela composta de 95% de funcionários do próprio Mercado. A receita é simples, saborosa e, principalmente, muito consistente: do­bradinha com batata, lin­gui­cinha, feijão branco, acompanhando ovo picado, arroz, queijo ralado, temperos e, claro, o indispensável pãozinho fresquinho do Mercado. Nos dias frios, é batata! Terrina por R$ 12.00 e o prato por R$ 6.00. Corra, nos dias muito frios o Embaixador costuma fechar a porta externa, abrindo só a interna para atender quem trabalha no Mercado.

 

Sopas: delíciosas e saudáveis

 

Uma sopinha sempre vem muito bem, em qualquer situação. Nas estações mais frias, principalmente. Apostando nisto, há um mês a Padaria Pão de Açúcar vem servindo diariamente sopas diferentes. Eveline Vargas, gerente geral da padaria dá o cardápio: na segunda, sopa de ervilha, na terça, sopa de capelleti, na quarta, sopa de legumes, na quinta, sopa de ervilha e na sexta, repete-se a de capelleti. 

Todas por R$ 7,90 a porção, acompanhando o inseparável pãozinho italiano, que também vai muito bem. O tempero, que é pedido separadamente, é de cebolinha ou queijo parmesão. “Quando faz um friozinho o cliente sempre pede. É servido a qualquer horário das 11 horas até o fim do expediente”, avisa Eveline. Com produção da padaria, garantindo sempre um produto fresquinho e no ponto, como se exige para ficar um bom capelleti.

 

Consumê fumegante da Beijo Frio

 

Quem pensa que a Beijo Frio, nos altos do Mercado, serve apenas deliciosos sorvestes está redondamente enganado. Um bela sugestão é o “Consumê”. Um caldo quente cremoso – não é sopa – de ervilha polvilhado com queijo e tempero verde.  Outras opções desta maravilha são os sabores de frango com batatinha e feijão branco com bacon. O prato acompanha tiras de pão com orégano. Servido em uma generosa taça de açaí é a pedida do Beijo Frio para o inverno. Servido todos os dias. A porção saí por R$ 5,00. 

 

 

Os vegetarianos e veganos

também tem opções no Mercado

 

Márcia Mascarello, do restaurante Telúrico, único no gênero no Mercado, sugere um prato de consumé, de moranga com creme de soja acompanhada de cróton (uma espécie de pão torrado), aipim frito e uma taça de vinho que, na sua opinião, cai muito bem, para os dias mais frios. O prato, diz Márcia, aquece e tem baixas calorias. “É uma ótima pedida para dias de frio, janta, e para entradas”, afirma.

Durante todo o período de inverno no Telúrico são servidos quatro tipos de consomés e sopas: de moranga, ervilha, trigo, feijão, grão de bico. Informa a proprietária que a pessoa pode comer todas as sopas à vontade, claro, sem o acompanhamento do vinho. Temperos, contudo, livres. Cróton, tempero verde, pãozinho fresco, azeites, sal. Mas o importante são os efeitos saudáveis deste tipo de alimentação. “No inverno temos um tendência de sentir mais fome, pois precisamos de mais energia para manter o corpo quente. Mas também queremos nos cuidar para não excedermos na caloria, então as sopas de legumes são menos calóricas que as sopas industrializadas, que tem massas e gorduras. Então, além de estar se alimentando de uma forma boa, tem esse beneficio de não ser sopas com grandes quantidades de calorias”, acrescenta Márcia. O preço? R$ 6 reais, livre.

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