Porto de Porto Alegre: 86 anos nas margens da cidade

Ele é o maior porto pluvial do país em extensão e faz parte indissolúvel da paisagem da cidade. Neles já aportaram milhares de navios de todas as partes do Brasil e do mundo trazendo e levando toneladas de produtos, singrando as águas do Guaíba. Hoje, administrado pela Superintendência de Porto e Hidrovias, SPH, ao longo de 2007 o Porto teve uma movimentação de cargas de 610.706 toneladas, com a visita de 96 navios. Como uma das principais referência geográficas do Mercado, mo Porto de Porto Alegre, principalmente o Cais Mauá eventualmente é tema de discussões quanto ao seu futuro.

 

O primeiro nome de Porto Alegre foi Porto de Viamão, no século XVIII. Como ainda não existia um centro urbano, os estancieiros da região usavam o Guaíba como meio de comunicação com Rio Grande e Rio Pardo. A região, na época conhecida como campos de Viamão, era um distrito de Laguna (SC). O porto, assim, era conhecido como Porto de Viamão. Assim como os principais marcos da cidade ele teve a sua construção iniciada no começo do século passado. Mais precisamente em 1911, embora o projeto inicial seja de 1899. A conclusão foi em 1913, quando ficaram prontos 146 ms de cais, com quatro ms de profundidade. Em 1951 foi criado o Departamento de Portos, Rios e Canais (DEPRC), autarquia estadual que ficou responsável pela exploração comercial do nosso porto e dos de Pelotas e Rio Grande. Com o fim da concessão em 1994, foram feitos dois aditivos até a assinatura de um convênio de delegação entre o Ministério dos Transportes e o estado do RS, em 27 de março de 1997, para administração e exploração do porto, que ficou a cargo da Superintendência de Portos e Hidrovias do Rio Grande do Sul (SPH).

O Cais faz parte da paisagem de Porto Alegre, mas ao mesmo tempo não faz. Explica-se: com o polêmico Muro da Mauá, construído como medida de prevenção das cheias, depois do inesquecível trauma da Enchente de 41, quando as águas chegaram até a Praça da Alfândega, o Cais tornou-se invisível. Ele se origina nas antigas Docas, quando o movimento naval na região era intenso, principalmente com o comércio de verduras e frutas trazidas do Vale do Sinos por incontáveis barcos para abastecer o antigo Mercado e as feiras que se aglomeravam no seu entorno. Já nas primeiras décadas do século XX as docas cederam espaço ao Porto, no caso o Cais Mauá. O imponente e sofisticado pórtico de entrada encomendado em Paris em 1919 – em levíssima estrutura de ferro, emoldurado com vitreaux e restaurado em fins da década de 90, descortina os 3.240 metros de calçadas de pedra, onde se alinham 17 armazéns.

Realidade e estrutura do Cais
O cais acostável, tem extensão de 8028 metros, e compreende o Cais Mauá, com profundidade variando de quatro ms a 5,5ms, 20.178ms quadrados de armazenagem e 2.180ms quadrados da área restante. Já o Cais dos Navegantes tem 3.268ms com profundidade de 6ms, possui 12 armazéns, somando uma área total de 23.880 ms quadrados, incluindo os pátios. O de Porto Alegre é o mais meridional do Brasil. Geograficamente, privilegiado em sua localização, o Porto está no centro da hidrovia que une o centro produtor regional com o maior porto marítimo do Mercosul, o Porto de Rio Grande. Esta posição geográfica possibilita um tráfego permanente entre Porto Alegre e Buenos Aires, transportando produtos siderúrgicos e agrícolas. Com um perfil atual de porto importador, capacita-se, pelos investimentos que estão sendo feitos, como um dos principais elos da cadeia logística do comércio do RS.

O Cais Mauá é uma seção do porto, cujas características especiais o fizeram ser protegido pelos Patrimônios Histórico Nacional e Municipal. A importância histórica do Cais Mauá reside no fato de sua construção ter representado um imenso esforço do governo e da sociedade gaúcha, no início do século XX, em direção à modernização urbana e ao desenvolvimento econômico. O conjunto não foi construído de uma só vez, mas em etapas, a partir do primeiro trecho do cais que faz frente para a Praça da Alfândega, este datando de 1911-1913. Os armazéns A e B começaram a ser construídos em 1919 e os demais armazéns datam de 1917 a 1927, e o prédio do DEPREC surgiu apenas em 1947.

Características singulares de sua construção também deram razões para que o conjunto fosse protegido. A estrutura dos Armazéns A1, A2, A3, A4, A5, B1, B2 e B3 compõe-se de peças metálicas rebitadas em ferro, importadas da empresa Daydée, de Paris, e montadas no local. Os vãos da estrutura são preenchidos de alvenaria de tijolos maciços. O vão livre é de aproximadamente 20ms e o comprimento varia em torno de 90 metros para cada armazém. Os armazéns, com suas coberturas com cumeeiras e telhados repetidos em duas águas, criam um ritmo arquitetônico contínuo de belo efeito. O edifício sede do DEPREC é um prédio de seis pavimentos, e seu estilo caracteriza a evolução do ecletismo para o art déco. A estrutura do prédio é de alvenaria portante com vigamento e entrepisos de concreto, e as paredes são revestidas por reboco.

O pórtico central e os armazéns A e B foram declarados patrimônio histórico nacional em 1983, e o restante do conjunto foi protegido pelo município em 1996, sob o nº 46 do Livro Tombo. O porto de Porto Alegre é dividido entre os cai Mauá, Navegantes e Marcílio Dias. Sua estrutura envolve 25 armazéns com 70 mil m², numa áreatotal de 450 mil m². Desde o primeiro semestre de 2005, a área de operação do porto público está concentrada no cais Navegantes, que mantém 220ms de linha férrea – o que permite a operação de dois navios simultaneamente – além da estrutura exigida para movimentação de navios de longo curso. O zoneamento do porto da Capital ndispõe áreas distintas para terminais de contêineres, e cargas geral. Nos últimos cinco anos, o porto juntamente com os terminais privados movimentou cerca de 4 milhões de toneladas/ano, em diversos produtos.

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