Que é você, Pale Ale?

Uma das cervejas mais fabricadas e consumidas depois das Pilsens são as Pale Ale. Esse estilo tem uma história interessante que envolve invenção, comércio exterior, proximidade geológica, Império e as raízes da revolução industrial na Inglaterra.

 

BURGOMESTRE, por Sady Homrich

“Ale” era o termo usado na língua inglesa para as cervejas originadas nas Ilhas Britânicas e, como fermentavam em barris de madeira em temperatura ambiente, passaram a designar a família cervejeira de “alta fermentação”, diferente das “Lagers” vindas do continente europeu, que fermentavam em baixas temperaturas.

A primeira menção conhecida do termo “Pale Ale” data de 1703 e lá por 1780 começou sua difusão. Pelo início de 1800, as Pale Ales eram comumente referidas como bitters (amargas) e diferenciavam-se das “beers”, cervejas claras que vinham da Holanda e da Alemanha, principalmente. Shakespeare (1564-1616) já citava ambos os termos em sua obra!

Antes dessa data, madeira e turfa eram utilizadas para secar o malte, que absorvia um caráter esfumaçado no sabor, emprestando uma cor marrom. Depois da revolução industrial, o coque tornou-se o principal combustível na produção de ferro e aço na Inglaterra – depois foi adotado por muitas outras indústrias. A partir daí criou-se uma nova técnica que produziu uma variedade mais leve de malte, sem a nota defumada e com tons mais claros, tendendo ao amarelo.

A fama da cerveja Bass produzida em Burton-on-Trent fez com que todas as Ales produzidas nesta área geológica da Inglaterra fossem consideradas de alta qualidade. A água rica em sulfatos foi benéfica para fabricação de cerveja límpida e com um grau de amargor muito maior do que Ales fabricadas com água carbonatada utilizada pelos cervejeiros em Londres. Mais tarde, com a evolução da química quantitativa, cervejeiros em toda a Inglaterra começaram a tratar sua água para replicar as águas de Burton-on-Trent, através de um processo conhecido como “Burtonisation”.

O Império Britânico estava no balanço cheio com mercadores e comerciantes viajando ao redor do mundo. A Índia era a “joia na coroa” do Império, com uma grande população de civis e militares com uma sede britânica por cerveja. O clima tropical impedia a produção de cervejas sequer razoáveis. Um mercador se deu bem ao designar as Pale Ales mais alcoólicas e amargas de India Pale Ales, depois IPA, pois o álcool e o lúpulo atuavam como conservantes naturais da bebida.

Muitas outras derivações vieram a partir daí, com ampla variação de amargor, e hoje temos APA (American Pale Ale), AIPA (American IPA), Imperial IPA, White IPA, Black IPA, Australian Pale Ale, DIPA (Double IPA), Brett IPA e assim por diante.

Aqui no Brasil, a Eisenbahn Pale Ale, lançada em 2002, foi uma das grandes responsáveis pela difusão da cerveja artesanal em todo o país. Hoje temos inúmeras Pale Ales de qualidade e o RS é um dos que mais ganhou medalhas nesse estilo e suas variantes nos concursos cervejeiros nacionais e sul-americanos.

Início de novembro, a Ruradélica Ales AIPA (6,8 % álc. e 68 IBU) e a Seasons Vaca das Galáxias Imperial IPA (8,6 % álc. e 75 IBU) foram premiadas no 1º Concurso IPA Day, em Ribeirão Preto/SP.

 

Abraço do Burgomestre,

Sady Homrich

Que a fonte nuuuunca seque!!!

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