Porto Alegre comemora a reabertura do Mercado Público

Porto Alegre comemora a reabertura do Mercado Público

 

“A vida voltou ao Mercado Público”, comemorou o prefeito José Fortunati na reabertura do patrimônio histórico que ocorreu nesta terça-feira, 13, após 38 dias do incêndio que atingiu o Mercado de Porto Alegre. A emoção marcou a cerimônia que ocorreu pontualmente às 10h com a abertura simbólica do portão junto ao Largo Glênio Peres pelo prefeito José Fortunati, o vice Sebastião Melo, e permissionários do Mercado. Em pouco tempo, as bancas reabertas estavam tomadas por consumidores de toda a parte.


Das 110 bancas, 73 estão funcionando plenamente. Conforme o prefeito, a equipe técnica trabalhará para reabrir o mais rápido possível as 29 bancas do andar térreo, enquanto é desenvolvido o projeto de recuperação que permitirá o funcionamento dos oito restaurantes do andar superior e demais estabelecimentos. A expectativa é que em 10 meses as obras de recuperação e modernização sejam concluídas. A recuperação e modernização de toda a área terão o investimento de R$ 19,5 milhões do governo federal.

 


Durante a cerimônia, Fortunati ressaltou a parceria dos permissionários, órgãos da prefeitura, governo estadual, por meio da Brigada Militar, Corpo de Bombeiros e CEEE, e o apoio manifestado pelo governador Tarso Genro e pela presidente Dilma Rousseff, que contribuíram para agilizar a reabertura parcial do Mercado. “Tínhamos dois caminhos a seguir, irmos para casa chorando as mágoas pelo acontecido, ou imediatamente tomarmos iniciativas para restaurar, com a máxima brevidade, o patrimônio histórico de Porto Alegre”.

O prefeito falou, ainda, do Grupo de Trabalho coordenado pelo vice Melo com o apoio de diversas secretarias, com a participação ativa do governo do Estado e Federal. “Fomos em busca não só de recursos, mas de todas as condições para que a reabertura acontecesse”, lembrou o prefeito, agradecendo também o esforço dos permissionários e trabalhadores. “Eles que não ficaram apenas lamentando pelo que aconteceu. A associação participou, discutiu e ajudou a buscar solução para abrir o Mercado”.

 

“Estamos muito felizes de estar aqui devolvendo o Mercado para a população, um Mercado que será bem melhor do que a gente tinha. Longa vida ao Mercado, vocês são a alma do Mercado”, disse o presidente da Associação dos Permissionários do Mercado Público, Ivan Konig, dando boas-vindas aos presentes.

 

Para o vice-prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, a reabertura do Mercado é um exemplo de superação. “As tragédias acontecem em todos os cantos do mundo, muitas vezes perto da gente, mas os governos e a sociedade devem superá-los e aqui está um exemplo muito concreto dessa superação”.

 

O vice-governador Beto Grill, que acompanhou o prefeito José Fortunati nas primeiras providências na noite do incêndio, enfatizou o marco que o prédio representa como símbolo da história, dos costumes, da economia e da cultura do povo gaúcho. “Vimos a solidariedade em todos os momentos a partir daquela dor que sentimos. Governos do Estado, federal e municipal, mas principalmente o povo de Porto Alegre querendo resgatar esse grande símbolo da cidade e do Estado”.

A reabertura foi marcada por atrações culturais e uma bênção pelos representantes do grupo inter-religioso da Capital. A Banda Municipal de Porto Alegre recepcionou os presentes com um repertório de músicas com temática da cidade. Após a cerimônia, a atração ficou por conta do Clube do Choro. Muitas pessoas que circulavam no Mercado deixaram mensagens de apoio em um painel interativo instalado no local.

 

A Coordenação de Memória da Secretaria Municipal da Cultura participou com a exposição “Quatro Incêndios e uma Enchente: Nosso Mercado Resiste”, que registra outros sinistros ocorridos no espaço.
As atrações culturais no Mercado seguem até sexta-feira desta semana, com shows de Lourdes Rodrigues – Violão e Voz, Poa Sax e Camerata Pampeana, sempre a partir das 17h.

Durante a cerimônia, o prefeito realizou uma homenagem ao chefe do Corpo de Bombeiros, comandante Guido Pedroso de Melo, e ao diretor-presidente da CEEE, Sérgio Souza Dias, pela significativa atuação das entidades no episódio do incêndio. 

Próxima reunião: 
As providências para a breve reabertura dos 29 estabelecimentos do andar térreo serão discutidas em reunião na tarde de hoje, às 15h30, com a coordenação do vice-prefeito Sebastião Melo, e a participação de permissionários e do grupo técnico das secretarias que trabalham na recuperação do Mercado. O encontro será realizado na sede da Secretaria Municipal do Planejamento e Orçamento (Siqueira Campos, 1300, 6º andar).

Depoimentos:
 “Minha juventude e infância foi toda dentro do Mercado. Hoje é um dia muito importante pra mim e de todos nós. Aqui é nossa casa, todos os dias a gente vem aqui, buscar nosso pão, nosso alimento”. Rosane Oliveira – Comerciante, moradora do Centro Histórico de Porto Alegre.

 


“Eu nasci em 1939. Quando deu a enchente, eu tinha 1 ano, e presenciei junto com o meu pai. Adoro vir aqui no Mercado. Aqui é o meu chão”.
Daltro Belomo – Aposentado, morador do bairro Guarujá. 

“Eu tenho uma ligação com o Mercado de DNA. Meu avô foi permissionário do famoso café central. Aqui eu me criei e me formei. Desde pequena circulei pelo mercado. Com muita alegria vejo que o mercado reina novamente”. Sonia Maria Saffi – Advogada, moradora do Centro Histórico de Porto Alegre. 

“Estou muito emocionado, muito feliz, Freqüento o Mercado desde 1963. Coloquei terno e gravata especialmente para esse momento”. 
Alcides Valim  – Funcionário público aposentado, morador do bairro Santana.

“Frequento há 20 anos para mais. Eu chorei quando perdemos o Mercado.
Aqui é o meu encontro de amigos. Tenho paixão pelo Mercado. É o símbolo de Porto Alegre”. José Souza – Aposentado, morador de Alvorada.

 

Histórico do incêndio: 
06.07
A noite do dia 6 de julho foi consumida pela tristeza diante do incêndio que durante duas horas destruiu parcialmente o Mercado Público da capital e do Estado. As chamas devastaram também o coração de todos à medida que a notícia se espalhava.


 
Ainda na noite do incêndio, o prefeito garante que não vão faltar recursos para a reconstrução do que foi consumido pelo fogo. Informa que existem R$ 5 milhões disponíveis do Fundo do Mercado Público e que o seguro contra incêndio feito pela Smic prevê uma indenização de mais R$ 1,5 milhão; uma análise preliminar indica que serão necessários três tipos de projetos estruturais de naturezas diferentes: um para o conserto do telhado, outro para refazer a estrutura de alvenaria e cerâmica do andar superior e outro para as redes hidráulica, elétrica e lógica;


 
07.07
O prefeito solicita à presidente da República a inclusão da obra no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Cidades Históricas, a fim de receber recursos federais. Determina a criação de grupo de trabalho, liderado pelo vice-prefeito Sebastião Melo; equipes da Prefeitura, Bombeiros e Associação dos Permissionários fazem vistoria para avaliar os prejuízos e as proporções do incêndio;


 
08.07
Sob a coordenação do vice-prefeito, é realizada a primeira reunião do Grupo de Trabalho que conta com técnicos da Smov, Smic, SMC e Smurb. Medidas emergenciais foram adotadas: avaliação dos prejuízos, é autorizada a aquisição de cobertura provisória para substituir o telhado e proteger o interior do prédio. O município também poderá arcar com os custos de um gerador de energia; Smov deve agilizar conclusão de laudo técnico sobre os abalos da estrutura;


 
09.07
A ministra do Planejamento, Miriam Belchior, confirmou ao prefeito que as obras de restauração serão incluídas no PAC; Prefeitura disponibiliza aos permissionários linha de financiamento rápido; equipe técnica da seguradora avalia estrutura do prédio e autoriza a limpeza do segundo piso; Prefeitura, permissionários, empregados e Superintendência Regional do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) debatem a garantia do emprego dos funcionários das bancas e restaurantes;


 
10.07
Equipes do DMLU iniciam a limpeza do piso superior (a área estava isolada para perícia da Polícia Civil); representantes da seguradora realizam avaliação técnica a fim de dimensionar a extensão dos danos; técnicos da Smov avaliam as condições do prédio para instalação de cobertura provisória e recuperação da rede elétrica; Smam realiza o corte e a retirada das estruturas de madeiras danificadas; no térreo, os comerciantes permissionários realizam a limpeza e recuperação de seus espaços;

 

12.07
O vice-prefeito relata para cerca de 100 permissionários as medidas adotadas pelo governo para agilizar a abertura do Mercado; funcionários, juntamente com centenas de cidadãos e admiradores do prédio, abraçaram o Mercado;


 
14.07
O prefeito e o vice confraternizam no Chalé da Praça XV com a equipe do DMLU que realiza a limpeza do Mercado Público;


 
15.07
Mais de 60 funcionários do DMLU terminam a limpeza do piso superior. Após reunião coordenada pelo prefeito, que tratou da recuperação do Mercado, o vice acompanha a conclusão dos trabalhos, com diversos secretários. Com o local limpo, técnicos da SMOV, dão seguimento à inspeção que resultará no laudo estrutural, documento necessário para a reabertura do Mercado.


 
16.07
Representantes da Prefeitura, Corpo de Bombeiros e Ministério Público reúnem-se com o objetivo de construir alternativas para a reabertura do Mercado Público; 15 garis são deslocados para realizar a manutenção até a conclusão da reforma;


 
26.07
Integrantes do Conselho do Patrimônio Histórico Cultural (Compahc) visitam o Mercado Público e debatem alternativas operacionais para a restauração do prédio.

31.07
O secretário da Smov, Mauro Zacher e engenheiros do Grupo de Trabalho apresentam resultados da inspeção que resultou na definição do número de bancas liberadas para a reabertura;


 
02.08
O vice-prefeito, secretários, e o comandante interino do Corpo de Bombeiros, major Riomar dos Santos, reúnem-se com o promotor de Justiça Fábio Sbardelotto para tratar da reabertura do Mercado Público. Debatem a elaboração de um Termo de Ajustamento de Conduta, para garantir as condições de segurança para liberação do prédio;

 


05.08
O prefeito obteve a garantia da liberação de R$ 19,5 milhões do PAC Cidades Históricas para o projeto de revitalização do Mercado Público; Prefeitura, Ministério Público e Corpo de Bombeiros assinam o TAC que estabelece exigências e garante a reabertura do Mercado. O documento prevê que, após a conclusão de alguns pontos fundamentais para a prevenção de incêndios, o prédio estará apto a voltar a funcionar normalmente. Entre as exigências estão a implantação de alarme antifogo, placas sinalizadoras luminosas e treinamento de comerciantes para situações de risco. O prefeito em exercício Sebastião Melo visitou as obras de recuperação do Mercado, conversou com permissionários e vistoriou os serviços prestados pelas empresas contratadas.

 

 
07.08
Foi concluída a instalação da nova rede de energia elétrica. O prefeito e o vice acompanharam o momento em que a subestação foi religada e as luzes do corredor com face para a Avenida Borges de Medeiros foram acesas.


 
08.08
CEEE faz revisão de todas as bancas para reativar a energia. Fortunati afirma que a Prefeitura está tentando compatibilizar os cronogramas de projetos, contratação e execução das obras para que sejam concluídas rapidamente.


 
09.08
Após vistoria que confirma a adequação da estrutura às exigências de segurança para acesso do público, técnicos do Corpo de Bombeiros autorizaram a reabertura do Mercado Público. Inicialmente serão reabertos 73 estabelecimentos. Os oito restaurantes do andar superior e 29 lojas do quadrante voltado para a Júlio de Castilhos, com as estruturas afetadas pelo incêndio, permanecem fechados para as obras de recuperação. Prefeito anuncia a reabertura para terça-feira, 13 de agosto;

 

11.08
Na cerimônia de inauguração do Aeromóvel a presidente Dilma Rousseff reafirma o aporte de R$ 19,5 milhões para a recuperação do Mercado Público.


 
 
Sobre o Mercado Público:
Com um projeto do engenheiro Frederico Heydtmann, em estilo neoclássico e localizado em área de aterro do Guaíba, o prédio começou a ser construído em 1864 e foi inaugurado em 1869. Edificação quadrangular térrea, com torreões de dois pavimentos nas esquinas e pátio central, possuía salas internas e externas destinadas ao comércio e serviços.

Em 1912, para acompanhar a escala do Paço Municipal, o Mercado recebeu o segundo pavimento e suas fachadas foram ornamentadas com elementos arquitetônicos ecléticos.


 
Construído no Período Imperial, o Mercado Público acompanhou os principais fatos políticos da história nacional. Acompanhou também o crescimento da cidade e as principais transformações da estrutura urbana que constituíam o Centro Histórico, a multiplicação dos bairros, o surgimento e alargamento das avenidas e o equipamento do porto.


 
Patrimônio Histórico e Cultural de Porto Alegre, o Mercado Público, tombado como um Bem Cultural, passou por um processo de restauração entre 1990 e 1997, agregando mais qualidade a sua estrutura e recuperando a concepção arquitetônica original.  Com as diversas reformas tem estilo arquitetônico eclético. Com as obras, o Mercado também ampliou o seu número de estabelecimentos comerciais. 


 
Estima-se que 120 mil pessoas circulem pelo seu interior diariamente. Além disso, outros 1,2 mil trabalhadores respondem pelo atendimento dos 110 estabelecimentos comerciais.


 
Quatro incêndios e uma enchente:
Primeiro incêndio – Foi no dia 5 de julho daquele ano, fato tratado pelos jornais da época como “Violento incêndio”. De acordo com o inquérito, o fogo teve início na banca 19 de Zenettin &Irmãos, nas brasas deixadas num fogareiro que preparava a comida dos permissionários no interior da banca – o que era comum naqueles tempos. O incêndio não provocou vítimas e o dinheiro das bancas foi recolhido a tempo, bem como salvas as aves que estavam à venda.


 
Segundo incêndio  – Foi em 30 de dezembro de 1973, atingindo 13 bancas, segundo relato da imprensa. A cidade já estava impactada pelo trágico incêndio nas Lojas Americanas quando os bombeiros foram chamados para enfrentar o fogo que ameaçava o Mercado. O fogo começou na banca 12 e alastrou-se com rapidez.  A pronta intervenção dos bombeiros impediu que o incêndio assumisse maior gravidade. Acredita-se que o sinistro iniciou as 01h15 de domingo, dia 30, quando o relógio do Mercado parou de funcionar.


 
Terceiro incêndio – Em 15 de julho de 1979, recém recuperado externamente,  o Mercado sofreu novo incêndio provocado por um curto circuito na banca da Erva Mate.  Foi atingida toda a ala sudeste do prédio.  Cerca de 150 bombeiros, oito carros-pipa e uma escada Magirus foram mobilizados e o fogo foi dominado em menos de duas horas. Mas 10 bancas foram totalmente destruídas e outras 30 seriamente danificadas, além do desabamento da cobertura do quadrante mais atingido.


 
Quarto incêndio – O mais recente incêndio ainda está tristemente na memória de todos nós. Foi no último dia 6 de julho, informação logo disseminada pelas redes sociais, provocando comoção e solidariedade.  As labaredas naquela noite de sábado, indicavam grandes prejuízos, mas a eficiente ação dos bombeiros, auxiliado por unidades das cidades vizinhas, impediram que o fogo se alastrasse mais ainda internamente.  Assim, o prejuízo foi de parte significativa da cobertura e de grande número de espaços comerciais do segundo pavimento. Depois de um trabalho intenso dos poderes públicos e dos permissionários, parte do Mercado é devolvida hoje à população.


 
A enchente – Em abril/maio de 1941, semanas de ventos intensos e fortes chuvas levaram o Guaíba a avançar pelo Centro histórico. Cerca de um quarto da população de Porto Alegre foi obrigado a abandonar suas casas e quase metade das empresas suspenderam suas atividades. No Mercado, as águas atingiram a marca de 1m70 de altura, chegando com força suficiente para destruir bancas e equipamentos, carregar e misturar produtos. Alguns permissionários tentaram salvar seus produtos, mas perceberam ser um esforço inútil, desistiram de reabrir as bancas e devolveram os espaços à Prefeitura.

 

 

Foto: Ricardo Stricher/PMPA

 

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