Ponte de Pedra, a travessia da memória de Porto Alegre

Um dos monumentos mais históricos e significativos da cidade, a Ponte de Pedra situa-se no local denominado Largo dos Açorianos. Antes, quando cruzava o arroio Dilúvio era a única ligação entre as chácaras do sul e o centro da cidade. Ela surgiu substituindo uma primitiva ponte de madeira erguida quase no mesmo local em 1825. Várias vezes reconstruída em
razão dos estragos causados pelas enchentes e pela deterioração natural da madeira, foi fechada ao trânsito em 1848, quando já estavam quase finalizadas as obras para uma nova ponte, mandada edificar em 1846 pelo Conde de Caxias, então o presidente da província. A nova obra deveria ser mais durável e foi construída de alvenaria de pedra, sendo inaugurada
também em 1848. Em 1937 o arroio começou a ser retificado e a ponte perdeu a sua função, mas sobreviveu como memória daqueles tempos. Transformada em monumento urbano e testemunha do passado, o monumento de pedra foi tombado pelo município em 1979 e ganhou um espelho d’água sob os seus três pilares em arco.

A história, pelos seus cronistas e documentos
No século XIX e início do século XX Porto Alegre tinha muitos cronistas urbanos. Um deles, e dos mais famosos, era Pereira Coruja, mais conhecido simplesmente como Coruja. Em seu livro, sempre muito citado, “Antigualhas”, ele diz que, quando o Conde da Figueira, governador da
Capitania entre 1818 e 1820, mandou abrir o “Caminho de Belas”, hoje correspondente à Av. Praia de Belas, ainda não havia ponte para ligar a cidade com a margem esquerda do Riachinho. Diz o cronista: “… atravessava-se o riacho ‘calcante pede’ no tempo de verão em que apenas
dava água pelos machinhos”. Pouco depois, entretanto, no governo do Visconde de São Leopoldo, em 1825, mandou-se construir, com subscrição de moradores interessados na obra, uma ponte de madeira sobre o Riacho, junto de sua foz no Guaíba, um pouco mais abaixo da atual Ponte de Pedra.

Essa primeira ponte de madeira sofreu repetidos danos e passou por várias reconstruções. Em 1830, a ata da Câmara Municipal fala em “ponte novamente reedificada” sinal certo de que a primeira já fora reconstruída. A segunda, depois da enchente de 1833, se encontrava seriamente danificada “por ter dado de si os encontros e a maior parte das madeiras estavam podres”, conforme se lê em um orçamento de conserto feito pelos
construtores Laureano A. Dias e Evaristo Gonçalves de Ataíde.

Essa precária ponte do Riacho foi registrada na planta de L. P. Dias, do ano de 1839. Mas não se imagine que houvesse sido consolidada pelos repetidos consertos: em 1844, a Câmara Municipal tornava a dirigir-se ao presidente da Província, fazendo sentir “a grande necessidade que há de compor-se a ponte do Riacho desta cidade, visto que não tem guardas e
acha-se bastante arruinada”.

O relatório do Conde de Caxias para fazer a Ponte de Pedra

O Conde de Caxias, então o presidente, entrou em ação. Seu relatório de 1° de março de 1846: “Depois de ter mandado consertar por várias vezes a ponte de madeira do Riacho, nesta cidade, tive por mais vantajoso, atendendo ao seu estado de ruína, de fazer construir nova ponte de pedra na embocadura da rua da Figueira, como lugar mais favorável ao trânsito público; feita a planta e o orçamento, pôs-se a obra em arrematação e já
nela se trabalha”. A obra começou em 1846, a Ponte de Pedra ficou pronta em 1848.

A Ponte de Pedra e o turismo

Segundo informações da Secretaria Municipal de Turismo, no roteiro do city tour Linha Turismo, os passageiros têm uma vista um pouco à distância do monumento, mas ele é sempre citado pelo guia, que faz um breve resumo sobre o período histórico em que a ponte fazia parte do cotidiano da cidade e sua gente.

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