Queijos e Cervejas!

A cada vez que os paradigmas são quebrados, logo se formam dissidências severas de opinião. Mas esse não tem sido o caso das degustações de queijos e cervejas especiais. Se você gosta de vinho, continue, mas encare este novo desafio papilar!

 

Burgomestre, por Sady Homrich

Todos os invernos nos trazem o mesmo apelo: “festas de queijos e vinhos”. Às vezes são apenas um engodo caça-níquel, mas sempre são divertidas, mesmo que você fique com a boca lilás até a manhã seguinte.

Amargor e doçura, a mágica que equilibra cervejas e queijos. Ela deixa sua boca pronta para um novo sabor, como se cada mordida ou cada gole fossem sempre os primeiros, com o auxílio do gás carbônico que mantém as papilas ativadas. A harmonização entre cerveja e queijo é tão perfeita que não se sabe onde a cerveja termina e o queijo começa.

Lembre-se que essas regras não podem prevalecer sobre seu gosto! Mas não tenha medo e experimente uma cerveja defumada (Rauchbier) com queijos defumados como o provolone. Aproveite a farta oferta de queijos e cervejas do Mercado Público e teste mais algumas dicas:

1) Queijos frescos, muito macios: queijos suaves, de sabor sutil. Exemplos: ricota, cottage, cream cheese, feta, mozzarella de búfala. Harmonização: cervejas leves como Pilsen, Kölsch e Weizenbier.

2) Macios, de casca branca: os famosos Brie e Camembert. São queijos que variam de extremamente leves, passando por sabores adocicados e de cogumelos. Combinam com Pilsen, Weizenbier e Ales tipo belga.

3) Semimacios: Gouda, St. Paulin e Chevrotin (de cabra). São queijos de sabor adocicado e de textura macia, com influência dos monges trapistas. Podemos combinar com Golden Ale, Bitter, Belgian Ale, Bock e algumas trapistas.

4) Semiduros: Gruyère, Emmental, Itálico, Estepe. Combinam bem com cervejas bem maltadas e encorpadas: Pilsen, IPA, Pale Ale, Strong Ale e Bock.

5) Queijos duros: Grana Padano, Parmesão, cheddar (tradicional). São intensos, frutados, com textura mais seca e granulados, com a cristalização do ácido lático. São queijos que pedem cervejas pesadas, com amargor elevado. Combinam com Strong Ale, Doppelbock, Stout, Porter e Ales em geral.

6) Queijos azuis: cheios de sabores complexos, picantes e salgados, são cremosos e gordurosos, como o Roquefort e o gorgonzola. Vão muito bem com Stout e Barley Wine, além de Strong Golden Ale, Weizenbock e Doppelbock.

 

Preste atenção:

– É preferível consumir o queijo antes da cerveja;

– As combinações se constroem principalmente entre os sabores, não entre aromas;

– O “centro do prazer” está no nariz e na parte superior do palato;

– Os queijos não devem estar gelados e sim à temperatura ambiente;

– A cerveja não deve estar “estupidamente gelada”;

– Os sabores das cervejas e dos queijos são como o universo: estão em permanente movimento;

– O sucesso das harmonizações é determinado pela sensação final propiciada pelo par, uma vez que estaremos criando um novo sabor.

 

Degustação:

– Pegue um pequeno pedaço de queijo, calcula-se 80 g por pessoa de cada tipo;

– Mastigue bem, até que toda a boca esteja repleta de creme;

– Avalie o sabor do queijo (sal, picância, acidez, cremosidade);

– Tome um gole de cerveja, inundando a boca e espalhando o líquido;

– Tente apreciar as características próprias, já que o paladar está alterado pelo queijo;

– De dois sabores distintos surge um terceiro sabor.

 

Agora é só marcar uma noite com uma boa parceria, queijos, cervejas e curtir o inverno de uma forma inovadora. Mas sem dirigir depois, certo?

COMENTÁRIOS