Rio Grande, pólo pesqueiro

O Jornal do Mercado entrevistou o Prefeito de Rio Grande, Janir Branco. No encontro ele falou sobre a atuação da prefeitura junto às comunidades pesqueiras, a situação das empresas do setor e os reflexos na economia rio-grandina.

Criação da Secretaria Municipal da Pesca
A atual administração da cidade criou a Secretaria Municipal da Pesca, que antes pertencia à Secretaria da Agricultura. Ultimamente houve um avanço significativo, com a construção de trapiches e com as reformas das estradas, obras importantes para o escoamento do produto. As comunidades pesqueiras beneficiadas, em sua grande maioria são povoadas por pescadores e pequenos agricultores, como na ilha da Torotama e a ilha dos Marinheiros.
  Para o prefeito, o Governo Federal tem sido um parceiro importante. Através da SEAP, que agora está se transformando em Ministério da Pesca, identifica e cadastra os pescadores junto ao Ministério do Trabalho e da Secretaria Nacional da Pesca. Como uma das principais atividades continua sendo a pesca do camarão, os pescadores que se cadastraram, recebem o seguro desemprego durante o período do defeso. “Nós mantemos um vínculo muito forte junto à colônia de pescadores, somos parceiros no atendimento assistencial na área da saúde, no atendimento jurídico e na documentação necessária para a captação do seguro desemprego”, revela o prefeito. Antes da criação da Secretaria Municipal da Pesca, havia um grande número de pescadores sem documentos como a matrícula de pesca, o cartão do IBAMA e o cadastramento junto ao Ministério do Trabalho.

A prefeitura e as comunidades de pescadores
     As comunidades de pescadores diminuem cada vez mais, forçando a migração de alguns profissionais para outras áreas. Como a atividade portuária tem se desenvolvido nos últimos tempos, acaba por absorver esta mão de obra em diversos segmentos. Ainda sobre a pesca, o prefeito Janir alerta: “É uma atividade que vai encontrar muitas dificuldades de se manter. Futuramente acredito que haverá somente a pesca de oceano, terminando com a pesca artesanal”. Preocupação que encontra eco junto a empresas ligadas ao setor, que confirmam a diminuição de pescados e crustáceos. Na área educacional, a prefeitura criou o projeto “Pescando Letras”, que leva professores às comunidades carentes, para viabilizar o ensino fundamental, abrindo mais possibilidade para os alunos mais tarde prestarem o curso técnico.

Infra-estrutura para impulsionar a economia
Há mais de 20 anos, havia um número maior de empresas em atividade no setor, que absorvia mais mão de obra. No período de safra, algumas empresas chegavam a ter mais de mil funcionários. Com a tecno-logia, as máquinas passaram a fazer o trabalho destes. E, para agravar ainda mais a situação, a diminuição gradativa da matéria prima. O prefeito informa que o setor pesqueiro chegou a ser um dos pilares da economia da cidade. Hoje já não é tanto, mas continua sendo importante na geração de empregos. Hoje, a principal atividade do município é a portuária. Rio Grande tem o maior porto da América Latina de recepção de containeres, recebendo mais de 3700 navios por ano. Estrutura fundamental para a exportação do arroz, calçados, tabaco e outros. “Tanto o Uruguai quanto a Argentina possuem calados menores. Hoje nosso calado é de 40 pés e já temos projetos para que ele chegue aos 46 pés, podendo mais tarde vir a ter 60 pés”. Medidas fundamentais para poder duplicar a capacidade dos navios que já recebem, principalmente dos navios graneleiros.

 

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