Programa Monumenta

Programa Monumenta

“A população está mais consciente da importância da preservação patrimonial”

     A idéia surgiu com o terremoto que praticamente devastou Quito, Equador, em 1988, informa Briane Bicca, arquiteta e coordenadora do Programa Monu-menta em Porto Alegre.

 A cidade, que na época já era patri-mônio da humanidade recebeu, então, investimentos do Banco Intera-me-rica-no de Desenvolvimento, que a partir daí passou a ter políticas relacionadas com a questão da preservação patrimonial. Em 1995 o banco ofereceu ao Brasil a proposta de criação de um programa dentro deste mesmo conceito. A partir daí BID, UNESCO e Ministério da Cultura passaram a desenvolver o Programa Monu-menta. Foram escolhidas 26 cidades brasileiras, de norte a sul – no Rio Grande do Sul, Pelotas e Porto Alegre. Cada cidade definiu seu plano de trabalho e iniciou projetos de restauração e obras, divididas em quatro itens: restauração de monumentos, requa-lificação de espaços urbanos, financiamentos a proprietários privados e ações culturais.
Para serem escolhidas as cidades tinham que ter áreas no seu centro tombadas pelo patri-mônio federal, como era o caso de Porto Alegre. “É um conjunto de ações que ao longo do tempo vai buscando uma melho-ria do centro”, diz Briane. Para ela é importante se divulgar que Porto Alegre possui um centro histórico, mesmo que mais recente, em função do litígio entre as coroas portuguesa e espanhola até meados do Século XVIII, o que fez com que a ocupação desta área se desse em período mais recente do que no resto do Brasil.

“O Mercado é o elemento propulsor da requalificação do centro”
Briane faz questão de ressaltar que o Monumenta também desenvolve programas culturais, como arqueologia para jovens, folheterias (Igreja das Dores), programas de arqueologia com escavações, Museu do Percurso, entre outros. O Programa também inclui projetos de restauração dos espaços públicos. O centro histórico de Porto Alegre, por exemplo, vai passar por várias melhorias e intervenções, voltando a ter a fisionomia que tinha, dos anos 30, 40, principalmente na área entre o Cais e a Praça da Alfândega, onde estão previstas pavimentação, colocação de rampas para PPDs (Pessoas Portadoras de Deficiências Físicas), iluminação pública, guarda-porto, travessia na Mauá, recolo-cação de paralelepípedos, arbo-ri-zação, faixas para facilitar cruzamentos, entre outras ações.
Para Briane, o Mercado Público tem papel fundamental neste processo de requali-ficação do centro histórico de Porto Alegre, ao lado da Praça da Alfândega. “O Mercado é o centro de tudo isto, o elemento de maior importância de toda esta revita-lização que está sendo feita no centro. Cada vez mais freqüentado, admirado, por todo o tipo de população e extratos sociais que compram, visitam. Não há turista que não venha aqui e não se encante com o Mercado”.

O que é o Programa Monumenta
Programa do Ministério da Cultura, o Monu-menta é executado com recursos da União, de estados e de municípios, com financiamento do Banco Inte-ramericano de Desenvolvimento (BID) e cooperação do Instituto do Patri-mô-nio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e da UNESCO. Seu conceito é inovador. Enquanto restaura obras, busca conciliar esta ação com a sus-tentabilidade dos sítios históricos, motivando seus usos econômico, cultural e social. Por meio de editais públicos, o Programa destina recursos financeiros para a realização de cursos de restauro e eventos culturais, estimulando o desenvolvimento de atividades econômicas associadas aos centros históricos e fortalecendo estruturas turísticas locais. Ao mesmo tempo, incentiva municípios e estados a colaborarem na captação de novos financiamentos e a cultivarem na sociedade uma postura de zelo com os bens históricos e culturais.

Prédios Públicos de Porto Alegre contemplados pelo programa

Prontos: Cais do Porto; Museu de Arte do Rio Grande do Sul; Memorial do Rio Grande do Sul; Palácio Piratini

Em obras: Biblioteca Pública; Pinacoteca Rubem Berta

A ser iniciado: Igreja Nossa Senhora das Dores

A ser licitado: Museu de Comunicação Hypólito da Costa

COMENTÁRIOS