Papas da Língua No tom do Mercado Público

Papas da Língua

No tom do Mercado Público

 

A banda tinha um show no Largo Glênio Peres, nas comemorações de aniversário da cidade, em uma noite que a chuva ficou, felizmente, só na ameaça. Uma ótima oportunidade para ouvir a opinião dos seus músicos sobre o Mercado. Deles, o único que não tem frequentado muito o Mercado é o seu líder, o vocalista Serginho Moah. Mas os outros têm relações mercadeiras há muito tempo, alguns até mesmo de infância.

 

Serginho Moah

 

Eu tenho uma relação muito próxima com a ideia de visitar o Mercado Público de uma maneira mais intensa. A gente está sempre envolvido com uma coisa aqui e ali. Eu mesmo, sinceramente, acabo não vindo aqui. Mas sei que vários lugares, do Brasil e do mundo, têm o seu mercado público. O de Florianópolis, com aquela banca muito famosa por receber gente de todo o Brasil. Aqui também sei que tem os points, mas estou um pouco afastado. Mas aconselho. Me lembro que num evento Porto Alegre-Montevideu fomos visitar o mercado público de lá, maravilhoso, comemos uma paella. É bacana, acho uma cultura muito bonita. O Mercado está completamente inserido na nossa cultura.

 

Fernando Pezão

 

A minha relação com o Mercado começou na infância, quando eu vinha com meu pai fazer compras. Naquele tempo, não tinha supermercado, existiam só mercadinhos. A gente vinha e tinha a famosa Banca 40, de sorvetes. Todos os porto-alegrenses queriam passar na Banca 40. Eu, como criança, queria ficar na Banca 40. Acho de suma importância um mercado para uma cidade, até por causa dos preços. É uma questão de economia também. Somos privilegiados de ter um mercado público assim, com essa exuberância.

 

Zé Natálio

 

Eu trabalhei na agência central do BB aqui no Centro. Então, passava na frente do Mercado Público durante a minha adolescência inteira. Eu caminhava ali dentro e adorava ver aquela diversidade toda, de produtos, de ervas-mates diferentes, especiarias, e eu levava tudo o que o dinheiro de um office boy permitia.

 

Leo Henkin

 

A minha (relação) também é desde a infância. Vinha para tomar sorvete com salada de frutas, a minha mãe trazia quando a gente estava incomodando muito. Era a melhor salada de frutas e o melhor sorvete que tinha na cidade. Mais tarde, já na adolescência, fui descobrindo outras coisas, o restaurante Gambrinus, que tem uma comida maravilhosa. E com o tempo, os próprias lugares da feira, diferenciados. Quando comecei a cozinhar, comecei a comprar os temperos, as azeitonas de todos os tipos, ricotas, raiz forte, piava. Enfim, um lugar central clássico de Porto Alegre, para ser frequentado mesmo. Tem tudo a ver com a cultura. Toda a cidade do mundo tem um mercado, ao redor do qual a cidade se desenvolveu. Acho que esse é o grande barato da cidade. Isso é cultural. Fora o prédio, que sempre foi um símbolo cultural da cidade. Acho que é uma referência, para quem é porto-alegrense, principalmente geográfica “é ali perto do Mercado”.

 

Foto: Letícia Garcia

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