Olhares maternos

Coração de mãe é tão grande que cabe toda a família e ainda sobra espaço para o Mercado Público. Elas foram trazidas por suas mães e avós e, hoje, seguem o mesmo hábito com os seus filhos. Neste mês especial, trazemos algumas dessas boas histórias.

 

 

De geração a geração

Leci Lopes dos Santos, de 83 anos, é nascida e criada em Porto Alegre. Começou a frequentar o Mercado ainda pequena, na companhia da sua avó. “Minha família me trouxe para cá. Eu vinha bastante com a minha avó, ainda quando era pequena”, conta. No Mercado, gosta de comprar caça-palavras, coco, nozes e temperos — sem esquecer dos panos de prato.

“Um dos meus filhos também gosta de vir e traz o meu neto. O outro, mais velho, mora em Guaíba, mas, do mesmo modo, vem ao Mercado com a minha nora sempre que pode. Eu sempre incentivei toda a família a vir”, diz.

 

Mãe do Mercado

Aos 65 anos, Geci Braga conta que a única coisa que não conseguiu na vida foi ser mãe. Mas, sem pensar muito, afirma: “eu sou mãe do Mercado”. A porto-alegrense é vendedora de cosméticos e já frequenta o Mercado há mais de 50 anos. “Eu venho até aqui trazer as coisas para o pessoal. Muitos não têm tempo e sempre que posso, ajudo”, diz.

Ainda aos 15 anos, ajudava o seu padrinho na banca de revistas e, com o tempo, foi criando laços com o Mercado. “Eu tenho paixão por esse lugar. O domingo é o pior dia da semana para mim, só por saber que o Mercado está fechado. Não consigo ficar longe daqui”, finaliza.

 

Avó, mãe do coração

Olhando ao seu redor e apontando para cada detalhe que não saiu da sua memória, Beatriz Silva lembra com carinho do Mercado de alguns anos atrás. Sempre frequentou com amigos e família. Hoje, leva essa herança para a sua neta. “Ela adora vir comigo, ficar olhando peixinhos na loja de aquários e tomar sorvete na Banca 40. Eu faço questão de trazer”, conta.

Depois de tantos anos, Beatriz enxerga o Mercado com saudade nos olhos. “Eu lembro do quanto eu chorei depois do último incêndio. Esse lugar sempre foi de festa para mim e, hoje, eu só espero que as coisas melhorem.”

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