Peixarias do Mercado: personagens e histórias

SEMANA NACIONAL DA PESCA NO MERCADO PÚBLICO. 25 DE SETEMBRO A 08 DE AGOSTO

O Mercado Público de Porto Alegre sempre teve tradição no comércio do pescado, quando ainda se consumia os peixes do Guaíba.

César e seu amigo Carlos

Conservados no sal ou ainda fresquinhos, também testemunhou a época em que se utilizava o gelo para resfriá-lo. depois, presenciou a chegada da energia elétrica e das câmaras frias. Para contar esta história, procuramos alguns destes peixeiros no Mercado, para saber um pouco mais sobre o seu dia-a-dia.
Dois amigos de longa data
Um amigo de peixaria também participa da conversa, Antônio César Brandão. Além de ter o mesmo segundo nome de seu amigo, também está há 32 anos no Mercado. Mas somente em 1979 eles começaram a trabalhar juntos, na Japesca. “Fazem quase 30 anos que trabalhamos juntos e sempre nos demos bem, revela Antônio.
Naqueles tempos eles chegavam às seis e meia da manhã e trabalhavam até as onze e meia da noite. E ainda trabalhavam aos domingos até o meio-dia. Atendiam seus clientes na famosa “Coréia”, onde ficavam as bancas de pedras com os peixes expostos para a clientela. “Naquela época havia mais variedade de peixe e os clientes só vinham para o Mercado. Ainda não havia a concorrência de outras peixarias e das redes de supermercados”, lembram os amigos.

Clientes famosos, outros nem tanto…

Os dois continuam vindo trabalhar às seis e meia da manhã, mas ficam até às sete e meia da noite. A banca proporcionou aos dois conhecerem diversas pessoas que eles admiram, como jogadores da dupla Grenal, o Tarciso, Flecha, Laurindo e  Juarez. Também freqüentam jornalistas como o Pedro Ernesto Dernardin, Ha-roldo de Souza e o Lasier Martins.

 

Começa a poluição, acaba o peixe

Quando é véspera de semana santa, segundo eles, o movimento triplica, tendo que contratar mais pessoal para atender o público. Os dois também gostam de comer um peixe. Carlos diz que comia muito peixe de água doce. Pintado e piava eram os que mais gostava. Mas com a poluição da lagoa, acabaram-se os peixes. E os que restaram não são próprios para o consumo.

 

A vida no Mercado

Quando perguntados sobre o que significa trabalhar no Mercado Público, sorriem. Carlos se antecipa: “É muito bom trabalhar aqui, o pessoal é a nossa família, pois é aqui que passamos nossos dias, quase 14 horas”. Antônio com-plementa: “Gosto quando tem Copa do Mundo e o pessoal fecha a banca e se reúne na outra loja para torcer pela nossa seleção”. Carlos e Antônio trabalham na peixaria Propesca e contam que na época da reforma chegaram a ficar três meses parados. Mas que tudo voltou ao normal e hoje eles vendem muitos filés de pescada, merluza e pescadinha.

 

Polaca: a presença da mulher nas peixarias

As peixarias eram territórios onde a predominância era masculina, mas isto mudou quando Nilda Maria dos Santos chegou no Mercado. Foi uma das primeiras mulheres a trabalhar nas bancas de peixe e a que está a mais tempo, desde 1982. Foi através de seu falecido marido, o Catarina, que era pescador e depois foi trabalhar em uma peixaria, até que conseguiram comprar a sua própria banca. “Não podíamos pagar funcionários, então vim ajudar. No começo eu nem conhecia peixe direito”, lembra.
Hoje ela é conhecida por todos pelo carinhoso apelido de Polaca. No início ela chegava às cinco horas da manhã, saindo às oito horas da noite. “Naquela época havia mais peixe e mais fregueses. Hoje o movimento caiu e as despesas aumentaram, não está fácil se manter”, comenta.
Em compensação, para ela, não poderia haver lugar melhor de se trabalhar do que no Mercado. Recorda das festas que aconteciam na sede campestre, na Casa de Portugal e também dos bailes promovidos no segundo piso. Ela mesma define: “Aqui nos divertimos muito, este é o nosso diferencial. Nossos fregueses sentem isso e sabem que em outros lugares não tem este astral”, orgulha-se.

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