Carlos Urbim: “Porto Alegre não pode viver sem o seu Mercado Público”

“Porto Alegre não pode viver sem o seu Mercado Público”

 

Natural de Santana do Livramento, Carlos Urbim, jornalista e escritor, patrono da Feria do Livro em 2009, reside em Porto Alegre desde os 19 anos, quando iniciou seu curso de jornalismo na UFRGS. De lá pra cá, passou pelos principais jornais gaúchos, destacando-se com um talentoso roteirista de séries de TV, a maioria delas transformadas em livros. A partir de 1984, com a publicação de Um Guri Daltônico, passou a ser um dos principais autores de literatura infanto-juvenil do Rio Grande do Sul. Este ano passou o bastão de Patrono da Feira do Livro para outro fronteiriço, Paixão Cortes. Aqui o seu depoimento.

Carlos Urbim

Eu acredito assim ó: Mercado Público está entranhado na história de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul. É um monumento ao comércio da cidade, é uma referência cultural. É proibido para o turista, interessado em conhecer Porto Alegre, não passar e visitar o Mercado Público. Eu vivo há 44 anos em Porto Alegre e sei da importância do Mercado para o próprio desenvolvimento da cidade. A história do Mercado Público se confunde nos últimos 141 anos com a própria história da cidade. E algumas das bancas maravilhosas que ali estão até hoje, são referência da mais sofisticada gastronomia. O bom gourmet que quiser comprar, adquirir produtos autênticos, fresquinhos, trazidos na hora, é ali que encontra. E todas as histórias que envolvem o Mercado Público e que sempre deixam, quem é interessado no desenvolvimento de Porto Alegre, atento. Tem o lance histórico de 1941, quando o centro de Porto Alegre foi tomado pela enchente e virou um lago. São lindas as fotos de barquinhos e caiaques circulando em torno do Mercado como se estivessem dentro do Guaíba ou Lagoa dos Patos.

Então, o Mercado Público é cheio de histórias lindas. Afora também os eventos culturais que ali são promovidos todos os anos. Porto Alegre não pode viver sem o seu Mercado Público. Com a reforma ele foi modernizado, se tornou um centro de compras antenado com o que há de mais moderno e poderia ser oferecido aos freqüentadores. Então passa a ser um luxo, escada rolante, tudo muito bem finalizado e novas bancas, remodeladas e redecoradas. O Mercado Público sempre foi uma referência para mim, como repórter. Trabalhei, por exemplo, para uma série que foi para televisão, Rio Grande do Sul, um século de história, em que ali está registrada a história do Mercado Público. E mais recentemente em um trabalho que foi lançado neste ano de 2010. Fui convidado pela Câmara de Dirigentes Lojistas para produzir um livro que conta à história do comércio varejista de Porto Alegre. O título do trabalho é Almanaque do Varejo de Porto Alegre. Num trabalho como este não poderia faltar uma página, duas, dedicadas, exclusivamente ao Mercado Público, que é um dos estabelecimentos que tem a ver com a história do comércio de Porto Alegre, seguramente o mais importante. Nunca deixem de manter ele (Mercado Público) sempre bonito, atualizado, na medida que for possível, repaginar e redecorar. E para os frequentadores, não deixem nunca de visitar para sentir as cores, os sabores, os cheiros que o Mercado Público concentra.

 Foto: Romulo Valente / CRL

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