Cristiano Quevedo – Peleia artística pelo Rio Grande

Cultura Gaúcha, por Letícia Garcia

 

Foto: Letícia Garcia

Cristiano Quevedo é cantor e compositor, nascido em Piratini-RS. Envolvido com arte tradicionalista desde guri, Cristiano está hoje em seu oitavo CD, e também faz parte do grupo Buenas e M’Espalho (com Shana Muller, Érlon Péricles e Ângelo Franco), que lançou este ano seu segundo trabalho. Cristiano é a fala de estréia da coluna Cultura Gaúcha, que trará todo mês um tema diferente, abordando as diversas facetas da nossa cultura.

 

Bandeiras para pelear

Artistas regionalistas são uns farroupilhas atuais – sempre peleando, mas não com guerra: são uns farrapos que tiveram que se alçar e levantar as lanças e uma bandeira para pelear. Nossa bandeira é a arte e a cultura do nosso povo, e nossa lança é a nossa voz, nossa música. Precisamos, cada vez mais, de espaços, e precisamos mostrar a música regional para as pessoas. É muito difícil gostar de uma coisa que não se conhece. Então, para que as pessoas gostem de música regional gaúcha, elas têm que conhecer, e, para elas conhecerem, a gente precisa estar numa luta diária. Nós somos uns ativistas culturais, e nos orgulhamos disso. É uma luta para que a gente possa exteriorizar esse sentimento em forma de dança, canto, poesia, alegria. Mesmo vivendo no nosso estado, é sempre muito difícil um espaço para a arte e a cultura do nosso povo.

Então quando tem Expointer, Semana Farroupilha, o Parque da Harmonia, um CTG que faz um fandango, ou qualquer evento cultural gaúcho, é sempre lotado, porque tem poucos espaços e todo mundo quer exteriorizar esse sentimento de amor pelo Rio Grande do Sul. Hoje as melodias, as músicas, vão se aproximando mais das pessoas. Temos que ter bons poetas, bons músicos, bons artistas no palco, órgãos de imprensa nos apoiando, o público presente, um som bom, então são vários elos – se todo mundo também for um ativista cultural. Tem tanto festival abrindo porteiras para novos artistas, novos e bons, então eu vejo um futuro positivo, porque o Rio Grande do Sul é um manancial inesgotável de cultura. E essa cultura gaúcha é uma peleia eterna, mas prazerosa.

 

Tradição e diálogo

Com a minha música, procuro levar alegria, mas também emocionar, chamar a atenção para os costumes e a tradição do meu povo, para que, no futuro, nossos filhos e netos saibam como foi criado esse estado, por que a gente usa bombacha, por que canta o cavalo, a prenda, o peão, o chimarrão. São elementos muito fortes no coração da gente. Tento chamar a atenção para isso, porque senão vamos viver um estrangeirismo total (como já vivemos) no falar e no vestir. E não tem nada mais universal que o regional. Com o Buenas e M’Espalho (que é um encontro de amigos, mas, principalmente, a exteriorização de um sentimento), a gente busca aproximar, usar todas as ferramentas possíveis para dialogar com todos os jovens, e com todas as outras tendências musicais, que só acrescentam na nossa. É o tradicional de uma forma mais arejada. É “esta audácia de buscar o novo, sem pisar o rastro”, e reacender sempre a brasa, sempre a chama de amor, de tradição, de cultura no coração das pessoas.

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