O primeiro Mercado de Porto Alegre

Memorial do Mercado

 

Em meados do século XIX, o comércio na capital acontecia em casas comerciais, na Rua da Praia e, principalmente, no Largo da Quitanda, hoje Praça da Alfândega, onde havia também um forte comércio informal praticado no chão, em barracas e por ambulantes. A administração da cidade, em 1835, depois de diversas tentativas e confusões, removeu os vendedores informais para o Largo do Paraíso, atual Praça XV de Novembro, que passou a ser o principal pólo de venda informal da cidade.
Em 1842, período em que o Estado vivia a revolução Far­roupilha, o então Presidente da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, o Dr. Saturnino de Souza, constatou a necessidade de criar um Mercado para Porto Alegre. A construção de um prédio para disciplinar o comércio passou a ser uma meta da municipalidade.
Planejava-se a criação de um único local que reuniria diversos ramos comerciais, além de abrigar os ambulantes. Era a construção do primeiro Mercado. Incentivado pelo Dr. Satur­nino e financiado por uma associação de particulares em parceria com o município, o edifício foi erguido no Largo do Paraíso que então passou a ser conhecido como Praça do Mercado.
O primeiro Mercado foi inaugurado em 1º de outubro de 1844. Segundo o cronista A­quiles Porto Alegre: “Era um quadrado de linhas e contornos muito simples, com quatro portões laterais, e crivado de portas pintadas de vermelhão”.  Ainda informa, que o seu comércio interno, isto é, de tabuleiros, resumia-se em frutas, verduras, queijos, requeijões, rapaduras, mel e pouco mais. Havia também “[…] as pretas minas, que tinham ali as suas quitandas que constavam de caldeirões de mocotó e canjicas aos domingos, e de pés de moleque, amendoim torrado e farinha de cachorro”. Conforme a imprensa da época, logo após sua inauguração o espaço já era mal visto pela população e pela polícia.
O regulamento do velho Mercado proibia a venda, fora do prédio, de carnes verdes (carne fresca), de hortaliças, frutas, aves e de outros mantimentos em horários não estipulados pela Câmara. Esse regulamento visava a melhor circulação no entorno da praça e foi contestado pelos ambulantes que eram obrigados a ficar dentro do prédio durante o horário de maior movimento.
Aos poucos esse primeiro Mercado foi se tornando pequeno diante da produção e do aumento de comerciantes e ambulantes. A partir de 1857 começou a ser planejado um novo edifício que viria a ser o Mercado Público que conhecemos, maior e melhor estruturado que o seu antecessor. O primeiro Mercado foi demolido com a construção do prédio atual, inaugurado em 1869.

Equipe do Memorial do Mercado.

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