Paola Santi Kremer: “Sempre fui fã da Ipanema”

Paola Santi Kremer: “Sempre fui fã da Ipanema”

  Ela está apenas há um ano na Ipanema e representa, de certa forma, a nova geração na já histórica rádio que, depois da Rádio Continental dos anos 70, foi a principal emissora da renovação do rádio gaúcho, especialmente no chamado segmento jovem. Paola Kremer, 21 anos, estudante de jornalismo, literalmente sintonizada com a Ipanema, espera um dia ter o seu programa, mas por enquanto segue muito antenada nos mestres que abriram e fazem o caminho da “ovelha negra” do dial gaúcho.

Sempre fui fã da Ipanema, eu “meio” que procurei a rádio, não ela que me procurou. Acho que a parte mais inspiradora da Ipanema é a mistura de cultura pop com conteúdo em geral, inclusive político. Isso eu vejo como uma linguagem diferente

 

N Coisas, o programa

     Tenho muito do “N Coisas” porque é um programa muito eclético e aberto, de teatro à política. É interessante para o jovem porque tem coisas que ele não está acostumado a lidar. Entre as FMs musicais não existe isso, de tentar promover uma reflexão, existe o “maisntrean” – músicas que as pessoas estão acostumadas a escutar. Isso é um grande diferencial. O importante é mostrar uma linha nova de raciocínio, uma novidade, de fazer diferente. É uma porta para essas novidades, não só musical, mas do mundo, que é plural, como ele. 

 

 

Relação com Heron

     Eu e o Heron? A gente conversa, pauta, eu indico, ele indica, a gente seleciona. Ele é o entre­vistador principal e eu dou “pitacos”, toques. Represento uma voz jovem, eu tento aproximar o assunto do interesse da minha geração, enquanto ele já está com preocupações mais avançadas. Acho essa uma boa dinâmica.

 

 

 Feedback do público

     Tem textos polêmicos que atraem muita interatividade. Por exemplo, a legalizaçaão da maconha. Até sobre ETs deu muita participação dos ouvintes. Tem assuntos que fazem as pessoas quererem opinar muito. Existe o “ipanêmico”, que cola adesivo na testa, porque tem muita identidade com o conteúdo. Existe esta admiração pela Ipanema, porque sabem que não é fácil, ou seja, o mais indicado comercialmente para tentar promover uma reflexão. É isso que relaciona alguém com a Ipa­nema, o querer ser diferente, o querer ir além. 

 

 

Realização e liberdade

     Sou muito feliz, não me imagino em outro lugar. Todo mundo que se envolve com a Ipa­nema, “abraça” e quer fazer o melhor possível. Porque a gente tem uma missão, que vai além de lucrar, uma missão que é levar o rock, a cultura, para as pessoas e todos os dias a gente faz isso aqui dentro. E o N Coisas é um exemplo de, através da música, não se prender a conceitos musicais. Muitas rádios se dizem livres, mas o fato de o locutor que está no ar no momento poder escolher absolutamente qualquer música que ele queira é o que faz uma rádio livre. 

 

 

Coisas boas e rins

     Ruim: tem muito trabalho burocrático que não é estimulante, mas que é necessário. E boas, é fazer as coisas acontecerem, principalmente quando elas dão certo e promovem a alegria e fazem as pessoas felizes. 

 

 

Programa próprio

     Com certeza, um dia o meu dia vai chegar e na hora certa isso vai acontecer. Quando eu estivar madura suficiente para isso e com uma ideia que esteja à altura da Ipanema. 

 

 

Divulgando novos sons

     Aí que está, essa liberdade do locutor interfere até nisso. Muita gente nos procura através do site e a grande pergunta é: como faço para divulgar um som na Ipanema. É importante que saibam que não é uma pessoa que faz a programação. A pessoa deve, acho que é o melhor caminho, identificar o locutor que tem a cara do seu som. Se é metal pesado, vai procurar o Heron. Enfim, procurar e fazer o contato com o locutor mais indicado. É o melhor caminho porque vai estar falando com uma pessoa diretamente e não com um sistema de divulgação. Não tem locutor aqui dentro que não seja aberto para isso. Todo mundo está bem claro da sua missão e estão sempre passando contatos, on line, telefone, então, não tem mistérios.

 

 

 Rádio e influência nos ouvintes

     O melhor exemplo disso, desse retorno, é na festa da Ipane­ma, que acontece uma vez por ano, com 50 mil pessoas, gratuita. A gente sempre coloca bandas que ainda não fazem parte do que é o rock gaúcho (consagrado) e elas já têm fãs. Naquele momento tu enxergas como elas (as pessoas) conheceram as bandas através da rádio, porque é a única rádio que toca bandas diferentes. Têm fãs, um público pronto para consumir essas músicas novas, só precisa ter um canal tipo a Ipanema para fazer essa ligação. E isso é comunicar. Então, esse também é o papel da festa, quando a gente vê isso muito bem. É mágico, lindo de ver. 

 

 

Aprendizado pós-Ipanema

     Eu me considero outra pessoa. Mudei muito desde que entrei. É um privilégio enorme trabalhar num lugar assim. Aprendi muito sobre música e o mercado de trabalho. Como eu disse, não me imagino noutro lugar, porque não tem outra motivação maior do que trabalhar num lugar que tenha objetivo como o de acrescentar coisas às pessoas. 

 

 

Mercado Público

     Eu teria muito orgulho de trabalhar para o Mercado Público também, acho um lugar maravilhoso. Uma das coisas que a gente tem que ter orgulho de Porto Alegre. Não aconselharia outro lugar para consumir ou para tomar alguma coisa do que o Mercado. Acho lindo.

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