O veraneio e a churrasqueira

Para muita gente, a temporada de veraneio começa quando se acende a churrasqueira e termina quando o fogo se apaga um mês depois!

 

BURGOMESTRE, por Sady Homrich

É churrasco todo dia, ou melhor, toda noite, depois de passar o dia na praia curtido a areia, mar, lagoa ou rio, alternando pico de calor com um mergulho para refrescar. Alguns aproveitam para nadar, caminhar, correr, colocar a leitura em dia, mas a maioria só joga conversa fora e não faz absolutamente nada.

Ao chegar em casa, já toca logo mais carvão no fogo que não havia se extinguido totalmente, joga uma gordura para ajudar a pegar e para alertar os vizinhos com aquele aroma inconfundível. Enquanto isso, a cerveja gelada já está harmonizando com o momento do setor mais frequentado das casas de praia! Tente manter o nível etílico sob controle…

Só que, a cada temporada, chega alguém para questionar essa volúpia pelo consumo de carne. A nova namorada de um amigo, um genro vegano, novos tempos, novos hábitos. Tem assador que se enerva e enche a galera de pão com alho. Eu curti a diversidade e comecei a fazer xixo de abobrinha, berinjela, pimentão, tomate, cebola, queijos e vários tipos de peixe, ampliando as opções de cardápio, abrindo ainda mais o leque de cervejas para acompanhamento. Se ficar nos legumes, sugiro Belgian Blonde Ale ou uma Witbier bem refrescante.

O bom é manter a mente aberta. Lembro de uma enorme parrilla no Mercado Del Puerto, em Montevidéu, Uruguai, com um suculento polvo sendo lentamente assado às brasas! Fui obrigado a sentar, pedir um com uma boa cerveja Weizendunkel, escura de trigo com maltes tostados.

Ainda tem aqueles que ficam dando pitaco no ponto da carne: “Ai, Deus me livre, eu não como carne sangrando!”. Cada corte tem seu ponto preferencial de cozimento, mas gosto é gosto.

Agora, muita gente pensa que a cor vermelha característica dos cortes de carne animal deve-se ao sangue. Isso não é verdade. Você concorda que bovinos, aves, suínos, ovinos têm sangue, né? Assim como na posta de peixe, a carne do peito do frango ou o lombo do porco, quando crus, malpassados ou cozidos, quase não apresentam resquício de líquido encarnado, diferente da picanha, entrecot ou filé-mignon dos bovinos e ovinos. Pois bem: a cor avermelhada das carnes deve-se a uma proteína chamada mioglobina, cuja função é guardar o oxigênio nos músculos, para que estes respondam rapidamente a qualquer comando.

A hemoglobina, célula vermelha do sangue, em contato com o oxigênio do ar logo fica “cor-de-casca-de-ferida”, ou seja, marrom. Já o efeito do ar na mioglobina é diferente: ela transforma-se em oximioglobina, com coloração “vermelho-cereja-vivo”, que nos indica carne fresca, tanto pela cor como pelo odor característico. O sangue que correu nas veias desses animais que irão nos alimentar ficou, quase a totalidade, nos frigoríficos onde foram abatidos. Não se apavorem, provar aquele suquinho que escorre da carne não irá transformar você em um vampiro.

Mas seja no espeto, fogo de chão, parrilla ou grelha, o ritual que envolve fogo, lenha, carvão, boa comida traz amigos para serões descompromissados e bem conversados. Aproveite o calor e ofereça uma American Pale Ale, que traz lúpulos norte-americanos de aromas cítricos pungentes como as inesquecíveis noites de verão!

 

Abraço do Burgomestre,

Que a fonte nuuuunca seque!!!

Sady Homrich é baterista da banda Nenhum de Nós, engenheiro químico e especialista em cervejas

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