PJ: Achei a felicidade juntando skate com jornalismo

PAPO DA IPANEMA

PJ: Achei a felicidade juntando skate com jornalismo

Em 2005 o jornalista Paulo Barck Jr. fez um retiro espiritual em um templo budista de Três Coroas durante três meses. Saiu de lá renovado, disposto a dar novos rumos na sua vida. E com novo nome: PJ, dado pelo seu mestre budista. “O mestre disse que eu tinha sido monje em outra vida e que eu tinha que falar muito. O nome veio de uma abreviação: P de Paulo e J de Júnior”, conta. Na época ele já era jornalista e profissional do skate. O esporte, porém, “não dava muita camisa e não tinha como dar uma vida plena”, diz ele, que saiu de lá disposto a grandes mudanças.

     “No templo descobri que eu tinha que voltar para aquilo que eu amava. Abandonei a camisa e a gravata de jornalista e procurei alguma coisa que mesclasse isso, essa química de jornalista e skatista. E deu certo, como havia previsto o mestre”, resume. E assim começou a caminhada, agora sob um nick name budístico, uma vez que quando se entra em templo é preciso renegar o seu nome. Nesse período ele morava em Torres e trabalhava no SBT de Criciúma. Essa “mudança cósmica” chegou com muita força, apontando para a direção de um jornalismo incisivo de skate, ou como ele define, “um jornalismo investigativo, só que de rodinhas”. Hoje, apresentando o Programa Skate Show, na Ipanema, e fazendo parte dos Esportes da Band, ele carrega a bandeira do skate como uma forma “de acordar e despertar a consciência das pessoas.” E tem convicção que o skate formata um ser muito crítico. “Muita gente que olha o skatista de fora não imagina que ele é crítico por natureza, punk, subversivo, gosta de fazer política, entende de política. É um cidadão do mundo, de bem”, avalia. Contudo, ele considera importante que essa galera tenha consciência, esteja ligada na hora de votar e cada vez mais mostre-se líder e guerreira na sociedade.

 

A força do skate

          Ele lembra que o skate já teve grandes fases, inclusive no começo dos anos 90, quando ele era também um grande praticante.  “O Collor (presidente que renunciou na época),  naquela década fez todas as marcas afundarem e o skate foi muito prejudicado. Muita gente boa parou, gente que era peso pesado”, recorda. Mas ele não, afirma. “O meu coração nunca abandonou o skate”. Passado o mau tempo, PJ vislumbrou uma nova era – a de Aquarius, onde as pessoas, céticas ou não, iriam valorizar ainda a liberdade budista, astrologista. “Uma nova era que mudou, porque todos estamos cansados com essa gente que nos engana” diz, referindo-se aos políticos.  Assim, o skate retomou seu crescimento. Hoje só em Porto Alegre já são mais de 400 mil skatistas.  Junto com São Paulo, forma os maiores pólos do esportes no Brasil, tanto em número de adeptos quanto na esfera econômica. E o esporte é o segundo mais praticado no país. Fato que explica a forte influência do skate na moda e outras culturas e expressões. Este crescimento,  no seu entendimento, certamente se deve à forte união entre os adeptos. “Eu comparo muito o skate com a maçonaria, mas sem templos, paredes e dogmas. A tribo se ajuda muito. Temos três pilares: a construção, porque o skatista é um construtor, a liberdade e a ajuda mútua”.

 

O skate no futuro

    Vislumbrando um futuro ainda mais promissor, Pejota faz um trabalho forte junto à Federação Gaúcha de Skate. Para ele o importante é trabalhar bem a cabeça dos praticantes para formar o skatista do futuro. Ele destaca que hoje o campeonato não é tão importante. Muitas vezes aqueles que realizam manobras novas e mais radicais acabam se destacando mais, gerando mídia e atraindo as marcas. “Hoje o skate é um polvo com várias ações multimídia, vídeo, foto, publicidade, que é o paradigma para as marcas que querem visibilidade. E o que sustenta o skatista é a presença na comunidade do skate”.  Mesmo assim, em 2011 o circuito gaúcho de skate retornou com força em suas cinco etapas. Pejota, que acredita ser o skate o futebol do futuro, faz questão de citar grandes skatistas do momento. E promessas, que já estão se realizando: “Um deles é um dos grandes gênios mundiais, o Carlos Hique. E tem o Marlon Silva, que anda pela Vans, fera em rampa, street, ladeira. E um talento que já está estourando, Gabriel Dornelles, que corre pela Mad Hats, que tem a maior equipe de skatistas no estado.” Lembra também Luan Oliveira, com grande poder criativo, com “manobras nunca vistas”. E claro, Danny Way, o skatista que pulou a muralha da China e abriu novos horizontes para o skate no mundo.

COMENTÁRIOS