O tombamento

Sob uma séria ameaça de demolição, mercadeiros, jornalistas e população se organizam para proteger o Mercado nos anos 1970.

 

O abandono do Mercado Público pela municipalidade, somado ao grande crescimento das bancas e alguns improvisos perigosos, fizeram com que o Mercado chegasse a uma arriscada situação de desordem nos anos 1970.

As inseguranças e dúvidas sobre o prédio apareciam constantemente na imprensa. Mas longe de pensar numa solução para o Mercado, o poder público do período se colocou do lado da “modernização” da cidade e da economia para a prefeitura — e a solução era demolir o prédio.

A ameaça que emergiu forte nos anos 1970 começou bem antes. Desde o final da década de 1940, havia a intenção da demolição. Nos anos 50, o Plano Diretor pretendia abrir espaço para os carros, estabelecendo a criação de uma avenida perimetral para unir as Avenidas Siqueira Campos e Júlio de Castilhos, passando sobre a área do Mercado. Com o início da ditadura militar, a ideia foi sendo levada adiante.

O primeiro prefeito nomeado pelo regime, Célio Marques Fernandes, anunciou a construção de um estacionamento sobre a área do Mercado que não fosse ocupada pela avenida. O nomeado seguinte, Telmo Thompson Flores, conseguiu reunir a verba necessária para executar o plano a partir de 1969, com a proposta de construir um novo mercado em outro local.

A população imediatamente reagiu em defesa da preservação do prédio, apoiando-se na imprensa, liderada pela escrita do jornalista Walter Galvani. Os mercadeiros também elevaram a voz em defesa do Mercado, com destaque para Antônio Mello, o Toninho do Gambrinus.

Em 1971, espalhou-se pela cidade uma intensa campanha em defesa do Mercado. A resistência de mercadeiros e frequentadores fez com que os anúncios de demolição fossem diminuindo. O novo prefeito nomeado, Guilherme Socias Villela, incentivado pelo secretário da Indústria e Comércio Arthur Zanella (que começou a reunir dados em favor do prédio), anunciou em 1976 que manteria o Mercado de pé. A proteção definitiva viria em 12 de dezembro de 1979, quando o Mercado foi tombado como Patrimônio Histórico e Cultural de Porto Alegre.

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