Polêmicas do velho Mercado

A preocupação com a qualidade dos produtos vendidos no Mercado Público já era uma realidade no princípio da história do local. A fartura de opções disponíveis no velho Mercado sofria com a falta de organização dos comércios da época. Com isso, foi preciso colocar ordem na casa e a venda de carnes, segmento que mais sofria com a falta de recursos, precisou se adequar.

 

Foto: Arquivo/JM

Em seus primeiros anos de existência, o Mercado Público funcionava a todo vapor, sendo possível encontrar desde frutas e verduras até objetos diversos de muito ou pouco valor. Os armazéns de secos e molhados, localizados nos “quartos” do edifício central, dividiam espaço com tabuleiros, tendas improvisadas e galinheiros dispostos de modo precário no pátio interno. Mesmo com os avanços na estrutura do prédio, como iluminação, água e sanitários, as condições de higiene do local foram intensamente questionadas, principalmente pela imprensa da época. “Os quartos do Mercado foram construídos para açougue, pequeno comércio de frutas, legumes e especiarias, e não para companhias, barbeiros, lojas de tecidos e tutti quanti ali existe, infectando a carne que o povo consome para, em seguida, ser consumido pelas legiões de bactérias que ela adquire”, escreveu o cronista Aldebaram, da Gazeta da Tarde.

Além da precária organização, também não havia aparelhos de refrigeração para as carnes, gerando uma preocupação especial com os açougues. Por conta disso, em setembro de 1894, por meio de um edital, a Intendência Municipal estipulou novas regras para os açougues no interior do Mercado. De acordo com o documento, o comércio de carnes só poderia ser feito até as 11h no verão e o meio-dia no inverno. Após esses horários, os produtos seriam retirados e o local do estabelecimento deveria ser lavado e conservado “sempre no maior estado de asseio” — ou seja, com a limpeza bem-feita. O permissionário que não cumprisse com essas obrigações pagaria cinco mil réis de multa.

Mesmo com a fiscalização, a polêmica foi uma constante até a década de 20, época da grande reforma que procedeu o incêndio de 1912, quando foi construído um grande frigorífico para os permissionários.

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