Paraíso e lixão, circos e bondes

Praça 15 de Novembro
Extensão: entre as ruas Marechal Floriano Peixoto e José Montaury, a Av. Borges de Medeiros e o Largo Glênio Peres
Foto: Letícia Garcia

O Centro Histórico tem este nome por uma razão: concentra os espaços mais antigos da cidade. Entre eles, a Praça 15, cuja história remonta ao início do século XIX, quando já havia o projeto de torná-la um espaço público.

A ideia não foi adiante e ela virou um ponto de prostituição, talvez o primeiro da Vila de Porto Alegre, e passou a ser chamada de Praça do Paraíso. A primeira referência à área nas atas municipais, em 1811, usa, inclusive, este nome.

Como era comum no período, não demorou para que um morador reivindicasse a Praça para sua propriedade, mas a Câmara garantiu o espaço como público, com o aval do governo da capitania.

Garantido isso, uma vistoria registrou o seu tamanho total em 5.755,20 m².

A partir de então, a Praça abrigou quitandeiros, negociantes, carretas, um mercado (antes da construção do Mercadão) e até um depósito de lixo.

 

Intervenções e mudanças

A Praça 15 desenvolveu um mercado de peixe e passou a receber quitandeiros e outros comerciantes deslocados da Praça da Alfândega por uma medida oficial em 1820.

Nove anos depois, foi determinado que na sua área central seria colocado um depósito de lixo, que em pouco tempo precisou ser soterrado.

A situação começou a mudar em 1842, quando o presidente da Província, Saturnino de Souza e Oliveira, determinou a construção de um primeiro mercado na Praça 15, aberto em 44 e que funcionou até a inauguração do Mercado Público, em 1869.

A construção do Mercado Público fez os vereadores perceberem a necessidade de urbanização do seu entorno, o que incluiu a Praça 15.

No mesmo ano, a sua área foi aterrada novamente, o mercado antigo foi demolido e ela foi rebatizada para Praça Conde D’Eu. O seu espaço aberto começou a atrair a instalação de circos, a ponto de o Circo Universal ser autorizado a construir, em 1875, uma armação de madeira no local.

Com a retirada do circo em 78, no ano seguinte foi iniciado o ajardinamento e arborização da Praça, com orçamento municipal aprovado pela Câmara, que deu início imediato às obras de construção de um gradil de ferro para o seu cercamento, com acesso por quatro portões.

A reinauguração oficial foi em 1882 e, em 84, foi instalado ali um chafariz francês — transferido para a Redenção nos anos 1940.

Em 1889, após a proclamação da república, ela foi renomeada para Praça 15 de Novembro.

Com a virada do século, passou pelas últimas grandes intervenções, presentes até hoje: em 1911, recebeu o Chalé e, em 1930, o Abrigo dos Bondes, espaço que foi prolongado mais tarde, desativado nos anos 1970 e concentra hoje variadas lanchonetes.

Em 2014, ela passou a abrigar a obra Painel Afrobrasileiro, que integra o Museu do Percurso do Negro, um dos primeiros deste modelo na América Latina.

COMENTÁRIOS